OpiniãoDa fragilidade social ao chão que pisamos: crónicas de uma cidadania ativa

Da fragilidade social ao chão que pisamos: crónicas de uma cidadania ativa

Artigo de Mário Relvas. "A cidadania ativa e independente de cada indivíduo é um dos bens maiores do sistema político democrático.”

© Mário Relvas

Procuro escrever de forma independente, tanto quanto se possa ser, pois há em todos nós uma subjetividade que nos é inerente, seja pela educação familiar em criança,  seja pela escolar, pela religião, seja efetivamente pela cabal vivência de cada um ao longo dos tempos, tendo sempre em conta o civismo e a lei que orientam o bem comum da nossa sociedade. Olho para a nossa avenida, como olho para a nossa cidade de Braga e para todo o nosso Portugal.

Aos poucos, se continuar com saúde, gostaria de escrever mais crónicas acerca do envelhecimento, da deficiência em geral, da mental e do autismo em particular. 

Gostaria de escrever, um dia destes, o que se passa em certas instituições particulares de solidariedade social (IPSS), pugnando pelo digno tratamento de todos os seus clientes, familiares e acompanhantes (antigos tutores), e até a devida valorização dos funcionários que nelas trabalham com dedicação. Quem detetar o uso e o abuso dos dinheiros e bens das IPSSs em proveito de alguém, seu dirigente, funcionário ou outro, deve remeter o caso à Inspeção- Geral da Segurança Social e ao Ministério Público. Não podemos andar a pagar pelo mal que alguns causam a uma população tão frágil e às suas famílias que todos os meses pagam a sua comparticipação familiar, assim como o Estado paga a comparticipação legal mensal via Segurança Social. Não se pode deixar andar. É grave.

Continuarei a pugnar pelo futuro dos nossos filhos diferentes e dependentes, que hoje é demasiado incerto. Obscuro mesmo!

Gostaria também de abordar, a seu tempo, como é viver com cancro, continuando a olhar e a aproveitar a vida positivamente. O que são e o que representam os habituais tratamentos sistémicos no combate às diversas doenças oncológicas, com particular incidência no cancro colorretal, metastizado no pulmão, fruto da minha experiência e do muito que li e conversei com os estimados médicos, enfermeiros e técnicos do Hospital de Braga, em particular o Dr. Maurício João Gomes Peixoto, que me tem seguido nos últimos dois anos, mas também da Unidade de Saúde Familiar M. Rocha Peixoto, em que a nossa médica, uma excelente profissional, uma senhora humanista, que se tornou uma amiga, a Dra Maria João Botelho, se reformou. Desde aí, até agora, estamos sem médico de medicina geral familiar, vulgo médico de família.. E bem precisamos com urgência. 

Gostaria de vir a escrever como é conviver o melhor possível com a doença e o autismo de um filho, com 38 anos de idade, em simultâneo.

Vivo sem mágoas, sem rancores nem ódios. Nem sou forte, nem fraco, sou eu. Um homem comum, um cidadão português, com defeitos e algumas virtudes. Sou humano, afinal, como todos. No entanto, não exijo aos outros o que não faço. E já não tolero tudo. Procuro ser o mais justo possível. Olho a vida e o outro com humanismo e solidariedade. Não piso ninguém mas também não me deixo pisar..

Gostaria de continuar a observar, como sempre fiz, desde há mais de 25 anos em escritos de opinião em jornais locais e nacionais, os atos de vandalismo, a segurança pública, o problema do tráfico e o enorme flagelo do consumo de droga e do álcool, principalmente nos mais jovens.

Olhar também por palavras o país, sociologicamente e politicamente. Observar que caminho trilha o mundo que geopoliticamente está  um novelo intrincado, entre guerras e fome, que afeta todo o mundo, para lá dos naturais dos países envolvidos.

Costumo falar com jovens universitários, que frequentam mestrados e doutoramentos, de forma paciente e amiga, escutando-os, trocando ideias e experiências. 

Sei a idade cronológica que consta do cartão do cidadão, mas, para mim, a idade é um estado de espírito. O conhecimento adquirido não pode ser imposto, mas por vezes podemos aplicá-lo junto das gerações mais novas, não como certezas, mas como vivências reais de modo a que conheçam perspetivas diferentes de vida, sem modismos, porque a vida nunca foi fácil — hoje tem as suas especificidades. E sem termos de seguir nós próprios, mais experientes e, curiosamente, com menos certezas do que quando éramos bem mais novos como eles, o seguimento de qualquer moda corrente que não nos agrade. 

Agradeço aos diversos responsáveis estatais, desde o escalão mais alto do país, aos locais, por me responderem e, sobretudo, por atuarem quando aponto algo. A crítica faz-se pela positiva. Ou não tem qualquer interesse em escrever apenas deitar abaixo sem apontar um caminho positivo. 

Sou uma pessoa grata com quem me merece, independente de quem seja.

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