
Luís Filipe Castro Mendes recebeu este sábado, numa sessão realizada no Salão Nobre do Theatro Circo, o Grande Prémio de Literatura de Viagens Maria Ondina Braga (2026) com a obra Países Estrangeiros – Memórias e Viagens.
A obra, editada pela Guerra & Paz, aborda a velhice e a infância, as viagens e os livros, o amor e a sua materialidade. A poesia e o tempo, a morte e a guerra, a política e os anos da Revolução. Luís Castro Mendes escreve contra o esquecimento, enquanto o mundo brilha cheio de som e de fúria, de beleza e de horror.
No seu discurso, o escritor Luís Castro Mendes começou por elogiar o prémio atribuído pelo município bracarense, recordando e homenageando depois a escritora Maria Ondina Braga. “Receber um prémio que homenageia Maria Ondina Braga é uma grande honra. Foi uma escritora que soube olhar o mundo com empatia, sem nunca perder as suas raízes,” assinalou. O premiado ainda estabeleceu um paralelismo entre o percurso de Maria Ondina Braga e a sua própria experiência como diplomata e escritor, sublinhando que viajar implica compreender as culturas, a história e as razões dos outros, sem nunca perder a ligação às próprias raízes.
“Vivemos tempos marcados pela guerra e pela intolerância, mas é a cultura, a poesia e a arte que representam a verdadeira força da humanidade,” evidenciou, numa mensagem que apelou à reflexão e à valorização da escrita e da cultura.
José Manuel Mendes, presidente da direção da Associação Portuguesa de Escritores destacou a elevada qualidade das obras concorrentes, considerando que a escolha do júri distinguiu um livro que renova a literatura de viagens através da conjugação entre memória, reflexão e narrativa, enaltecendo ainda o investimento do Município de Braga na promoção da cultura. Deixou igualmente uma mensagem de agradecimento e de continuidade desta relação de proximidade entre as duas instituições. “Estou convicto de que Braga continuará a afirmar-se como uma cidade de referência cultural, contando com o contributo da Associação Portuguesa de Escritores.”
Já o presidente do Município de Braga, João Rodrigues destacou a coerência da distinção atribuída a Luís Castro Mendes, considerando que a sua trajetória como diplomata e escritor confere um significado particularmente simbólico à atribuição do Prémio Literário Maria Ondina Braga. E salientou que a autora que dá nome ao prémio simboliza uma forma de olhar o mundo assente na curiosidade, na compreensão e no encontro entre culturas, considerando que esse legado continua particularmente atual numa cidade como Braga, marcada simultaneamente pela memória da emigração e pela crescente diversidade das comunidades que hoje escolhem o concelho para viver.
“Braga conhece hoje os dois lados da viagem: sabe o que significa partir e está a aprender, todos os dias, o que significa receber. (…) Uma cidade segura da sua identidade não precisa de escolher entre preservar o que é e abrir-se ao mundo. Tem de conseguir fazer as duas coisas,” ressalvou.
Prémio Maria Ondina Braga já soma nove edições
Na presente 9.ª edição, o júri deliberou, por unanimidade, atribuir o Grande Prémio à obra Países, de Luís Filipe Castro Mendes, publicada pela Guerra & Paz, Estrangeiros – Memórias e Viagens reconhecendo a sua elevada expressividade literária e a forma como articula a experiência de viagem com reflexões de natureza histórica, política, ética e social.
A atribuição do galardão concretiza, assim, os objetivos culturais e literários subjacentes ao protocolo celebrado entre o Município de Braga e a Associação Portuguesa de Escritores, contribuindo igualmente para a valorização da memória e do legado literário de Maria Ondina Braga.
Quem é Luís Castro Mendes
Poeta, ficcionista e diplomata de carreira, Luís Castro Mendes nasceu em 1950. Ainda jovem, colaborou no Diário de Lisboa-Juvenil (1965-1967). Licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, em 1974, e teve atividade política antes e após o 25 de Abril, iniciando a carreira diplomática em 1977. Serviu como cônsul-geral no Rio de Janeiro e foi embaixador de Portugal em Budapeste, Nova Deli, UNESCO-Paris e, finalmente, junto do Conselho da Europa em Estrasburgo.
Foi Ministro da Cultura entre 2016 e 2018. Tem uma vasta obra publicada, com o seu primeiro livro a intitular-se Recados, em 1983.


