Moradores das Enguardas revoltados com fumo e cheiro do crematório de Braga
Sábado , Setembro 19 2020 Periodicidade Diária nº 2579
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Moradores das Enguardas revoltados com fumo e cheiro do crematório de Braga

Foto: Braga TV

Vários moradores do Bairro Social das Enguardas, na freguesia de São Victor, denunciaram o cheiro intenso vindo do Tanatório de Braga, localizado no Cemitério Municipal de Monte d’Arcos. Indignados com a instalação do crematório nesta zona habitacional, os habitantes apelam para que este seja retirado do local por questão de saúde pública.

De acordo com os moradores, o cheiro e o fumo entram dentro das habitações e torna o ar irrespirável e nauseabundo para quem lá vive.

Júlio Teixeira, morador no bairro e ex-presidente da Associação de Moradores das Enguardas, explicou que é doente oncológico e que o cheiro e as partículas largadas pela chaminé do crematório têm agravado a sua saúde. “Tenho 77 anos, sou doente oncológico e já fiz várias operações, uma delas à garganta. O meu próprio médico de família alertou-me que o cheiro e as partículas vindas da chaminé do tanatório só agravam a minha saúde. Eu não aguento o cheiro nauseabundo. Nem os meus netos conseguem jantar na minha casa porque não aguentam com o cheiro quando está em funcionamento”, disse o morador.

Crematório em funcionamento

Outro habitante denunciou a localização do tanatório, que tem afetado a população com o cheiro incomodativo, questionando, ainda, sobre os produtos utilizados na descomposição dos corpos. “O crematório é uma utilidade que faz falta nos tempos correntes, mas a sua concessão, no local onde foi implementado, está completamente errada. Além do cheiro, quando olho para os raios solares, consigo ver milhares de partículas no ar. Quando os ventos estão contrários nesta direção, dá a impressão que está todo o mundo ali a fazer churrasco. O cheiro a carne queimada parece ser de um gato queimado no microondas. São cheiros incomodativos e não sabemos que produtos são utilizados quando estão a cremar os cadáveres”, frisou João Gonçalves.

Por seu turno, Maria do Sameiro Guimarães falou que não aguenta com o cheiro de pessoas queimadas e teme pela sua saúde e do seu marido. “Sou moradora no Bloco B. Eu e o meu marido somos doentes e já não aguentamos com o cheiro dentro da nossa própria casa. Quando queimam cadáveres, tenho que retirar a roupa que está a secar lá fora e fechar as janelas, mas mesmo assim o cheiro a pessoas queimadas entra-nos pela casa dentro”, reclamou.

Bairro Social das Enguardas

Também Maria José Vieira queixou-se que, além dos cheiros causarem-lhe vómitos, sente-se preocupada com o bem-estar e saúde dos seus netos. “Moro aqui no Bloco A e quando o vento está de feição, entra-nos o fumo pela casa dentro e causa-nos vómitos. Tomo conta dos meus netos e não consigo abrir uma janela. Preocupa-me, pois trata-se de um problema de saúde pública”, alertou a moradora.

Contactado pela Braga TV, Ricardo Silva, presidente da Junta de Freguesia de São Victor, informou que está a aguardar os resultados do Estudo do Impacto Ambiental por parte da Câmara Municipal de Braga, uma vez que o espaço é da sua tutela. “A nossa preocupação é o bem-estar da nossa população, pelo que aguardamos que a Câmara Municipal apresente os resultados do Estudo de Impacto Ambiental para podermos encetar as medidas necessárias que promovam a devolução da qualidade de vida aos moradores lesados”, esclareceu o autarca.

A Câmara Municipal de Braga, por seu lado, garantiu que estão asseguradas as questões de salubridade e segurança em termos de saúde pública. Olga Pereira, vereadora da Câmara Municipal de Braga e responsável pelo tanatório, salientou que vai pedir um Estudo do Impacto Ambiental para esclarecimento aos moradores.

Foi esclarecido que o crematório é vistoriado por uma equipa de uma empresa inglesa e que devido à pandemia da Covid-19, os técnicos não puderam deslocar-se mais cedo para efetuar os trabalhos. A vereadora deixou a promessa que vai estar atenta ao assunto que tem deixado os moradores daquela zona preocupados e alarmados.

O morador Júlio Teixeira garantiu que não vai baixar os braços, tendo já juntado 200 assinaturas para enviar à Delegação de Saúde para denunciar o crematório da Câmara Municipal de Braga.

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