
Em Braga, é comum ouvir falar de transparência, nomeadamente de quem governa. É quase sempre uma das primeiras palavras num discurso, mas na prática continua a ser das últimas a chegar à vida dos cidadãos.
Quem já tentou acompanhar uma decisão da Câmara, perceber um projeto urbanístico ou simplesmente saber como estão a ser gastos os recursos públicos, sabe bem do que falo. A informação está lá… mas está escondida, dispersa, envolta em jargão técnico ou formatos pouco acessíveis. E quando há participação pública, muitas vezes já tudo está decidido — a consulta serve mais para cumprir calendário do que para ouvir verdadeiramente.
Hoje temos ferramentas que nos permitem abrir as instituições à comunidade de forma simples, rápida e eficaz. Então porque é que continuamos a tratar a gestão local como um assunto reservado a poucos? Porque se insiste num modelo fechado, em que o cidadão é um espectador e não um participante?
A transparência não devia ser um tema de campanha. Devia ser uma prática diária — feita de decisões claras, processos acessíveis e portas abertas. Não é só uma questão de modernidade. É uma questão de respeito.
Mais do que prometer que se ouve, é preciso mostrar que se escuta. E isso não se faz com slogans — faz-se com escolhas concretas. Porque governar com as pessoas é sempre mais exigente. Mas é também a única forma justa de o fazer.
Artigo de opinião de José Vitor Cerqueira.


