AutárquicasEntrevistaAntónio Braga: “Pretendemos criar uma rede pública de habitação para arrendamento acessível”

António Braga: “Pretendemos criar uma rede pública de habitação para arrendamento acessível”

Entrevista ao candidato da coligação "Somos Braga" à presidência da Câmara Municipal.

© Angélica Antunes

O concelho de Braga prepara-se para ir a eleições e eleger o seu terceiro presidente em democracia. António Braga é o líder da coligação Somos Braga, que junta pela primeira vez o Partido Socialista e o PAN à Câmara Municipal. O candidato tem 72 anos e foi presidente da Assembleia Municipal de Braga, vereador da Cultura no Município e secretário de Estado das Comunidades.

O que motivou a sua candidatura à Câmara Municipal de Braga?

Eu creio que esta eleição é um momento de viragem e é uma oportunidade que eu entendo dever oferecer à minha cidade que me viu nascer, onde eu vivo, onde habito, assim como toda a experiência que entretanto adquiri no desempenho de funções governativas. Acredito que com essa minha experiência, com o conhecimento adquirido, eu posso garantir à cidade experiência, credibilidade e, sobretudo, confiança na capacidade de desenvolver um plano, uma agenda para a década que temos desenhada.

Que balanço faz destes 12 anos da coligação Juntos por Braga à frente da Câmara Municipal?

É um balanço muito fraco, isto é, há um vazio ao fim de 12 anos com cerca de dois mil milhões de euros à disposição para o orçamento do Município.

Nós verificámos que não há uma infraestrutura de referência, aquilo a que se possa considerar uma âncora criada no concelho e há várias faltas desse tipo de infraestruturas. Só para sublinhar, a 2.ª Circular, que está desenhada há muitos anos e que foi prometida em 2013, nunca saiu, nem sequer chegou ao papel, embora tenha ficado uma área de reserva para a passagem dessa circular.

Há outros elementos importantes que também não foram considerados, justamente no domínio da economia. Nós olhamos para a nossa economia e percebemos que os parques industriais estão todos lotados e não houve uma iniciativa para oferecer às nossas empresas com capacidade de crescimento, o que significa que hoje em dia há empresas que nasceram em Braga, se desenvolveram em Braga, mas têm que procurar outros concelhos para desenvolver os seus projetos empresariais, e isso é uma perda importante de emprego e também de empresas que nasceram em Braga.

Por outro lado, se olharmos para a área social, percebemos que a habitação hoje em dia é um problema seríssimo em Braga. Nós temos uma falta gritante de habitação e a pouca que há é a preços praticamente inacessíveis, sobretudo para as jovens famílias. Se olharmos também para essa área, habitação e habitat, a zona do habitat tem a ver com a capacidade de podermos acolher as nossas crianças em creches e berçários. Há uma falta gritante, aliás, a Fundação José Manuel dos Santos tem um estudo que identifica 3500 vagas em falta, portanto, essas respostas nunca foram criadas.

Braga é a sede de um grande distrito pujante. Teve âncoras que hoje, aliás, são as modas de atração de população e de investimento para Braga. Já agora, se me permite, todas elas foram criadas pelos socialistas, desde o Parque de Exposições, que agora foi rebatizado em Forum, já teve vários outros nomes no caminho, até outras infraestruturas como a própria consolidação da Universidade do Minho, do Instituto Politécnico de Cávado e do Ave, da própria Escola Profissional de Mazagão, do Laboratório de Nanotecnologia, enfim, um conjunto de infraestruturas que são âncoras, que representam o que de melhor Braga pode oferecer ao território da região. Daí, nós sermos favoráveis também à criação da tal área metropolitana do Minho. Estes são exemplos daquilo que não foi feito em 12 anos e que nós denunciámos com veemência, porque de repente agora parece que se propõem a fazer tudo aquilo que em 12 anos não foram capazes, nem sequer de sair do papel.

Na sua ótica, quais as principais necessidades do concelho? Quais são os principais problemas que Braga enfrenta atualmente e como os pretende resolver?

É justamente este diagnóstico que eu estava a fazer, é pela ausência de ação da atual maioria. Hoje temos problemas por falta de planeamento sobre o papel de Braga no distrito, pela atratividade que Braga tem e com as âncoras que há pouco referia da Universidade do Minho e outras.

Há muitas pessoas que procuram Braga para trabalhar, mas também para viver, e o principal problema que nós identificamos em Braga é justamente a falta e carência da pouca habitação que existe. Temos um plano para intervir e vamos construir 500 casas para criar uma rede pública de habitação para arrendamento acessível, sobretudo dirigido à classe média e média baixa. Não são habitações sociais, isso é um outro plano. Para isso existe a BragaHabit, que aliás também foram os socialistas que criaram em tempos. Esse é um outro domínio de intervenção que obviamente acompanharemos, mas no imediato a construção destas 500 casas para nós é uma emergência.

Outra emergência é criar uma rede pública de creches e berçários com recurso também a parcerias público-privadas com as IPSS, com as misericórdias e outros fatores que já têm resposta no terreno. Nós ofereceremos à população essas capacidades, aumentando a oferta nesses estabelecimentos, em parceria com o Município.

