
A Quercus quer que os portugueses saibam, a cada mês, para que fins é usada a água armazenada nas barragens.
“As intempéries ocorridas em Portugal provocaram graves danos a muitos portugueses, com os quais a Quercus está solidária. No entanto, a sequência anómala de tempestades que assolou o país proporcionou também uma acumulação de riqueza hídrica nas barragens nacionais, que estão atualmente nos seus níveis máximos de armazenamento de água. Este é um facto absolutamente extraordinário num país que tem sido crescentemente vulnerável à escassez de água. Por isso, é fundamental garantir aos portugueses que esta abundância hídrica é utilizada de forma eficiente”, refere a Quercus.
Para tal, a Quercus instou a Agência Portuguesa do Ambiente a ir “mais além da informação disponibilizada no portal oficial sobre a monitorização das albufeiras”, passando a tornar públicos, com uma periodicidade mensal, qual a duração prevista do armazenamento de água: projetar e anunciar qual o período temporal assegurado pelas disponibilidades hídricas, em meses ou anos, para fazer face a situações de seca extrema (mesmo não chovendo); e a percentagem de água utilizada por setor e por barragem, complementando os boletins semanais e a informação no portal Info Água com a água utilizada para consumo humano em cada barragem; Água utilizada para a indústria em cada barragem; a água utilizada para a agricultura em cada barragem, de modo a responder às necessidades de rega mesmo em épocas de seca extrema; e a água utilizada para a produção de energia hidroelétrica em cada barragem: enquanto principais beneficiárias das cheias recentes (produção de energia hídrica aumentou 17,8% desde o início do ano), as empresas produtoras de energia podem e devem contribuir para o fundo público de apoio a futuras catástrofes já anunciado pelo Governo, através de uma sobretaxa correspondente a uma percentagem dos lucros extraordinários desta atividade.
A disponibilização pública e periódica desta informação é, para a Quercus, uma “oportunidade única” para verificar e fiscalizar os consumos e usos de todos os setores, bem como as suas ineficiências setoriais; a ferir as potenciais perdas ambientais e económicas por não medição; contabilizar as potenciais perdas indevidas de receitas; identificar oportunidades de melhoria e todos os elementos necessários para se efetuar uma gestão eficiente da água em Portugal; e garantir transparência na gestão de um bem essencial ao país, assegurando que a monitorização pormenorizada dos seus usos por barragem é pública.
A presidente da Quercus, Alexandra Azevedo, lançou o desafio à APA “para reativar o Conselho Nacional da Água, parado há 3 anos, com a marcação de um plenário com especialistas, com caráter de urgência, para ser discutida a gestão da água em Portugal”.


