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João Rodrigues: “Queremos apostar na mobilidade, habitação e qualidade de vida das pessoas”

Entrevista ao candidato da coligação Juntos por Braga à presidência da Câmara Municipal.

© Angélica Antunes

O concelho de Braga prepara-se para ir a eleições e eleger o seu terceiro presidente em democracia. João Rodrigues é o candidato da coligação Juntos por Braga (PSD, CDS e PPM) à Câmara Municipal. Tem 37 anos, é licenciado em Direito e mestre em Direito dos Negócios e da Empresa. Advogado de profissão, é vereador na Autarquia bracarense desde 2017, assumindo atualmente o pelouro do Urbanismo.

O que motivou a sua candidatura à Câmara Municipal de Braga?

Motivou-me a experiência, a vontade pessoal e o saber de ter um projeto para a cidade que nós temos. Um projeto que começou há 12 anos, um projeto que levou esta cidade a crescer como não crescia há muitos anos, a ter um dinamismo e uma posição mesmo no panorama nacional, ibérico e até na Europa que não tinha, mas também com a noção de que há questões a resolver e estou preparado para as resolver. Temos um projeto, temos um histórico e é essa a principal razão.

Que balanço faz destes 12 anos da coligação Juntos por Braga à frente da Câmara Municipal?

É bastante positivo. Basta olhar para a Braga de 2013 e para a Braga de hoje. Embora haja quem nos queira convencer de que Braga está pior do que estava, isso é absolutamente refutável. Nós éramos uma cidade em 2013 que perdia pessoas todos os dias, que tinha deixado de ser a cidade mais jovem do país, que batia recordes de insolvências. Uma grande discussão na altura era que escolas é que havíamos de fechar, que é que havíamos de fazer aos alunos da Universidade de Minho que terminavam os seus cursos e a sua formação e tinham que mudar de cidade porque não encontravam cá empregos condizentes.

Tínhamos uma Câmara Municipal, enquanto instituição, que era uma Câmara muito mais fechada, quer na relação com a população em geral, quer na relação com outras entidades. Basta perguntar, por exemplo, às universidades qual era a relação que existia e a que existe. Hoje, felizmente, temos uma cidade que é o oposto disso. Temos uma cidade dinâmica, temos a cidade que mais cresceu nos últimos anos, temos uma cidade que era a 16.ª ou a 17.ª mais exportadora do país e passou a ser a 3.ª. Hoje, a discussão não é como é que fixamos os estudantes da Universidade de Minho, é como conseguimos fixar aqueles que ficam e que querem vir de fora porque há oferta de emprego e emprego mais qualificado.

Nós nos últimos 10 anos, tivemos mais de 30 mil postos de trabalho em Braga, emprego mais qualificado, que dá mais rendimento às famílias e, portanto, as pessoas podem viver melhor em Braga. Agora, isso não significa que seja tudo bem feito ou que não haja mais nada a fazer. Aliás, se eu achasse que não havia mais nada a fazer, não era candidato à Câmara. Há coisas novas a fazer. Temos que olhar para a qualidade de vida das pessoas, não nos bastam os números, não nos basta estar em primeiro lugar nos tops e nos rankings. É muito importante que consigamos que esses sucessos se materializem em qualidade de vida para as pessoas.

Na sua ótica, quais as principais necessidades do concelho? Quais são os principais problemas que Braga enfrenta atualmente e como os pretende resolver?

Na minha opinião, há três grandes áreas onde devemos investir: a questão da mobilidade e, para mim, a maior prioridade de todas. Se me pedissem uma só, era a construção da circular rodoviário externa de Braga, que é um projeto que já está em projeto na Câmara Municipal, um projeto que eu próprio, graças à experiência, enquanto liderei. Eu sei onde é que ela começa, para onde é que ela passa e onde é que ela termina.

A questão da habitação e, aí, a minha própria experiência, também julgo que, falo por mim, porque nós somos a Câmara Municipal do país que vai ter mais capacidade construtiva. Dentro de um ou dois meses, vamos passar a ter mais de 30% da área que tínhamos até agora e nós precisamos de oferta para responder à procura. Isto é muito simples. Não é preciso entrar com grandes devaneios se a oferta é pública ou se é privada. É preciso mais oferta e nós, sobre isso, julgo que estamos conversados também.

Depois, é preciso qualificar a cidade, com espaços verdes, com equipamentos, dar respostas ao nível das creches, dar respostas ao nível dos centros de dia e, olhar para aquilo que é Braga hoje, e ter uma resposta adequada àquelas que são as necessidades das pessoas. Repito: trânsito, habitação e qualidade de vida.

Caso for eleito, o que pretende mudar no concelho nos próximos quatro anos?

