OpiniãoA afirmação de Portugal mais sustentável

A afirmação de Portugal mais sustentável

Artigo de Rui Milhão, ex-candidato do PSD à Junta de Freguesias de Real e membro da Assembleia de Freguesia de Real durante 16 anos.

© Rui Milhão

Festejar o Dia de Portugal pode ser também um exercício de responsabilidade cívica: honrar o que foi alcançado e discutir com seriedade o que precisa de mudar. Um país não se fortalece apenas pela memória ou pelo orgulho, mas pela capacidade de se reformar.

Portugal dispõe de instituições democráticas consolidadas, uma sociedade relativamente segura, uma posição geográfica estratégica e uma forte ligação às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Mas enfrenta problemas persistentes que limitam o seu desenvolvimento e que exigem reformas de longo prazo, para além dos ciclos eleitorais.

Na economia, é necessária uma estratégia que favoreça a produtividade e a criação de empresas mais inovadoras e competitivas. O excesso de burocracia, a complexidade regulatória e a lentidão dos processos administrativos e judiciais desincentivam o investimento e dificultam o crescimento das pequenas e médias empresas.

Na educação, o desafio não é apenas aumentar o acesso, mas reforçar a qualidade do ensino, valorizar os professores e aproximar mais as universidades e os centros de investigação das necessidades da economia. Um país que forma jovens altamente qualificados, mas não lhes oferece condições para permanecer, acaba por financiar talento que beneficia outras economias.

A habitação tornou-se uma das principais preocupações nacionais. O aumento da oferta, a simplificação do licenciamento urbanístico, a reabilitação do património degradado e políticas mais eficazes de arrendamento são essenciais para garantir que trabalhar em Portugal permita viver com dignidade.

O Serviço Nacional de Saúde continua a ser uma das maiores conquistas do país, mas necessita de reformas de gestão, maior capacidade de resposta e melhores condições para reter profissionais. O envelhecimento da população torna ainda mais urgente assegurar a sustentabilidade do sistema de saúde e da segurança social.

A justiça precisa de maior rapidez e previsibilidade. Processos excessivamente longos prejudicam cidadãos, empresas e a confiança nas instituições. A digitalização e a simplificação processual são indispensáveis.

Portugal necessita igualmente de uma reforma do Estado. Não se trata de ter um Estado maior ou menor, mas um Estado mais eficiente, capaz de prestar melhores serviços, avaliar resultados e reduzir desperdícios. A administração pública deve ser mais simples, mais transparente e mais orientada para os cidadãos.

As infraestruturas e a mobilidade exigem uma visão de longo prazo, incluindo a modernização da ferrovia, melhores ligações regionais e uma maior integração entre transportes e desenvolvimento económico.

Por fim, a demografia constitui talvez o maior desafio das próximas décadas. Incentivar a natalidade, criar condições para o regresso de emigrantes, integrar eficazmente os imigrantes e aumentar a produtividade serão fatores decisivos para garantir a prosperidade futura.

Celebrar o Dia de Portugal é, por isso, mais do que evocar o passado. É reconhecer que o país tem recursos humanos, conhecimento e capacidade para progredir, desde que exista vontade de realizar reformas exigentes e sustentadas. O verdadeiro patriotismo não consiste em afirmar que Portugal é perfeito, mas em trabalhar para que seja melhor.

PARTILHE A NOTÍCIA

LEIA TAMBÉM

PUBLICIDADE

Últimas Notícias

POPULARES