
Foi inaugurado no passado sábado, no Forum Arte, galeria de arte contemporânea do Forum Braga, a exposição “Simpoiésis: Cópias Originais”.
Com curadoria de Raul Pinto, a exibição pode ser visitada e experienciada gratuitamente até 15 de setembro.
As esculturas, instalações e vídeos revelam a cooperação entre os artistas e a natureza. A condução dos bichos-da-seda por materiais, a apreciação do crescimento aleatório de líquenes e fungos e o vergar dos ramos do salgueiro até que este se tornem numa obra, destacam-se nesta coleção. Para além da experiência visual, a proposta apela também ao olfato, à audição, e, ainda, promove uma sensação de dinamismo, de que se está num ambiente vivo.
Com peças de Svenja Keune, Ariel Lim, Raul Pinto, ARTvoltage, Gizem Defne Erdemir, Alice Fox, Full Gown Ltd, Tatiana Campos, Erica Lourinhã, Alara Ertenu, Jason deCarson Taylor, Adelaide F. P. Pinto, Zena Holloway, Samuel Reis, e com o apoio de Demerval Alves, Araújo Júnior Afonso, Beatriz Carvalho e Maria Moura, a exposição explora a necessidade de interações equilibradas com a Natureza. Acreditando na moderação como uma atitude sábia, os artistas e designers criaram artefactos em evolução que promovem interações significativas entre humanos e não-humanos. “Enraizados no “fazer juntos”, enfatizamos a interdependência, a co-criação e a autenticidade através da replicação.”
Simpoiés significa “fazer em conjunto”, agir de modo colaborativo. Estes artefactos incentivam a comunicação entre espécies, destacam a interconexão da vida e desafiam o design tradicional, reforçando a relação entre matéria e significado, promovendo uma abordagem à ecologia menos centrada no ser humano.
Na visão dos artistas, a humanidade tem-se afastado destes princípios e se envolvido na destruição ecológica e nas relações de poder desastrosas. Surge a lógica de superioridade humana, excepcionalismo, etnocentrismo e antropocentrismo, que promovem a supremacia do homem sobre a natureza e sobre outros seres humanos, sem reconhecer que a existência humana depende de relações interdependentes e trocas simbióticas.
Inspirada por pensadores como Henry David Thoreau, que viveu em harmonia com a natureza, e William Morris, que defendia a simplicidade e o trabalho manual, Simpoiésis propõe um retorno à criação honesta e necessária.
Os artistas e designers da exposição exploram temas de serendipidade, aleatoriedade, cópia e originalidade no ato de criação/produção. Através da co-criação, Simpoiésis convida os visitantes a reconhecer a importância da interdependência e a refletir sobre como sistemas e seres se desenvolvem juntos, indicando que nada é completamente independente.
A inauguração contou com a presença do curador, Raul Pinto, e dos curadores da galeria, Guilherme Braga da Cruz e Duarte Sequeira.