Temos também, evidentemente, como prioridade construir a 2.ª Circular para resolver, mitigar, nomeadamente uma percentagem significativa do tráfego que acede a Braga sem necessidade de ter que passar pelo centro, que hoje tem essa necessidade. Por isso, também nos pronunciamos contra a hierarquização das prioridades. A feitura do viaduto neste momento em Infias, antes da 2.ª Circular, é um erro. Apenas vai atirar esse trânsito para a outra rotunda a seguir das Piscinas da Rodovia e não resolve, no essencial, o problema.

Por isso, nós vamos construir a 2.ª Circular. Vamos construí-la com ou sem o Governo porque é obrigação do Município criar respostas para favorecer a vida e a qualidade de vida dos bracarenses.

Temos outros projetos, evidentemente, mas o principal na área da economia é instalarmos uma grande área empresarial, um parque industrial na zona onde vai nascer a futura estação do TGV para justamente aí criarmos uma plataforma, mais uma vez ao serviço, não apenas do concelho, mas de todo o território da região, uma vez que essa plataforma é uma plataforma que vai permitir a comunicação ágil, rápida e amiga das empresas para todo o distrito.

O TGV não transportará apenas pessoas, vai transportar também mercadorias e, tendo ali um parque industrial capaz de acolher empresas tecnológicas, estará equipado com todos os recursos e ferramentas para o tornarmos o mais amigo do ambiente possível, nesse sentido também para tornar o Município amigo do ambiente.

Criaremos também um capital de risco para, conjuntamente com os jovens talentos que saem das nossas universidades em Braga, como sabe, não temos só a Universidade do Minho, temos o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, a Escola de Mazagão, também temos a Universidade Católica, e, com esses parceiros, queremos estimular parcerias com os jovens talentos que saem dessas universidades e com eles o Município arriscar investir neles, nos seus projetos, nas suas ideias, para promover a economia local, e também favorecer um ambiente de crescimento empresarial ou profissional dos jovens que saem das nossas universidades. Assim, ao criar um capital de risco para essa área, a Câmara torna-se sócia desses projetos de desenvolvimento no futuro.

Caso for eleito, o que pretende mudar no concelho nos próximos quatro anos?

As prioridades são estas que acabei de referir, mas aquela que faremos de imediato, porque é muito urgente, é reordenar os Transportes Urbanos de Braga.

A mobilidade não é apenas a infraestrutura rodoviária como sabemos. Tem a ver também com os meios para oferecer uma mobilidade pública, transportes públicos competentes que cumpram horas para que as pessoas saibam com o que podem contar, porque um transporte urbano em Braga que não seja capaz de garantir um horário para pegar os passageiros e os largar no seu destino, é insuportável, e ninguém vai utilizar esse transporte porque ninguém vai correr o risco de chegar todos os dias atrasado ao seu trabalho e sair tarde e a más horas.

Portanto, pretendemos reformular os transportes urbanos e, nessa medida, desafiar os concelhos limítrofes a que possam também eles vir participar sendo acionistas dos transportes urbanos, colocando ao serviço do território da região esta capacidade que os transportes urbanos possuem e que nós vamos reordenar e reformular.

Quais as propostas do seu partido para os mais jovens?

Nós queremos que os jovens sejam parte própria da decisão política e não os destinatários das políticas.

Criaremos condições, designadamente físicas, para que possam ter enquadramento das suas atividades, quer de criadores nas diferentes áreas, culturais, desportivas, mas também de participação cívica, no sentido mais pleno do termo e o estímulo à sua participação, não apenas ouvintes, mas tornando-os atores do desenvolvimento e das atividades do próprio Município. Por isso, daremos uma nova vida ao Conselho Municipal de Juventude para estimular esta parceria objetiva, direta, concreta com a ambição e o sonho, porque é natural e é desejável que todos nós tenhamos sonhos para a vida, para a vida coletiva, para a vida individual e, por isso, nós queremos despertar nos jovens a esperança para realizar os seus sonhos.

E para os seniores? Existem propostas?

Temos também um plano na área da saúde, sobretudo, para acompanhamento dos seniores.

Estabeleceremos uma parceria com a ULS com quem, aliás, já temos vindo a conversar no sentido de a preparar e, com isso, criar mais centros de saúde pelas freguesias do concelho, de modo que haja um acompanhamento de proximidade em que o Município entrará com os recursos, sobretudo recursos físicos, e de apoio administrativo.

Em paralelo, criaremos também um plano de saúde para monitorização e acompanhamento aos seniores e combater também o seu isolamento e não ficarmos apenas pelas teleconsultas, mas sim no contacto físico direto individualizado, de forma que as pessoas se sintam acompanhadas e que possam ter também no Município equipas que sejam amigas da sua própria vida e do seu bem-estar.

Que mensagem quer deixar aos eleitores do concelho de Braga?

Eu quero dizer aos eleitores de Braga que no dia 12 só há uma alternativa à atual maioria. Se aqueles que querem realizar uma mudança no concelho, uma mudança de políticas, uma mudança de visão, de mundo de visão para o concelho, entendem, obviamente, alterar o seu voto.

A única candidatura em condições de poder ganhar esta eleição é a nossa candidatura. Todos os dados confluem nesse sentido e, por isso, o apelo que eu faço ao voto útil para que possamos ter condições de boa governabilidade no Município, uma maioria reforçada, apelo justamente isso. A única candidatura em condições de ser alternativa é a nossa candidatura “Somos Braga” que une PS e PAN.

PARTILHE A NOTÍCIA

LEIA TAMBÉM

PUBLICIDADE

Últimas Notícias

POPULARES