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O Verão mais frio do resto das nossas vidas

© PAN

Depois das vagas de calor que correram a Ásia e grande parte da Europa no mês de junho, batendo os recordes de temperatura registados, Portugal atravessa agora os dias mais quentes do ano.

Esta é também a segunda vaga de calor de 2022, num país que está em situação de seca desde janeiro. A expectativa é que em Portugal se batam os máximos de temperatura alguma vez registados na Europa, podendo estas chegar aos 48ºC. Mas isto apenas é uma surpresa para os mais desatentos.

Na comunidade científica já se sabe que Portugal será um dos países da Europa que mais sofrerá com as alterações climáticas. Segundo as projeções, no caminho atual, as ondas de calor mais graves que ocorriam 1 vez a cada 10 anos, poderão acontecer 4 vezes. Valores semelhantes são esperados para secas extremas e tempestades.

A expectativa é que nas próximas décadas o clima continue a mudar, seja cada vez mais instável, com impactos nefastos na nossa qualidade de vida e na biodiversidade. As perdas de produtividade, aumento de doenças e mortes, danos causados por cheias, ventos e incêndios vão garantir que não existe economia que nos valha, se o planeta não estiver bem.

Vivemos num estado de emergência climática, mas apesar disto, o governo e autarquias continuam a ignorar a realidade e a remeter as políticas climáticas para o fim das suas prioridades. Nas eleições legislativas de janeiro, este foi um assunto completamente esquecido pela maioria dos partidos e na comunicação social, apesar do esforço de partidos como o PAN que mesmo assim assumiu o combate às alterações como a sua maior prioridade política.

Portugal precisa de medidas sérias para a redução das emissões de gases com efeitos de estufa que passam pela transição energética, alimentar, na mobilidade, na forma de produção e consumo e ainda no planeamento de território. Todos estes fatores são essenciais para nossa sobrevivência, no entanto, não nos podemos esquecer da enorme fragilidade que temos na mitigação e adaptação às alterações climáticas.

Neste ponto, ainda pouco ou nada fizemos. Ainda não começamos a adaptar o desenho das nossas cidades para o risco de cheias ou para mitigar as ondas de calor. Ainda não começamos a ordenar o nossa floresta, continuando Portugal a liderar o ranking mundial de eucaliptos em relação à área do país. Ainda não começamos a preparar a nossa agricultura para uma gestão mais eficiente da água ou para resistir à instabilidade do clima. Ainda não começamos a preparar de forma séria as nossas casas, erradicando a pobreza energética. Ainda não começamos a pensar em formas de proteger as pessoas que trabalham debaixo de tempestades ou temperaturas desumanas acima dos 40ºC. Ainda não desenhamos planos de proteção da biodiversidade animal durante eventos extremos.

No que toca à política climática, este “ainda não” arrasta-se há décadas, com o Planeta a dar sinais cada vez mais graves, a cada ano, de que é preciso agir, já! Este pode ser o Verão mais quente de sempre, mas ao mesmo tempo, pode ser o mais frio do resto das nossas vidas.

Artigo de opinião de Rafael Pinto do PAN.

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