
Viver sozinho exige mais de 33 mil euros por ano para comprar ou arrendar um T0 em Portugal

Uma pessoa que pretenda viver sozinha em Portugal necessita de auferir, em média, 33.680 euros líquidos por ano para comprar um apartamento T0 e 34.800 euros para o arrendar, segundo uma análise divulgada pelo idealista com base nos dados do primeiro trimestre de 2026.
No caso da compra, este rendimento permite suportar uma prestação mensal de cerca de 842 euros para financiar um T0 com um valor médio de 225 mil euros. Além disso, é necessário dispor previamente de aproximadamente 45 mil euros para a entrada inicial e restantes encargos associados à aquisição do imóvel.
Já no mercado de arrendamento, o rendimento anual necessário sobe para 34.800 euros, valor que permite suportar uma renda mensal de 870 euros sem ultrapassar a taxa de esforço de 30% geralmente recomendada pelos especialistas.
O estudo conclui que, em média, é atualmente necessário ganhar mais para arrendar um T0 do que para o comprar, refletindo a forte pressão que continua a existir sobre o mercado de arrendamento, especialmente nas tipologias mais pequenas.
Entre os distritos e regiões analisados, a Madeira apresenta os valores mais elevados para aquisição de um T0, exigindo um rendimento líquido anual de 49.400 euros, seguida por Lisboa (47.520 euros), Setúbal (34.440 euros), Porto (32.920 euros) e Aveiro (31.440 euros). No extremo oposto surgem Évora (11.440 euros), Guarda (14.480 euros) e Vila Real (15.720 euros).
No arrendamento, Lisboa lidera novamente a tabela, sendo necessário um rendimento líquido anual de 40 mil euros para arrendar um T0 sozinho. Seguem-se a Madeira (36.800 euros), Porto (34.960 euros), Faro (34 mil euros) e Setúbal (34 mil euros).
Ao nível das cidades, o Funchal destaca-se como a mais exigente para a compra de um T0, com um rendimento anual necessário de 53.880 euros, à frente de Lisboa (49.400 euros), Porto (34.800 euros), Aveiro (34.440 euros) e Faro (32.920 euros). Braga surge com uma exigência de 28.440 euros anuais.
Já no mercado de arrendamento, Lisboa volta a ocupar o primeiro lugar, exigindo 42 mil euros líquidos anuais, seguida pelo Funchal (36.800 euros), Setúbal (35.400 euros), Porto (35.200 euros), Faro (34 mil euros) e Braga (32 mil euros).
Citado pelo idealista, Ruben Marques considera que os dados evidenciam as dificuldades crescentes de acesso à habitação para quem vive sozinho. O responsável sublinha que o facto de o arrendamento exigir atualmente um rendimento superior ao da compra demonstra a pressão que continua a existir sobre a oferta de habitações de menor dimensão em Portugal.
Trabalhar até aos 66 anos e 11 meses: uma exigência injusta de quem nunca viveu a realidade da maioria dos portugueses

