
Estatui o artigo 235.º do nosso diploma fundamental que a organização democrática do Estado compreende a existência de Autarquias Locais que são pessoas coletivas territoriais que visam a prossecução de interesses próprios das populações respetivas. Ou seja, são as Autarquias Locais que têm uma relação de maior proximidade com o território onde se inserem e com a população que servem.
É por isso que as principais palavras que tenha de dirigir aos autarcas da UF de Real, Dume e Semelhe, sejam gratidão e respeito, já que importa valorizar os cidadãos que tomaram a decisão de se dedicarem aos seus territórios e populações, sujeitos a um escrutínio permanente, prescindindo de uma vida tranquila, do conforto dos seus lares por acreditarem numa causa, por assumirem uma missão de serviço público abnegado em prol do desenvolvimento das suas terras e do progresso das suas gentes.
As últimas Eleições Autárquicas demonstraram uma grande participação cívica. E os seus resultados demonstram claramente que os eleitores de Real, Dume e Semelhe desejam um projeto coletivo, uma equipa diversificada, competente e preparada para trabalhar em conjunto.
O Partido Socialista foi o vencedor das eleições, mas venceu com minoria, cerca de 28% dos votos. Os restantes 72% foram distribuídos pelas restantes forças políticas. Podemos afirmar que 7 em cada 10 eleitores desejaram a mudança. A distribuição de mandatos na Assembleia de Freguesia é clara da vontade dos cidadãos: 4 mandatos para o PS, 3 mandatos para a Coligação Juntos por Braga, 2 mandatos para o Movimento Amar e Servir Braga, 2 mandatos para o Chega, 1 mandato para a Iniciativa Liberal e 1 mandato para a CDU. Resumindo o PS ficou apenas com 4 de 13 mandatos.
E agora? A todos se exige responsabilidade. Agora, mais do que nunca, é essencial lembrarmo-nos de quem somos, de onde vimos e onde queremos chegar.
As Freguesias de Real, Dume e Semelhe têm todas as condições para serem mais vibrantes, mais atrativas, mais cheias de vida. Mas para que isso aconteça, é necessário mais do que boas intenções. É preciso planeamento, visão estratégica, de políticas que pensem a longo prazo. É fundamental que se invista na cultura, nas tradições, no que as torna únicas. É preciso dar vida às Freguesias, apoiar o comércio local, incentivar a juventude e criar verdadeiros espaços de participação para quem vive nas mesmas. O papel da população não pode ser secundário, os seus habitantes têm de ser ouvidos, envolvidos, respeitados.
É preciso que que o PS entenda que não venceu com maioria e que tem de fazer entendimentos para que todos possam trabalhar diariamente para valorizar o papel de cada um e se comprometam na promoção do desenvolvimento dos territórios e na prossecução da qualidade de vida e bem-estar das nossas populações.
Importa assim citar sábias palavras de José Tolentino Mendonça, “A normalidade não é um conhecido lugar a que se volta, mas uma construção onde somos chamados a empenhar-nos. Teremos certamente, para lá chegar, de reaprender a conjugar transformação e preservação. Porque este momento, a para da criatividade, também nos pede uma capacidade de perseverar […]” [1]
A política, não pode ser vista como uma atividade que degrada quem a pratica, mas como um ato de cidadania, um exercício ético e intransigente de serviço à comunidade, é assim necessário estar à altura daquela que foi a vontade da população.
[1] Como amar um País – José Tolentino Mendonça (pp. 97-98)


