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Braga Eleições 2025: O que deve realmente propor um candidato sério à Câmara

Artigo de opinião de José Macedo.

© José Macedo

As eleições autárquicas em Braga aproximam-se e os nomes já se perfilam: há continuidade, há renovação e há ambição. Mas entre a espuma das campanhas, impõe-se uma pergunta de fundo: o que deve realmente propor um candidato que leve Braga a sério? A cidade transformou-se nos últimos 15 anos. Tornou-se um polo jovem, tecnológico e turístico. Mas enfrenta agora desafios profundos e estruturais. Se quisermos uma cidade com futuro, precisamos de políticas com visão e sustentabilidade e não apenas de slogans políticos que pouco ou nada nos dizem.

1. Habitação acessível: o problema que já chegou

Braga deixou de ser uma cidade acessível para se viver. O arrendamento subiu, a compra é proibitiva para os mais jovens e o centro histórico sofre uma crescente procura para turistas se estabelecerem na nossa cidade.

Um candidato responsável deve:

  • Criar um plano municipal de habitação mista, com cooperativas, reabilitação e arrendamento acessível.
  • Redirecionar verbas para parcerias com o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, definindo ao mesmo tempo metas por freguesia.
  • Lutar contra a especulação e garantir uma cidade onde quem trabalha também possa viver.

2. Mobilidade: menos carro, mais ligação

A dependência do automóvel continua a bloquear a cidade. Principalmente o acesso ao nosso centro histórico. Fala quem trabalha no centro da cidade e sente todos os dias este problema. Nos dias de hoje, Braga é uma cidade com população dispersa e periferias esquecidas. É tempo de:

  • Reforçar a pressão para a ligação ferroviária Braga-Guimarães-Porto e integrar a alta velocidade.
  • Criar transportes públicos frequentes, com preços acessíveis e de proximidade nas freguesias mais afastadas.
  • Promover a mobilidade elétrica, ciclável e partilhada em todos os bairros urbanos sempre que possível.

3. Braga do conhecimento, não só do turismo

Braga tem universidades, institutos de investigação e jovens com talento. Mas falta uma política para os fixar cá. É essencial:

  • Criar um Fundo Municipal para “Startups” em tecnologia, ambiente e ciência.
  • Estabilizar parcerias com a Universidade do Minho e o INL para manter valor na cidade.
  • Fazer de Braga um local onde se inova e se fica, não apenas onde se estuda e se sai.

4. Planeamento urbano: pôr ordem no crescimento

A expansão desordenada da cidade gerou zonas mal servidas, trânsito caótico e perda de identidade local. Um novo executivo deve:

  • Rever o PDM com critérios de sustentabilidade e justiça territorial. – Travar novas urbanizações sem planeamento.
  • Valorizar o património contemporâneo e rural, que é também parte da alma bracarense.

5. Braga que cuida: coesão social com estratégia

Entre os números do turismo e dos eventos, há realidades esquecidas: o envelhecimento, a pobreza escondida, a falta de serviços nos bairros.

Propostas reais incluem:

  • Criar polos de saúde e bem-estar de proximidade, por freguesia.
  • Ampliar a rede de creches e serviços de apoio domiciliário.
  • Estabelecer um orçamento participativo de pelo menos 5% do orçamento municipal para decisões locais.

Braga não precisa apenas de marketing eleitoral. Precisa de líderes com coragem para propor planos executáveis, com metas e financiamento claros. A política autárquica é o lugar mais próximo das pessoas. E é justamente por isso que exige mais responsabilidade e menos espetáculo. As eleições de 2025 são uma oportunidade para discutir ideias! A cidade de Braga sairá vencedora se vencer a seriedade.

Artigo de opinião do economista José Macedo.

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