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S.TO.P. acusa Governo de falhar na digitalização dos exames e pede demissão do ministro

© S.TO.P. Sindicato

O Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (STOP) acusa o Ministério da Educação de ter conduzido um processo de digitalização dos exames nacionais marcado por “falhas graves” e considera que o ministro Fernando Alexandre deve assumir responsabilidades políticas, defendendo mesmo a sua demissão.

Em comunicado, o sindicato critica as declarações do ministro no Parlamento, onde afirmou que “todas as provas estavam corrigidas e que as notas seriam lançadas”, sustentando que essa informação “mentiu, mais uma vez”, uma vez que, segundo o STOP, “há ‘centenas’, que serão milhares na realidade, de exames que foram classificados como ‘suspensos'”, ou seja, que permaneciam por corrigir.

Na perspetiva do sindicato, o objetivo do Ministério foi “colocar pautas nas escolas a todo o custo e a que horas fossem, para salvar a sua face”, acusando ainda o governante de ter voltado a “insultar os profissionais da educação” nas declarações prestadas posteriormente à comunicação social.

O S.TO.P alerta que os principais prejudicados são os alunos, referindo que “quem paga são os alunos que não sabem o que fazer”, quer por terem classificações suspensas, quer por contestarem as notas atribuídas. O sindicato acrescenta que já foi anunciado que a segunda fase dos exames decorrerá nos mesmos moldes.

No comunicado, a estrutura sindical sustenta que o problema dos exames representa apenas “um primeiro grande sintoma da destruição dos organismos do Ministério da Educação e do desinvestimento na Escola Pública”, considerando que a chamada digitalização “é o eufemismo para a destruição do sistema público de educação”.

Além das críticas ao processo dos exames nacionais, o STOP aponta um conjunto de problemas que, segundo afirma, afetam atualmente o setor da Educação, entre os quais o funcionamento da nova Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE), a falta de assistentes operacionais e técnicos nas escolas, dificuldades nos concursos de recrutamento e alterações previstas para a carreira docente.

O sindicato acusa ainda o Ministério de preparar medidas que poderão agravar a precariedade dos professores e reduzir direitos adquiridos, considerando que a política educativa seguida pelo Governo está a conduzir à desumanização da escola pública e à transferência de serviços para entidades privadas.

Perante o que classifica como “um desastre”, o S.TO.P entende que o ministro deve assumir as consequências políticas da situação. “O Ministro da Educação (…) deve ‘obviamente’ assumir responsabilidades e deve demitir-se ou ser demitido, porque foi chumbado na sua avaliação”, conclui o comunicado.

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