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Levantamento das restrições: um teste à eficácia da vacina para a Covid-19

Laura Brum

A Inglaterra levantou a maioria das restrições aplicadas devido à pandemia da Covid-19, apesar do número de casos continuar a aumentar. As máscaras deixaram de ser obrigatórias por lei, mas são recomendadas em alguns locais; o distanciamento social de um metro deixa de ser obrigatório; acabou o limite ao número de pessoas que se podem juntar, apesar de ser recomendado que o façam em espaços exteriores; as discotecas reabriram; os cinemas e os teatros já podem esgotar a sua lotação (muitos destes espaço exigindo o certificado de vacinação); quem está em teletrabalho deve começar a regressar gradualmente ao seu posto; e quem está vacinado deixa de ter a obrigatoriedade de cumprir a quarentena de 10 dias, quando regressa de um país da lista amarela.

O que se está a passar agora em Inglaterra é o maior teste que pode ser feito no que respeita à eficácia da vacina para a Covid-19. Inglaterra está a arriscar, sim. Mas está a fazer um exercício que, efetivamente, é necessário ser feito. A população está vacinada e é chegado o momento de dar início à abertura para se viver com alguma normalidade. Inglaterra está numa fase crescente da quarta vaga da pandemia, os números estão a aumentar. Porém, está a ter a coragem de abrir. E é esta ideia de retorno à normalidade que todos devemos interiorizar. É algo que temos de fazer. É preciso voltar a conquistar o nosso quotidiano, com a segurança que a vacina nos vem dar.

Uma verdade absoluta: o combate à epidemia faz-se com a vacinação e está comprovado que a vacina é eficaz. O número de casos está a aumentar, mas essa subida não está a ser acompanhada por um aumento exponencial de hospitalizações, internamento em Unidades de Cuidados Intensivos, nem de mortes. Portanto, temos, agora, de ganhar confiança e transmiti-la à população, ajudando-a a perder o medo, e promover o retorno à sua vida normal. Olhando para Inglaterra como um exemplo a ser estudado, dado que esta medida foi muito pensada pelo Governo Inglês. Portugal e outros países da Europa devem acompanhar os resultados desta medida com muita atenção.

A abertura agora adotada pela Inglaterra leva a que se fale, também muito, do risco de contágio para os outros países. Portugal é um caso muito típico daquilo que foi a importação de casos de Inglaterra. Estes casos não foram a origem de todos as importações da variante delta do SARS-CoV-2 que se observaram no nosso país, obviamente, até porque já tínhamos registo de casos importados nos mês anterior.  Mas, claro que, a entrada turística dos ingleses aumentou a progressão da pandemia em Portugal.  Não considero que este levantamento das restrições em Inglaterra venha alterar o curso da pandemia na Europa. Claro que vai progredir e que vai levar a mais importações em outros países. Mas não nos tornemos reféns dessa situação.  Adiar mais a nossa vida, e uma série de atividades, vai ter uma grande repercussão, tanto a nível de saúde, como social, económico, entre outros.

Sei que as novas mutações são uma preocupação, falando-se, atualmente, muito da variante Delta com grande capacidade de transmissão. Em Inglaterra, tal como em Portugal, a variante Delta já é a estirpe dominante e, como tal, não haverá grande diferença no que à questão da abertura diz respeito.  Em Microbiologia já é sabido que, quando se desenvolve uma vacina para um agente, é normal que, passado algum tempo, surjam variantes desse vírus. Acontece com a vacina da gripe e com muitas outras.

É algo que vai acontecer com a vacina para o novo coronavírus. Não se sabe quando, se é já no próximo mês, se é dentro de seis meses ou um ano. Mas é normal que aconteça e, também, não será esse o motivo de condicionamento da nossa atuação. Não podemos ter medo desta situação e, assim, condicionar a abertura que todos pretendemos e a que todos queremos chegar.

Desde o início da pandemia que sabemos da existência de pessoas assintomáticas com Covid-19. Na ausência de outras medidas para contenção da progressão do coronavírus, as pessoas assintomáticas foram sujeitas às mesmas medidas que os que consideramos como doentes. Neste momento, estamos a detetar muito mais casos de infeção assintomática, que não progridem para doença. Com a vacinação atual, e consequente menor risco de progressão para uma situação de doença, é importante salientar esta característica da COVID-19: a existência de um importante número de pessoas Covid positivas e assintomáticas, principalmente jovens, que vão desenvolvendo a sua imunidade por exposição ao vírus e que não são necessariamente doentes.

Artigo de opinião de Laura Brum, virologista dos Laboratórios SYNLAB.

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