Inaugurada obra de arte que evoca os estaleiros e comunidade piscatória de Esposende
Sexta-feira , Dezembro 4 2020 Periodicidade Diária nº 2655
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Inaugurada obra de arte que evoca os estaleiros e comunidade piscatória de Esposende

Foi inaugurada uma obra de arte que evoca os estaleiros e a vida do mar da comunidade piscatória de Esposende.

A obra “(A)braços com o Mar”, da autoria de Luís Canário Rocha, está inserida no programa de residências artísticas “Amar o Minho”, complementando o projeto de arte urbana que o Município de Esposende implementou na marginal da cidade, com o projeto “Esposende SmartCity”, e que se prolongará para o futuro Parque da Cidade. A obra representa o fundo da vista do estuário do Cávado e visa enaltecer os valores das gentes de Esposende.

“Esposende é já uma referência em termos de arte de rua, com obras de arte em contexto urbano, como é o caso desta obra agora inaugurada e de outras inseridas num contexto mais natural. Não ficaremos por aqui. O futuro Parque da Cidade prolongará a implementação desta estratégia, alargando à vila de Fão”, assumiu Benjamim Pereira, presidente da Câmara Municipal de Esposende.

Apologista do conceito que defende a democratização do acesso de todos à arte, Benjamim Pereira enalteceu o resultado que as obras de arte estão a alcançar junto da população. “Estas obras têm que interpelar a comunidade, fazendo pensar, promovendo a discussão e até a crítica. Queremos uma população instruída e o conceito de SmartCity afigura-se mais entendível pela população”, realçou o autarca.

Para Luís Canário Rocha, a criação atendeu à “cenografia que interpreta o território e a paisagem, indo buscar as raízes da construção naval. Por isso, criei um azul especial para Esposende, a partir da desconstrução dos azuis oferecidos pelo estuário do rio Cávado”.

O artista manifestou orgulho por “integrar esta comunidade artística representada em Esposende”, cidade onde, segundo Luís Canário Rocha, “faz cada vez mais sentido para os artistas realizarem trabalhos”.

Esta obra de arte foi financiada por fundos comunitários, no âmbito do consórcio “Minho IN” que integra as comunidades intermunicipais do Alto Minho, do Cávado e do Ave, em representação de 24 municípios. A zet gallery é responsável pela coordenação artística do programa de residências artísticas, tendo como curadores do projeto Helena Mendes Pereira e Rafael Vale Machado.

Sobre a obra de Luís Canário Rocha, Helena Pereira destaca o facto de pertencer “a uma geração de artistas que aplica a aprendizagem da academia à intervenção urbana, devolvendo ao desenho e à construção do real, espaço privilegiado”. “Da rua e das linguagens de intervenção urbana traz a paleta viva, as palavras, repletas de conotação social e política, que povoam o suporte e os temas”, acrescenta a curadora.

À vocação turística de Esposende, surge agora associada a vertente cultural, complementada com a disponibilização de arte urbana, suportada na matriz que potencia os processos criativos, enquanto espaço privilegiado para envolver o autor, a obra, o público e o território.

Lembre-se que, no âmbito do projeto Esposende SmartCity já foram inauguradas as obras “octo_ _ _ _”, de Pedro Tudela e Miguel Carvalhais, “Padrão do Mar”, de Volker Schnüttgen e “Mulheres do Mar”, de Vhils.

Luís Canário Rocha vive em Guimarães. Formado pela Faculdade de Belas Artes da Universidade Porto (FBAUP) em Artes Plásticas na vertente de Pintura, expõe com regularidade desde 2007. Em 2018 destacou-se pela participação na exposição coletiva – 7 formas poético-casuísticas – na zet gallery, em Braga, e as residências artísticas em que participou, em Figueira Castelo Rodrigo (Projeto de arte Pública), Braga, Zet Gallery (Tutoria pedagógica inserida no Simpósio de Arte e Sustentabilidade).