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Reflexão sobre a experiência de voluntariado

© Murisa Ahmetasevic

Há uma semana, terminava o meu projeto de voluntariado de um ano em Barcelos, Portugal. Fui acolhida pela SOPRO e tive a sorte de conhecer centenas de novas, diferentes personalidades e pessoas e de me envolver em várias atividades que dão que pensar. Assim, enquanto reflito e me preparo para as próximas aventuras, não posso deixar de me sentir sentimental e emocional, mas sobretudo grata pelas inúmeras oportunidades de crescer, amadurecer, e aprender a apreciar os infinitos benefícios de servir a comunidade.

Durante este projeto de voluntariado nem tudo foi fácil – exigia muita flexibilidade, ou melhor, vontade para mudar. Nada é uma constante quando se é voluntário. As atividades em que estamos envolvidos mudam de semana para semana e regularmente conhecemos e trabalhamos com novos membros da comunidade, e os voluntários à nossa volta vêm e vão, obrigando-nos a reordenar o nosso grupo de amigos e de família. Mas por mais difícil que este estilo de vida seja, exigindo de nós que deixemos ir as pessoas que partem e abrindo espaço no nosso coração para os recém-chegados, é também incrivelmente único e gratificante.

O voluntariado é espantoso exatamente pelas mesmas razões que o tornam difícil – nunca se sabe o que acontece a seguir, e que momento feliz ou experiência de aprendizagem inesperada está à espera ao virar da esquina! Por exemplo, quando comecei a trabalhar com crianças no Centro Social Abel Varzim, esperava diverti-los no recreio, e ensinar-lhes um pouco de inglês quando tivesse essa oportunidade. Mas no final as crianças é que acabaram por me ensinar português, pois estavam infinitamente curiosas e continuavam a fazer-me perguntas, pressionando-me a descobrir uma forma de comunicar com elas. Da mesma forma, nem sempre estava muito entusiasmada para passar três dias inteiros a recolher lixo nas praias de Esposende, uma atividade que repetimos de dois em dois meses, por vezes em condições climatéricas frias e chuvosas. Mas tendo em conta o quanto me abriu os olhos ao consumo excessivo e ao peso do problema da poluição global, estou eternamente grata por esta experiência.

Mesmo vivendo simplesmente em Portugal e caminhado na pequena cidade de Barcelos, ganhei uma nova perspetiva e compreensão da minha pequena cidade natal na Bósnia e Herzegovina e da cultura que me moldou, em comparação com as tradições que moldaram as atitudes dos meus amigos.

O voluntariado nem sempre foi fácil, mas foi uma fonte infinita de sabedoria sobre adaptabilidade, devoção, ética de trabalho e aceitação. Mas se me perguntarem “O que é que o voluntariado te ensinou?”, a resposta é ser humilde e dar – dar o nosso tempo, o nosso esforço, a nossa amizade e afeto. A própria vida é como um projeto de voluntariado, nunca se sabe o que se vai receber. Portanto, ponhamo-nos à disposição, apreciemos e partilhemos o que temos – o que receberás em troca será abundante, e irá surpreender-te.

Artigo de opinião de Murisa Ahmetasevic, da Bósnia e Herzegovina, voluntária da SOPRO, ao abrigo do Corpo Europeu de Solidariedade.

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