
Desde 2013, o Partido Socialista em Braga procura, sem sucesso, reencontrar-se com a cidade. Tentámos fórmulas, nomes, equilíbrios internos, soluções repetidas e rostos rotativos. Mudou quase tudo na aparência, mas pouco mudou na essência. E quando se insiste, durante anos no mesmo caminho, esperando resultados diferentes, o problema já não está apenas nos outros. Está também em nós.
O PS Braga perdeu força, perdeu presença, perdeu rua e, acima de tudo, perdeu capacidade de mobilizar esperança.
Depois de um ciclo histórico, liderado por uma figura incontornável como o Eng.º Mesquita Machado, o partido entrou numa espécie de travessia sem rumo, escolhas erráticas, guerras internas, pequenos poderes, egos maiores do que a disponibilidade para servir e uma preocupante falta de mundividência.
Não escrevo isto por gosto de crítica. Escrevo porque é difícil ver um partido com a história do PS reduzido em Braga, a uma sombra daquilo que já foi. E quando, nas conversas de café, nas freguesias, nas ruas e nos encontros com amigos e conhecidos se ouve, vezes sem conta, que “o PS desapareceu em Braga”, então é porque alguma coisa falhou profundamente.
Este não é o tempo dos caciques. Não é o tempo dos quintais. Não é o tempo das guerrilhas internas, das máquinas fechadas ou das lideranças impostas pela força dos corredores. Este é o tempo de devolver o partido aos militantes, à cidade, às pessoas e à política com sentido.
Por isso, entendo que Artur Feio reúne condições para iniciar essa reconstrução. Não porque os outros não tenham qualidades, têm. Mas porque, neste momento concreto o PS Braga precisa de alguém com conhecimento dos dossiês, leitura do território, experiência política, capacidade de agregação e sobretudo, disponibilidade e vontade para devolver vida a uma estrutura que parece adormecida.
Artur Feio, enquanto vereador, suportou e dignificou o Partido Socialista num tempo difícil. Conhece a Câmara, conhece Braga, conhece as freguesias e conhece o partido. Mas, mais importante do que isso, parece compreender que uma concelhia não pode ser apenas uma estrutura orgânica, tem de ser uma casa viva, aberta, participada, capaz de pensar a cidade e de formar uma alternativa credível.
Nada de pessoal me move contra quem quer que seja nesta minha opinião. Ela é livre, frontal e assumida, por quem vive o partido e a cidade com sentido de responsabilidade. É também uma opinião preocupada, porque o PS Braga não pode continuar a viver de memórias, nem pode confundir passado com futuro.
A história honra-se, mas não substitui liderança. A tradição respeita-se, mas não chega para ganhar a cidade.
A cidade de Braga mudou. A política mudou. As pessoas mudaram. E o PS tem de mudar também.
Precisamos de uma liderança forte, sim. Mas forte não significa autoritária. Forte não significa fechada. Forte não significa capturada pela máquina. Uma liderança forte tem de ser agregadora, humilde, disponível, próxima e legitimada pelos militantes.
Tem de unir antes de dividir. Tem de abrir portas antes de controlar salas. Tem de construir projeto antes de distribuir lugares.
O PS Braga precisa de voltar a ser ouvido. Precisa de voltar a estar nas ruas. Precisa de voltar a incomodar pela qualidade das ideias, pela força das propostas e pela presença junto das pessoas. Precisa de sair do estado moribundo em que muitos o sentem e voltar a ser alternativa.
Porque sem um PS forte, Braga fica mais pobre. Fica com menos debate, menos escolha, menos pluralidade e menos exigência democrática.
Este é o momento de escolher entre continuar igual ou começar de novo. Entre proteger equilíbrios internos ou reconstruir uma esperança coletiva. Entre gerir o vazio ou devolver vida ao partido.
E, nesta escolha, digo-o com clareza, antes Feio e ativo do que um PS indisponível para Braga.


