
A nomeação de João Granja para presidente não executivo do Conselho de Administração da AGERE representa uma decisão que merece ser sublinhada de forma positiva, tanto pelo percurso do nomeado como pelo momento estratégico que a Empresa Municipal de Braga atravessa.
A AGERE é hoje uma referência nacional na gestão integrada da água, saneamento e resíduos urbanos, desempenhando um papel determinante na qualidade de vida dos Bracarenses e na concretização das políticas ambientais do concelho. Liderar, ainda que de forma não executiva, uma empresa com esta dimensão e responsabilidade exige visão estratégica, conhecimento profundo do território e capacidade de diálogo entre diferentes atores institucionais, qualidades que João Granja tem demonstrado ao longo do seu percurso público.
Com uma participação ativa na vida cívica e política local, João Granja conhece bem a realidade de Braga, os seus desafios estruturais e as ambições de desenvolvimento sustentável que o município tem vindo a afirmar, mantendo tarifas das mais baixas em todo o país. Essa proximidade ao território é um ativo relevante para uma função que exige acompanhamento, supervisão e definição de orientações estratégicas, em estreita articulação com a administração executiva e com o acionista público.
Importa ainda destacar que o cargo de presidente não executivo não se confunde com a gestão operacional do dia a dia. Trata-se, antes, de um papel de equilíbrio institucional, de garantia de boas práticas de governação e de reforço da transparência e da responsabilidade nas decisões estratégicas. Neste contexto, a capacidade de mediação, o sentido de responsabilidade pública e a experiência política de João Granja constituem mais-valias claras.
Num setor cada vez mais exigente, marcado por desafios ambientais, transição energética, inovação tecnológica e necessidade de sustentabilidade financeira, a AGERE beneficia de uma liderança que alia conhecimento político, sensibilidade social e compromisso com o interesse público. A articulação entre empresa municipal, município e comunidade é fundamental, e essa ponte institucional tende a sair reforçada com esta nomeação.
O Município de Braga enfrenta desafios particulares, a construção da nova ETAR do Este, a remodelação da ETAR de Frossos para a produção de biometano, as alterações estatutárias da Braval e crítica situação do esgotar de espaço do aterro, as desafiantes necessidades de reforço de separação de resíduos, com especial incidência nos bioresíduos, e a necessidade de renovação de redes antigas e de reforço de limpeza urbana, são alguns dos fatores que relevam para a escolha deste nome.
A escolha de João Granja deve, por isso, ser encarada como um sinal de confiança na sua capacidade de contribuir para a consolidação da AGERE enquanto empresa moderna, eficiente e orientada para o futuro. Mais do que uma nomeação individual, trata-se de um reforço da governação estratégica de uma entidade essencial para Braga. A necessidade de reforço institucional entre o Município e a CIM do Cávado, da CCDR-N e do Governo, a par dos necessários financiamentos europeus do 2030, depositam em João Granja uma enorme responsabilidade.
Em última análise, o sucesso desta decisão será medido pela continuidade do bom desempenho da AGERE e pela sua capacidade de responder, com ambição e responsabilidade, aos desafios ambientais e sociais do presente e do futuro, um objetivo para o qual esta nomeação pode dar um contributo relevante e positivo.