Portugal é um país estranho.
É um país onde um trabalhador que descontou durante quarenta ou cinquenta anos é constantemente informado de que tem de trabalhar mais tempo porque a Segurança Social não é sustentável.
Mas é também um país onde muitos dos que fazem essas afirmações nunca conheceram verdadeiramente a dureza do trabalho que exigem aos outros.
O discurso oficial repete-se há décadas:
– Vivemos mais anos.
– Há menos jovens.
– A Segurança Social está sob pressão.
– É preciso trabalhar mais tempo.
– É preciso adiar a reforma.
– É preciso aceitar sacrifícios.
Sempre sacrifícios.
Mas curiosamente os sacrifícios recaem quase sempre sobre os mesmos, sobre os trabalhadores.
Sobre aqueles que se levantam às cinco ou seis da manhã, que passam décadas em fábricas, hospitais, escolas, obras, transportes, escritórios, balcões de atendimento, explorações agrícolas e pequenas empresas, aqueles que carregam verdadeiramente o país às costas.
Quando chega o momento da reforma, depois de uma vida inteira de descontos, descobrem que não só têm de esperar quase até aos 67 anos, como ainda veem as suas pensões limitadas, reduzidas ou penalizadas por múltiplos mecanismos legais.
O trabalhador comum desconta toda a vida e recebe uma pensão calculada ao cêntimo.
Cada falta, cada período de desemprego, cada salário mais baixo, cada interrupção de carreira.
Tudo conta para reduzir aquilo que irá receber.
Enquanto isso, os cidadãos assistem, há décadas, a uma realidade difícil de compreender.
Políticos, governantes e titulares de altos cargos públicos beneficiaram durante muitos anos de regimes especiais, subvenções vitalícias, acumulações de pensões e condições de acesso muito mais favoráveis do que aquelas que eram impostas ao cidadão comum.
Mesmo quando muitas dessas situações foram posteriormente alteradas ou limitadas, a perceção de injustiça permaneceu.
E permanece porque o princípio continua a parecer profundamente desigual.
Ao trabalhador exige-se cada vez mais, ao poder exige-se cada vez menos.
O cidadão comum é informado de que o sistema não tem dinheiro.
Mas encontra sempre dinheiro para estruturas políticas gigantescas, para assessorias, para institutos, observatórios, fundações,empresas públicas deficitárias, cargos de nomeação política, consultadorias, indemnizações milionárias. Para erros de gestão sucessivos pagos pelos contribuintes.
Quando se trata de garantir uma reforma digna a quem trabalhou uma vida inteira, o discurso é sempre o mesmo: – não há recursos.
Quando se trata de sustentar a máquina política, os recursos aparecem quase sempre.
É impossível ignorar esta contradição.
Um homem ou uma mulher que começam a trabalhar aos 20 anos terão, aos 60, quatro décadas de descontos, quarenta anos:
– Quarenta anos de riqueza produzida.
– Quarenta anos de impostos pagos.
– Quarenta anos a financiar o Estado Social.
– Quarenta anos a cumprir a sua parte do contrato social.
E ainda assim ouvem que não fizeram o suficiente, que devem continuar, mais um ano, mais dois, mais cinco, mais sete.
Até aos 66 anos e 11 meses, como se a vida fosse infinita, como se a saúde fosse garantida, como se o tempo pudesse ser recuperado.
Mas a verdade é simples, não pode, os anos que passam não regressam, as viagens adiadas não regressam, os momentos perdidos com os filhos e os netos, os sonhos constantemente adiados não regressam.
A grande falácia deste debate está na utilização da esperança média de vida como argumento político.
Os governantes dizem-nos que vivemos mais, mas esquecem-se de dizer que viver mais não significa viver melhor.
Muitos portugueses chegam à reforma já com doenças cardiovasculares, diabetes, problemas osteoarticulares, ansiedade, depressão, burnout e múltiplas limitações físicas.
Chegam vivos, mas não chegam necessariamente livres, nem chegam necessariamente capazes de aproveitar a vida.
A verdadeira questão não é quantos anos vive um cidadão?quantos anos vive com qualidade?
Uma sociedade civilizada não deve medir o seu sucesso pela quantidade de anos que consegue manter os seus cidadãos a trabalhar, deve sim medi-lo pela quantidade de anos que lhes permite viver com dignidade.
A reforma aos 60 anos deveria ser um direito universal.
Não porque as pessoas deixem de ser úteis, mas porque finalmente conquistaram o direito de escolher, escolher descansar, viajar, estar com a família, dedicar-se a projetos pessoais, e porque não escolher viver.
O Estado não pode continuar a olhar para os cidadãos apenas como contribuintes, as pessoas não são números, não são estatísticas, gráficos, são seres humanos.
E um ser humano não nasceu para passar toda a sua existência a trabalhar.
Nasceu para construir uma vida.
O mais irónico é que muitos dos decisores que defendem reformas cada vez mais tardias possuem condições financeiras que lhes permitem viver confortavelmente muito antes da idade legal da reforma.
Podem reduzir atividade, aceitar cargos menos exigentes, beneficiar de património acumulado, desfrutar de uma liberdade que está vedada à maioria dos portugueses. Por isso, quando defendem que um trabalhador deve continuar a laborar até quase aos 67 anos, falam frequentemente de uma realidade que não conhecem e de um sacrifício que não lhes será exigido da mesma forma.
Talvez tenha chegado o momento de inverter a lógica, de colocar a dignidade humana acima dos cálculos financeiros, de reconhecer que uma vida inteira de trabalho é suficiente.
Porque um país verdadeiramente justo não é aquele que consegue extrair mais anos de trabalho aos seus cidadãos, é aquele que lhes devolve tempo, tempo para viver
E nenhuma sociedade pode considerar-se verdadeiramente desenvolvida enquanto continua a exigir aos seus trabalhadores aquilo que muitos dos seus governantes jamais aceitariam exigir a si próprios.
Guimarães destaca certificação do Caminho de Torres como reforço da sua projeção turística

