OpiniãoPresidenciais. A pequena direita, o pequeno candidato e a pequena escolha

Presidenciais. A pequena direita, o pequeno candidato e a pequena escolha

Artigo de Mónica Jerónimo Lopes, deputada municipal de Braga pelo CHEGA.

© CHEGA

Se Pedro negou Cristo três vezes, ontem a direita tradicional também se negou 3 vezes: pequena no resultado, pequenina no candidato e pequeníssima na escolha final de não escolher um lado.

A pequena direita, o pequeno candidato e a pequena escolha

A direita que o PSD escolheu ser nesta eleição é a mesma que escolhe ser desde 1980: pequena, subserviente à bolha que manda e com medo de romper com o consenso socialista que domina o Estado. Pequena porque não é alternativa ao “Portugal do Estado PS”; pequena porque prefere gerir equilíbrios internos a disputar o futuro de Portugal.​​

O candidato que encarnou esta direita foi também “pequeno”. Luís Marques Mendes protagonizou, a pior derrota de sempre de um presidenciável apoiado pelo PSD, confirmando que a sua candidatura nunca foi um movimento de país, apenas um arranjo de aparelho. Pequeno na estatura, pequeno na ambição, pequeno na capacidade de inspirar um eleitorado farto de arranjinhos.​

Pequena, por fim, nas escolhas de Luís Montenegro. Ventura foi deixando avisos… e dentro e fora do PSD multiplicaram‑se sinais de que Marques Mendes não passava de uma pequena teimosia pessoal, destinada a transformar‑se num grande problema para o partido. Ontem, ao anunciar que não dará indicação de voto na segunda volta, Montenegro assumiu a falta de coragem política em escolher entre o “Segur‑ismo” do socialismo progressista e a “A‑Ventura” da direita conservadora, preferindo a neutralidade confortável à responsabilidade de liderar…seja o que for.

Ventura, o grande vencedor numa noite pequena para o PSD

Contra o cenário de pequenez política na direita tradicional, André Ventura surge como o grande vencedor político da primeira volta. Grande na postura, porque não teve medo de enfrentar o eixo PS‑PSD‑CDS‑BE num ciclo em que toda a máquina mediática e partidária trabalhava para garantir que a segunda volta fosse apenas um ajuste interno do sistema. Grande na coragem, porque falou de temas que a “pequena direita” evitou durante décadas: segurança, imigração desregulada, corrupção sistémica, captura do Estado por oligarquias partidárias.​​

Grande na irreverência, recusando o papel de figurante na coreografia das presidenciais, e grande no sonho de um Portugal soberano, dono das suas fronteiras, das suas leis e das suas escolhas económicas. E grande, sobretudo, na mensagem que passa: há uma direita popular, moralmente convicta e sociologicamente relevante que já não aceita ser representada por pequenos candidatos escolhidos em pequenos conselhos nacionais para agradar a uma pequena bolha de comentadores.​​

Ventura não precisou de ficar em primeiro para assumir a liderança sociológica da direita. Os votos dizem o essencial: ele fala para um país que existe fora do circuito habitual dos favores, dos cargos e dos comentários. Ficou claro que o PSD não pode decidir a liderança da direita em reuniões internas; ela decide‑se nas urnas.​

PSD refém: subserviente ao líder da direita ou fora da liderança

A próxima decisão do PSD é, em si mesma, um teste de grandeza. Se apoiar Ventura na segunda volta, reconhece‑o como líder da direita portuguesa e assume que o seu próprio falhanço. Se não o apoiar, coloca‑se deliberadamente fora da liderança da direita, escolhendo o conforto de ser pequeno a longo prazo, em troca de algum sossego pessoal imediato.​

O paradoxo é brutal: com ou sem apoio, Ventura continuará a liderar a direita; com ou sem apoio, o PSD seguirá pequeno. Pequenos são os 10% sociológicos que obrigam a reler os quase 30% das legislativas como aquilo que sempre foram: um voto de “não PS” e “não CHEGA”. Pequeno, porque é difícil ser líder moral de um campo ideológico quando se tem medo de enfrentar o único candidato desse campo que mobiliza massas, atravessa gerações e impõe a agenda política, quer nos bairros periféricos, quer no centro do debate nacional.

Não é líder moral da direita quem quer, nem quem a máquina do PSD designa; é líder quem é reconhecido pelo povo que vota e milita, quem enche praças, quem dita a agenda, quem é atacado pelos adversários com uma intensidade que confirma a sua centralidade. Gostem ou não, é Ventura que ofusca e mete medo a Montenegro, o PSD e o CDS.​​

CDS: da direita escondida à pequena irrelevância

A imagem de Chicão, ex líder do CDS, nesta noite eleitoral é o retrato final da sua decadência: um partido que se dizia conservador e cristão a aplaudir um candidato socialista, lado a lado com o BE, em nome da “frente contra Ventura” é o mais baixo que a direita pode descer.

