
Tem vindo a mudar, mas ainda vemos muitos cargos de chefia a cristalizarem-se. Recentemente, um diretor de serviço de uma Unidade Local de Saúde (ULS) aqui perto publicou numa das suas redes sociais que era diretor há 25 anos. Notava-se o orgulho na publicação; nos comentários, os parabéns. Quem conhece o serviço sabe que não há ali motivo para festejo ou parabenização. Um diretor de serviço há 25 anos ou é uma desgraça ou tem o melhor serviço do mundo. “You either die a hero, or live long enough to see yourself become the villain” (em português: ou morres herói, ou vives o suficiente para te veres tornar num vilão), como foi dito em “The Dark Knight”, filme do Batman. Neste caso, adequa-se perfeitamente.
Posto isto, pensemos: se os diretores chegam aos cargos com o único mérito de existirem há muito tempo ou de conhecerem as pessoas certas, ou se chegam lá sem qualquer projeto ou objetivo, porque haveriam de sair? E como é que isso beneficia os serviços? Por um lado, os mais antigos vão-se arrastando, não se comprometem, não fazem nada escandalosamente errado (mas vemos todos os dias o resultado no SNS), mas também não melhoram nada, nem um pouco. Por outro, os mais novos não têm perspetiva de um dia implementar ideias, projetos, falhar e aprender.
Todos os dias vemos notícias de como as coisas correm mal. Ocasionalmente, demitem-se diretores, mas a receita continua a ser manter tudo como está. Não podemos ter chefes eternos, por muito bons que sejam. Diretores com prazo de validade podem errar sem estragar durante tempo suficiente para tornar impossível a reabilitação. Se acertarem, andamos um passinho em frente; se ficar tudo na mesma, em breve virá alguém para mudar. Tenhamos a coragem de nos modernizar, mesmo correndo o risco de ter maus diretores, porque algures irão surgir os bons.


