
A última asfaltagem de parte da Avenida Antero de Quental, em S. Victor, resolveu o problema das crateras na estrada, mas deixou esquecida uma requalificação profunda. Entre passeios esburacados, falta de planeamento no estacionamento, a falta de um lugar próprio com espaço suficiente para o camião da AGERE/BRAVAL não ter de subir o passeio para chegar ao velho ecoponto (que acusa, e muito, a idade), carros abandonados e autênticas armadilhas para peões, toda a envolvente desta importante artéria de Braga continua a necessitar de ser olhada , com olhos de ver, como um todo.
Parte da Avenida Antero de Quental, em S. Victor, foi asfaltada, há ainda relativamente pouco tempo. A intervenção tocou-nos diretamente após anos de espera, nos quais fomos obrigados a conviver com crateras autênticas — um facto que denunciei várias vezes com fotografias. Contudo, apesar deste avanço, não houve uma adequada requalificação da avenida.
O esquecimento dos passeios e do estacionamento
Os passeios continuam esburacados na zona das calçadas à portuguesa, apresentando um pavimento diverso e cheios de desníveis ao longo da avenida. Também não foi dada a devida atenção aos lugares de estacionamento, que ficaram mais curtos, nem se criaram as necessárias zonas de carga e descarga.
Na maior parte da avenida, o estacionamento é feito em paralelo à esquerda e à direita. No entanto, e apesar dos alertas, continua a não ser permitido o estacionamento à esquerda entre o cruzamento do Café Viena e a loja Happy China, pelo menos no sentido Braga Retail Center para o Braga Parque. Na outra faixa de rodagem, que corre no sentido contrário neste mesmo pedaço, a via ficou afunilada logo na sua construção. Ali, apenas se permite a passagem de uma viatura com o estacionamento à direita em vigor, impossibilitando a criação de lugares à esquerda.
Caos rodoviário e fiscalização ausente
É urgente requalificar toda a envolvente desta avenida. Trata-se de uma artéria muito movimentada diariamente, principalmente nas horas de ponta, no mês de agosto e na época natalícia, devido à forte afluência às grandes superfícies comerciais existentes nas suas extremidades, bem como pela sua ligação à rotunda do Braga Parque, que remete para as saídas da cidade.
A Polícia de Segurança Pública (PSP de Braga) tem conhecimento dos estacionamentos irregulares, mas reencaminha a responsabilidade de atuação para a Polícia Municipal (PM), quando esta se encontra em horário de funcionamento. A Polícia Municipal, também está a par da situação, pelo que precisa de agir localmente.
É necessário verificar e rebocar os vários veículos indevidamente estacionados que dão um “ar de abandonados” na via pública, violando há muito o prazo de 30 dias que se considera no Código da Estrada para o estacionamento abusivo prolongado em zona reservada a estacionamento público.
Ao libertar estes espaços, criar-se-iam mais lugares legítimos. Evitar-se-ia, pelo menos, que cerca de 15 veículos estacionassem quotidianamente em cima dos passeios — inclusive junto às passadeiras — ou em segunda fila neste pedaço da avenida.
Para os comodistas, restaria andar 20, 30 ou 50 metros. Uma distância que não faz mal nenhum a quem não tem mobilidade reduzida; bem pelo contrário.
Gincanas e armadilhas para os peões
A segurança de quem anda a pé foi descurada. No passeio do lado direito, no sentido Braga Parque em direção ao Braga Retail Center (junto ao posto de distribuição de eletricidade), o espaço simplesmente desaparece. Os peões são obrigados a circular pela faixa de rodagem ou a fazer uma autêntica gincana para conseguir passar.
Por último, mas não menos importante: no jardim central da avenida, que faz a ligação com a Rua Luís Soares Barbosa, quem desce as escadas depara-se com um perigo grave. No final da escadaria existia uma grade em ferro com aberturas que cobria o buraco ali existente. A grade foi roubada e quem ali passa está sujeito a partir uma perna, ou pior, se não caminhar a olhar fixamente para o chão. Não existe outra alternativa legal de passagem, a não ser pela relva do jardim.
Agradece-se a recente colocação de três novos pinheirinhos neste jardim. No entanto, é preciso fazer algo mais por este espaço. No meio de uma zona densa de betão, os espaços verdes — que são cada vez mais raros — tornam-se bens públicos preciosos para a comunidade local e para o próprio ecossistema da cidade de Braga.