O CDS não morreu porque Ventura lhe “roubou” o espaço; morreu porque foi encolhendo a sua identidade até ficar pequeno demais para os seus próprios eleitores. Foram anos de “conservadorismo progressista” — fórmula vazia que serviu para esconder valores cristãos e identidade conservadora debaixo do tapete mediático. Perderam os valores e alguém os levou: quando o CDS prescindiu de ser conservador às claras, o CHEGA apareceu sem medo e sem complexos.​​

Os militantes…uns fugiram para o CHEGA, outros escaparam para o PSD ou IL, e o que restou foi uma minoria de “donos” do partido — meia dúzia de iluminados ligados por laços familiares e carreiras políticas, muito bem instalados no estado, nas empresas ou em estúdios de televisão (por condescendência do PS). Afinal, para quem fala Chicão quando apela a um voto socialista?

Soberanismo grande, Estado‑partidário pequeno

O alinhamento de BE, CDS e parte da direita tradicional com Seguro mostra que a verdadeira clivagem não é mais “direita vs esquerda”; é regime vs mudança, globalismo regulamentalista vs soberania democrática, Estado‑partidário vs Portugal real.​​

De um lado, PS, PSD, BE, PCP e afins defendem, com nuances de estilo, o mesmo modelo: um Estado gigante como máquina de distribuição de rendas, lugares e subsídios, onde mais de 2 milhões de pessoas continuam em risco de pobreza ou exclusão social apesar de décadas de políticas socializantes. Pequeno não é o Estado — esse é enorme; pequeno é o espaço que sobra à iniciativa, ao mérito, ao trabalho produtivo, à responsabilidade individual.​

Do outro lado, Ventura representa um soberanismo que quer um Estado forte na autoridade e na proteção, mas pequeno na promiscuidade com partidos, grupos económicos e burocracias supranacionais que hoje condicionam quase tudo. Não se trata apenas de “menos Estado”, à maneira tecnocrática da IL; trata‑se de um outro tipo de Estado: menos dono, mais servidor; menos distribuidor de favores, mais garantidor de justiça e ordem; menos preso a diretivas de fora, mais comprometido com a vontade expressa nas urnas.​

A divisão que importa em 2026 é, por isso, entre quem aceita um Portugal pequeno, administrado à distância por instituições que ninguém elegeu diretamente, e quem quer um Portugal grande na sua soberania, capaz de dizer “não” quando as diretivas externas contrariam o interesse nacional. Ventura inscreve‑se claramente neste segundo campo.​

Entre gerações: não deixar os sonhos dos jovens a definhar num país pequeno

Os que fizeram a revolução há 50 anos têm vindo sistematicamente a favorecer pelo voto os beneficiários dessa mesma revolução, agora instalados no sistema. Ventura conseguiu algo que nenhum partido novo tinha conseguido: entrar nesse eleitorado idoso, falar para quem vive com pensões baixas, insegurança, serviços públicos degradados, e ainda assim sente orgulho em Portugal.​

Mas essa conquista não pode transformar o CHEGA num partido “pequeno” aos olhos das novas gerações. Os jovens querem mais do que retórica moral; querem salários e impostos justos, querem empreender, ter família e construir futuro. A IL percebeu uma parte deste anseio e ocupou o vazio deixado quando o CHEGA abrandou o seu discurso económico liberal, trocando “conservador nos valores e liberal na economia” por fórmulas mais vagas de “conservadorismo moderno”.​​

Se o CDS escondeu o conservadorismo e deu ao CHEGA espaço para o reivindicar, o CHEGA não pode cometer o erro simétrico: esconder a economia e dar à IL o monopólio do discurso da mudança económica. É preciso dizer aos jovens que uma pequena IL nunca terá o “tamanho certo” para fazer a revolução económica que desejam; e que só um CHEGA grande, pode combinar respeito pelos idosos com a ousadia de entregar à juventude os meios de produção, a mobilidade social e a liberdade económica que permitam uma verdadeira revolução silenciosa de mérito, trabalho e criação de riqueza.​​

Contra uma redistribuição igualitária que nivela por baixo, Ventura pode propor um novo contrato social: grande no reconhecimento de quem trabalhou uma vida inteira, grande na aposta em quem quer começar hoje.​

No fim, é disto que se trata: ou Portugal aceita continuar pequeno — com uma pequena direita, pequenos candidatos e pequenas escolhas — ou decide apostar num projeto grande, nacional, soberano, capaz de reconciliar pais, avós e filhos em torno de um futuro que não seja apenas a gestão triste de um presente falhado.

Ventura já mostrou que não tem medo de ser Grande.

Resta saber quantos portugueses querem, também eles, deixar de pensar pequeno.

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