
A edição de 2026 do Uncover decorre de 12 a 15 de março, cruzando pensamento crítico, criação artística e iniciativas comunitárias. O festival é organizado pelo Gerador, com o apoio da Câmara Municipal de Guimarães e em parceria com Guimarães Capital Verde Europeia, reforçando nesta segunda edição a ligação ao território e uma forte presença internacional.
As novidades da programação foram anunciadas em conferência de imprensa por Isabel Ferreira, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Guimarães, e Tiago Sigorelho, presidente do Gerador. Entre os destaques estão o coletivo de defesa dos direitos indígenas People’s Planet Project, o cineasta palestiniano Alaa Aliabdallah e o projeto Forensic Architecture, reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho de investigação interdisciplinar sobre formas de violência, recorrendo a imagens de satélite, vídeos amadores, mapas e testemunhos.
Entre os nomes já divulgados contam-se ainda Capicua, que leva ao festival uma reflexão sobre a perceção social da mulher num tempo de fragilização democrática, Franco Berardi, que orientará uma masterclass dedicada ao papel da imagem e da perceção nos discursos populistas, e Bobby Duffy, investigador britânico que apresentará o primeiro estudo realizado em Portugal a confrontar realidade e perceção, coordenado em colaboração com o Gerador.
Na apresentação do festival, Isabel Ferreira sublinhou “a dimensão crítica e estratégica do Uncover no contexto das políticas culturais do Município”. “Vivemos num tempo em que a imagem deixou de ser apenas representação para se tornar um instrumento de persuasão, de poder e de construção de realidades e identidades. O Uncover afirma-se como um território de reflexão exigente e aberta, onde se questiona o que a imagem revela, mas também aquilo que oculta”, disse.
A vereadora destacou ainda a importância da parceria entre o Município e o Gerador, entendendo-a como “uma aposta estruturante na cidadania cultural”. “Esta parceria é mais do que organizativa, é estratégica. Representa uma forma de pensar as políticas culturais e educativas como políticas de cidadania, assentes no pensamento crítico, na participação ativa da comunidade e na capacidade de convocar vozes nacionais e internacionais para nos ajudar a olhar o mundo com maior complexidade e responsabilidade”, reforçou.
Com uma programação assente em múltiplos formatos — workshops, performances, masterclasses e conversas,o festival promove também o encontro com a comunidade vimaranense. Nos dias 13 e 14 de março, realizam-se almoços comunitários com chefs locais, na Pousada da Juventude e na Casa da Memória, seguidos de um percurso performativo pelas ruas da cidade, conduzido pelos artistas Max Fernandes e Catarina Braga.
Ao longo dos quatro dias do festival, estará patente na Pousada da Juventude uma instalação artística audiovisual, com obras criadas por dez jovens ligados a Guimarães. Os trabalhos resultam de uma bolsa lançada pelo Gerador em 2025, dirigida a jovens entre os 18 e os 25 anos, integrada no projeto europeu Down to eARTh, com o apoio da Porticus, que promove a co-criação artística com comunidades locais.
Entre janeiro e março, antecipando o festival, o Uncover promove ainda o ciclo de conversas “Singularidades de Guimarães”, com curadoria de Pedro Silva e Natacha Carvalho. As sete sessões, de entrada livre, decorrem em espaços ligados à vida da cidade e abordam temas como trabalho, comunidade, ensino, conhecimento, identidade, periferia e futuro.
O passe geral do festival tem o custo de 39 euros para o público em geral e 21 euros para residentes em Guimarães e subscritores do Gerador, estando igualmente disponíveis bilhetes diários com desconto para moradores do concelho.


