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Esclerose múltipla: a importância do diagnóstico e tratamento precoce

© Marisa Brum

A Esclerose Múltipla (EM) afeta cerca de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo e é uma doença crónica, inflamatória e progressivamente degenerativa do Sistema Nervoso Central (SNC).

Esta doença, por vezes, não é fácil de diagnosticar, uma vez que se manifesta através de sintomas diferentes, facilmente confundidos com outras doenças neurológicas. Desta forma, apesar de se saber a importância do diagnóstico e do tratamento atempado, o diagnóstico inicial pode ser demorado.

Estima-se que em Portugal existam mais de 8 mil doentes com EM. É uma doença que surge habitualmente no adulto jovem, entre os 20 e os 40 anos de idade, e afeta maioritariamente as mulheres.

Os sintomas podem ser muito variados e manifestarem-se com maior ou menor frequência de pessoa para pessoa:

  1. A fadiga é um sintoma muito frequente e manifesta-se por diferentes períodos e corresponde a um cansaço extremo após um pequeno esforço;
  2. A neuvrite ótica, corresponde a queixas de visão turva, “enevoada” ou baixa de visão;
  3. Perda da força muscular nos braços e pernas;
  4. As alterações da sensibilidade, podem ser como uma sensação de encortiçamento dos membros, parece que se está a «caminhar sobre algodão». Ou outro tipo alterações da sensibilidade são os formigueiros ou picadas;
  5. Equilíbrio e coordenação, por exemplo, dificuldade em agarrar pequenos objetos, escrever de forma clara ou sensação de caminhar como se tivesse embriagado;
  6. Alterações urinárias e intestinais – que por um lado pode se manifestar por dificuldade em urinar ou em esvaziar completamente a bexiga (a isto chama-se «retenção» urinária), ou a «urgência urinária», ou seja vontade de urinar frequente, súbita e difícil de adiar;
  7. Problemas sexuais – homens que tenham EM podem ter dificuldade em obter ou manter a ereção. Na mulher, a EM causa muitas vezes perda de sensibilidade nos órgãos sexuais, dores durante a relação e incapacidade de atingir um orgasmo;
  8. Alterações cognitivas – numa fase avançada da doença problemas de memória recente;
  9. Alteração de humor e depressão.

Atualmente, sabemos que quanto mais cedo se realizar o diagnóstico e se avançar para o tratamento, menor será a progressão da doença. Tem sido feito um esforço para o desenvolvimento de diversos tratamentos com impacto na doença.

Desta forma, nas últimas duas décadas tem-se assistido ao desenvolvimento de diversos tratamentos com impacto na evolução da doença. Em 1993, foi aprovado o primeiro tratamento para a EM. Apesar de não haver cura, os tratamentos têm como objetivo, reduzir o número de surtos (episódios de alterações neurológicos) ao diminuírem a atividade inflamatória cerebral que ocorre na doença.

Em suma, a EM é uma doença inflamatória do SNC que pode ser incapacitante. Neste sentido, para evitar a progressão da doença e consequências mais graves, é primordial que exista um diagnóstico e um tratamento precoce, bem como um acompanhamento regular para a avaliação da necessidade de ajuste de medicação ao longo do tempo.

Artigo de opinião de Marisa Brum, neurologista do CNS – Campus Neurológico.

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