O Município de Guimarães congratulou-se com a certificação, pelo Governo, do Caminho Português de Santiago – Caminho de Torres, na Região Norte, considerando que este reconhecimento reforça a valorização histórica, cultural, espiritual e turística do concelho.
A autarquia destaca que a passagem deste itinerário jacobeu por Guimarães consolida o papel da cidade no contexto das grandes rotas culturais e religiosas europeias, contribuindo para afirmar o território como um destino de referência para o turismo cultural, religioso e patrimonial.
O reconhecimento assume especial relevância numa cidade cujo Centro Histórico e Zona de Couros estão classificados como Património Mundial da UNESCO, distinção que sublinha a importância da preservação da memória, da arquitetura e da identidade local.
Entre os pontos mais emblemáticos do percurso em território vimaranense destaca-se a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, localizada no coração do Centro Histórico. Classificada como Monumento Nacional, a igreja constitui um dos mais importantes símbolos da história religiosa e patrimonial da cidade, assumindo-se como uma das principais referências para os peregrinos que percorrem o Caminho de Torres.
Para o Município, a certificação representa uma oportunidade para reforçar a projeção de Guimarães enquanto cidade de património, espiritualidade e hospitalidade, promovendo uma experiência turística mais qualificada e próxima da comunidade local.
Repavimentação da Avenida António Macedo estende-se até ao Braga Parque

Os trabalhos de repavimentação da EN14 / Avenida António Macedo, em Braga, vão ser prolongados por cerca de um quilómetro, passando a abranger o troço até ao viaduto do Braga Parque. A intervenção é promovida pela Infraestruturas de Portugal e surge após a conclusão antecipada das quatro fases inicialmente previstas.
A nova etapa da obra arranca hoje, 17 de junho, e será executada exclusivamente durante a noite, entre as 21:00 e as 07:00, minimizando o impacto na circulação diária.
Os trabalhos serão desenvolvidos em três fases. Na primeira, ficará condicionado o acesso ao Hospital de Braga para os veículos provenientes de poente, que deverão utilizar a Rotunda das Piscinas para inverter o sentido de marcha. A segunda fase prevê circulação condicionada entre o Nó de Infias e a saída do hospital, mantendo-se o acesso à unidade de saúde. Já na terceira fase será interdito o viaduto da Avenida Padre Júlio Fragata no sentido sul-norte, bem como parte da ligação entre o Nó do Hospital e o Nó de Infias.
A Infraestruturas de Portugal informa ainda que não haverá condicionamentos na noite de 23 para 24 de junho, devido às festividades de São João.
A intervenção visa melhorar as condições de circulação e segurança numa das principais vias de acesso à cidade de Braga.
Milhares de luzes iluminam Braga para dar início às Festas de São João

Braga prepara-se para entrar oficialmente no espírito das Festas de São João com o tradicional acender das iluminações festivas, que acontece esta quarta-feira à noite, num dos momentos mais aguardados do programa sanjoanino.
A Praça da República, popularmente conhecida como Arcada, volta a receber o evento “Faça-se Luz”, que assinala o início das festividades através do acender das milhares de luzes que vão ornamentar ruas, praças e avenidas da cidade até ao dia 24 de junho.
A cerimónia está marcada para as 22:00 e contará com a atuação da Banda Musical de Cabreiros, que acompanhará musicalmente este momento simbólico que todos os anos reúne centenas de pessoas no centro da cidade.
“Este momento assinala o início das Festas de São João de Braga através do acender das luzes das ornamentações que dão cor às ruas da cidade, acompanhado pela atuação da Banda Musical de Cabreiros”, refere a Associação de Festas de São João de Braga.
Além do espetáculo de luz e cor no centro histórico, a programação desta quarta-feira inclui também o concerto dos Amigos de Sobreposta, agendado para as 22:00 no Parque da Ponte, um dos principais palcos das festividades.
As Festas de São João de Braga prolongam-se até 24 de junho com um vasto programa cultural, religioso e recreativo, atraindo anualmente milhares de visitantes à cidade.
Terras de Bouro: Escola Concelhia de Música encerra ano letivo com concerto

Os alunos do polo de Terras de Bouro da Escola Concelhia de Música vão subir ao palco do Auditório Municipal na próxima sexta-feira, 19 de junho, para o concerto de encerramento do ano letivo.
Promovida pelo Município de Terras de Bouro, a iniciativa pretende celebrar o trabalho desenvolvido ao longo do ano pelos jovens músicos, proporcionando à comunidade um momento de partilha cultural e valorização do talento local.
O espetáculo tem início marcado para as 21:30 e contará com atuações dos alunos das diferentes áreas de formação musical, sob a orientação do professor Luís Pinho.
Com entrada livre, o concerto constitui uma oportunidade para a população acompanhar a evolução artística dos jovens participantes e apoiar o seu percurso musical, num evento que promete uma noite repleta de música e emoção.
O Município convida toda a comunidade a marcar presença e a participar nesta celebração da cultura e da educação artística no concelho.
Braga: ACFAB promove sessão online sobre o papel dos cuidadores no autismo















