
A XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira está a decorrer até 30 de dezembro, em Vila Nova de Cerveira, com uma programação centrada no tema “Territórios sem Fronteira”, que propõe uma reflexão sobre as fronteiras nas suas dimensões geográfica, política, social, simbólica e cultural.
Sob direção artística de Mafalda Santos, a edição deste ano integra o Concurso Internacional, exposições de artistas convidados, projetos curatoriais, residências artísticas, conferências, oficinas e iniciativas de mediação cultural, envolvendo artistas, curadores, investigadores e comunidades ao longo de mais de cinco meses.
Um dos principais núcleos da programação é a exposição do XXIV Concurso Internacional, que reúne obras de 36 artistas de 14 nacionalidades. Segundo a organização, a mostra aborda questões como migração, identidade, pós-colonialismo, território e as relações entre o espaço físico e o virtual, através de linguagens como instalação, vídeo, pintura, fotografia, performance e têxtil.
A Bienal presta também homenagem ao artista Silvestre Pestana com a exposição “Luso Lunar”, com curadoria de Mafalda Santos e João Ribas. A mostra reúne trabalhos produzidos desde a década de 1970 até à atualidade e assinala o percurso do artista, presente em todas as edições da BIAC desde a criação do evento, em 1978.
Outro dos destaques é a exposição “¿De qué casa eres?”, com curadoria de Mafalda Santos e Manuel Santos Maia, que reúne artistas ligados a diferentes experiências de deslocação e diáspora, refletindo sobre migração, memória, identidade e pertença através de diversas práticas artísticas contemporâneas.
A programação estende-se ainda a vários espaços do concelho através de projetos curatoriais e polos externos. No Museu Bienal de Cerveira será apresentado o Pavilhão de Macau – “Error Island”, de Cai Guojie, enquanto a artista francesa ORLAN participará na Bienal, em outubro, com uma conferência e uma reinterpretação da performance “S’habiller de sa propre nudité”.
Entre as exposições resultantes de residências artísticas figuram “Vai-Vem”, patente na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Cerveira até 30 de agosto, reunindo trabalhos de Cláudia Varejão, Eric Fok e Mariana Maia Rocha, e “Ocre”, de Alexandre Delmar, na Galeria Bienal de Cerveira, inspirada na memória da exploração mineira da Serra d’Arga.
A programação inclui ainda o festival BIOGRAF’26, dedicado ao cruzamento entre cinema e arte contemporânea, que decorre entre 7 e 9 de agosto com exibições, conversas e momentos performativos, bem como um conjunto de residências artísticas desenvolvidas em parceria com entidades locais e distribuídas pelas 15 freguesias do concelho.
Ao longo da Bienal realizam-se também oficinas, ateliers, conferências e atividades de mediação cultural destinadas a diferentes públicos, reforçando a componente educativa e de participação da iniciativa.
Criada em 1978, a Bienal Internacional de Arte de Cerveira é considerada a mais antiga bienal de arte contemporânea em Portugal. A edição de 2026 pretende afirmar a arte como espaço de diálogo e reflexão sobre as transformações sociais e culturais num contexto marcado pela mobilidade e pela redefinição das fronteiras.


