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O futuro da Europa, Verde, Progressista é aqui!

© PAN Braga

No fim de semana passado tive a oportunidade de fazer parte da delegação do PAN, Pessoas-Animais-Natureza, no Conselho dos Verdes Europeus, a nossa família política europeia. Decorreu em Riga, na Letónia e contou com a participação de partidos ecologistas de mais de 40 países. Foi uma experiência política intercultural única que abriu os horizontes para aquele que pode ser o futuro de Portugal e da Europa.

Esta foi a primeira vez que o PAN esteve representado, num momento em que os partidos ambientalistas por toda a Europa registam um crescimento avassalador. Nos últimos anos, os “Greens” chegaram ao governo na Alemanha e estão a caminho de ser o maior partido do país. No Montenegro, o novo primeiro-ministro é Verde. Na Áustria, o Presidente também já é “verde” desde 2017. Na Finlândia, Bélgica, Irlanda e Luxemburgo, os ambientalistas também já governam. Por toda a Europa o movimento ecologista está cada vez mais presente nos poderes locais e regionais, tendo também poder executivo em várias autarquias.

Depois dos grandes resultados nas eleições para o Parlamento Europeu em 2019, onde o grupo cresceu de 50 para 74 eurodeputados, o foco está agora nas eleições de 2024, onde se esperam os melhores resultados de sempre.

Este sucesso advém da importância que cada vez mais eleitores atribuem ao ambiente e combate às alterações climáticas, mas também a causas progressistas de que os Greens são a cara: a defesa dos direitos humanos, combate ao racismo e xenofobia, proteção social, laboral, direitos LGBTIQA+, habitação acessível, democracia participativa e combate à corrupção são temas centrais nesta política do futuro. Também a defesa animal faz cada vez mais parte desta mensagem coletiva (neste Conselho, toda a comida era vegetariana).

Para além disto, e ao contrário do sistema político português, a mensagem europeísta está mais vincada, com alguns partidos a incluírem-na no próprio nome. Em França o “Europe Ecologie Les Verts”, na Itália o “Europa Verde”. Em Portugal temos vários partidos europeístas, nos quais se inclui o PAN, mas infelizmente, ainda não é uma mensagem que apaixone tantos eleitores como lá fora.

Para além da ideologia, a própria forma de fazer política é vista de forma diferente, mais virada para a construção de consensos, o que explica a forte tradição de coligações nos governos e autarquias. Também explica a variedade ideológica dos próprios membros dos Greens que seria difícil de encontrar em Portugal. A cultura é de discussão e cedências de todas as partes e membros, com uma base comum. Por cá os partidos vivem muito fechados em si mesmos e a cultura é do “vencedor leva tudo”, marcas de uma democracia pouco saudável.

Outra diferença para o sistema português, esta exclusiva dos Greens, é a voz dada aos jovens. No Parlamento Europeu, a idade média dos eurodeputados são 50 anos, mas o nosso grupo é substancialmente mais jovem. Em 2019, elegeu a eurodeputada mais jovem de sempre, pela Dinamarca, com 21 anos. Nos Verdes Alemães, a nova co-chair, Ricarda Lang, tem apenas 28 anos. Na Estónia, a nova porta-voz recém-eleita tem apenas 23 anos. Enquanto isto, em Portugal, é raro encontrar deputados com menos de 30 anos, e parece impossível terem destaque e respeito dentro dos partidos tradicionais ou na comunicação social.

Mais um fator inovador da nossa família política é a existência generalizada de “co-chairs”, ou “copresidentes”. Ao contrário da maioria dos partidos onde toda a comunicação e atenção mediática gira à volta de uma mesma cara, nos Greens há uma tendência mais horizontal, de partilha de poder. Acresce que dá a possibilidade de garantir sempre um homem e uma mulher à frente de cada partido, ao mesmo tempo. Esta é mesmo uma regra estatutária dos Verdes Europeus.

Encontramos assim, uma forma diferente de fazer política, disruptiva e focada nos temas do presente e do futuro. Onde os jovens se podem sentir ouvidos, incluídos e representados. Onde a esperança num mundo mais justo, sustentável e empático é inspiradora. Mesmo com mais de 40 países representados, falávamos todos a mesma língua: a da Europa, Verde, Progressista.

Artigo de opinião de Rafael Pinto do PAN.

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