Pretendo fazer muita coisa e fazer desta a melhor cidade do país para se viver. Era aquilo que eu dizia, era capitalizar as boas coisas que temos feito, melhorar muito do que temos feito e fazer coisas novas, porque não tem só que se melhorar aquilo que está bem, nem manter aquilo que está bem. Temos que fazer coisas novas. O Parque da Cidade é algo que nós já decidimos que vai ter que acontecer e que já está definido, ou seja, já resolvemos para que isso aconteça.

O Parque da Rodovia é um excelente exemplo do que se fez nos últimos 12 anos e é algo que é facilmente replicável noutras zonas da cidade e queremos fazer também. Mas depois, olhar para o pormenor, olhar para os passeios, olhar para a iluminação, olhar para as funções de segurança, olhar para os espaços verdes, para os jardins e, repito, fazer desta uma cidade melhor.

Quais as propostas do seu partido para os mais jovens?

Para começar, uma cidade que quer ter jovens e nós, felizmente, como disse no início, voltamos a ser a cidade mais jovem de Portugal e não é por acaso. Hoje há condições para os jovens cá ficarem, há empregos qualificados e continuamos a ser a segunda capital distrital onde a taxa de esforço para se ter acesso à habitação é menor. Entre aquilo que as pessoas ganham e aquilo que as pessoas pagam, só em Viseu é que é mais barato, mas não vamos comparar Viseu a Braga.

Eu acho que Braga tem hoje um conjunto de oportunidades que devemos potenciar, mas repito, para mim o maior problema dos jovens neste momento é a capacidade de se emanciparem, de saírem de casa dos pais, de poderem ter uma vida própria, independente, e isso só se consegue logo desde o início tendo habitação e tendo habitação a custos acessíveis e que os jovens possam suportar. E por isso é que eu digo: mobilidade, habitação e qualidade de vida.

E para os seniores? Existem propostas?

Hoje em Braga uma pessoa com mais de 65 anos já tem transporte público gratuito e tem medicamentos grátis. O Balcão Único vai à casa das pessoas, temos a Academia Sénior, temos um grande número de programas na área da saúde, na área da ocupação de tempos livres, na área da formação, na área do apoio da saúde de refúgio, nós temos tratamentos, perdoem-me pela expressão, mas temos programas da ponta dos pés à ponta da cabeça.

Há muitas mais coisas que podemos fazer e nós temos noção de que temos mais crianças mas também temos pessoas mais velhas e que o envelhecimento pode ser feito de diversas formas com o envelhecimento ativo, com qualidade e onde a cidade seja amiga das pessoas mais velhas.

Nas várias medidas que nós temos no nosso programa eleitoral que vai ser apresentado agora são os centros de saúde de proximidade. Nós temos capacidade de estabelecer uma rede de centros de saúde de proximidade que faz com que, por exemplo, as pessoas não tenham tanta necessidade de fazerem grandes deslocações para terem uma consulta ou para terem um atestado.

Há muitos serviços no próprio Balcão Único da Câmara Municipal e há muita gente que não tem noção disto. A Câmara vai à casa das pessoas e o trabalho da Câmara também passa por aí, por comunicar melhor. Não significa necessariamente comunicar muito, é comunicar melhor.

Que mensagem quer deixar aos eleitores do concelho de Braga?

Eu acho que é muito fácil perceber que no dia 13, das duas uma, ou eu ou António Braga, um de nós vai-se apresentar à Câmara Municipal. Ou a coligação Juntos por Braga ou o Partido Socialista. Um de nós vai ganhar as eleições e não vale a pena ter ilusões. Qualquer voto que não seja em mim, e mesmo que não seja em António Braga, são votos que favorecem naturalmente António Braga e isso está nos livros, está na Ciência Política, está explicado.

Eu acho que aquilo que os bracarenses têm que perceber é se querem uma cidade como a que tínhamos em 2013, com tudo aquilo que eu disse anteriormente, ou se querem que a cidade continue nesta senda de desenvolvimento que tem sofrido nos últimos anos, que se iniciou com Ricardo Rio em 2013, e que agora nós queremos melhorar, queremos qualificar.

Para isso, eu estou preparado e sei o que quero fazer para isso. Tenho uma equipa preparada e há um pormenor muito interessante que eu julgo que também é importante as pessoas perceberem. Mais de 90% dos nossos candidatos, nós temos mais de 800 em todo o concelho. São pessoas independentes, sem qualquer filiação partidária e estão aqui, foram escolhidas e foram convidadas pelas suas competências.

Não há problema nenhum em serem militantes de partidos, mas este projeto é um projeto aberto, é um projeto que se caracteriza por ser um projeto aberto há mais de 20 anos e que nos levou até aqui. Eu acho muito sinceramente se os bracarenses pararem para pensar e para perceber a cidade que tínhamos e a que temos, e, sobretudo, se olharem para o nosso programa para a cidade que queremos ter, a opção certa e a única opção que têm neste momento é a nossa candidatura.

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