OpiniãoA cultura e o associativismo como pulmão da comunidade

A cultura e o associativismo como pulmão da comunidade

Artigo de Jorge Silva.

© Jorge André Silva

Recentemente, o Governo anunciou o lançamento de uma linha de apoio de 700 mil euros para bandas de música e filarmónicas. Esta é uma boa iniciativa.

Muitas vezes é aqui que são dados os primeiros passos na música.

É importante perceber que um dos principais motores do dinamismo das comunidades está nas associações, sejam elas de que tipo for.

O associativismo pode ter um papel predominante no desenvolvimento de uma sociedade e na mudança de paradigma em várias dimensões.

Quando falamos de associativismo devemos olhar para três vertentes essenciais. Vertente social, cultural e cívica.

No âmbito social, as associações são agregadoras de vários tipos de realidades.

Numa altura em que vivemos numa sociedade cada vez mais individualista e onde o paradigma socioeconómico é mais complexo, é fundamental que as mesmas promovam iniciativas que ajudem a integração das diversas etnias, coletividades e promovam o diálogo entre gerações.

Outro aspeto onde as associações podem ser um elemento chave é no combate à exclusão social. A promoção de convívios, atividades culturais e outras iniciativas, como a promoção de visitas a pessoas que vivam sozinhas, são importantes para ajudar os executivos a procurar soluções para quem vive isolado e, ao mesmo tempo, terem consciência e proximidade com as várias realidades existentes na sua freguesia.

A aposta na cultura é fundamental para o desenvolvimento e a preservação da história e identidade de uma localidade.

As associações devem promover roteiros e campanhas que levem os fregueses a conhecerem a história e o património existente na sua freguesia.

O lançamento de campanhas de preservação do património é também importante para que o mesmo não caia no esquecimento e, mais do que isso, no agravamento do abandono, como muitas vezes se verifica.

A promoção e a realização de catálogos de forma a ficar registado o património e a sua história é fundamental para a preservação da identidade. Aqui, podem ser incluídas as escolas, os diversos museus e associações.

Por último, importa olhar para o papel que as associações podem ter a nível da promoção das boas práticas de cidadania e participação pública.

Muitas vezes são as associações de moradores o elemento de ligação entre os fregueses e os executivos das juntas de freguesias. É através dessas associações que muitas vezes quem lidera as juntas de freguesia tem conhecimento dos problemas e dificuldades que os fregueses enfrentam.

É importante a promoção de campanhas que promovam a participação dos cidadãos nas assembleias, promovendo também a descentralização das mesmas de forma a ir ao encontro de todos, ao invés de agregar uma só localidade.

Olhar para as associações, é olhar para o pulmão do dinamismo de uma comunidade. Não devendo, por isso, as mesmas serem desprezadas, mas, pelo contrário, valorizadas e chamadas para o trabalho em prol do bem comum.

A atribuição de linhas de apoio é importante, mas, a mesma, deve ser atribuída com critério, deve haver fiscalização e, acima de tudo, tem de existir celeridade.

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