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Afinal, quem tem “Superioridade Moral”?

© Sofia Araújo

– Vocês são mais defensores dos mais vulneráveis do que os outros?

– Sim!

A questão foi colocada por Adolfo Mesquita Nunes. A resposta foi dada por Mariana Mortágua. E prosseguem, pela mesma ordem:

– As tuas convicções podem ser melhores, no sentido em que tu as defendes (…).

– A história comprova-o!

No dia 31 de janeiro, a deputada Mariana Mortágua respondeu a Adolfo Mesquita Nunes, revelando que ela e o Bloco de Esquerda têm superioridade moral, na defesa dos mais desfavorecidos.

Eu trabalho na área social há 20 anos. Conheço a realidade social dos pensionistas, das crianças, dos deficientes, dos sem-abrigo, das vítimas de violência doméstica, dos beneficiários de Rendimento Social de Inserção, como nunca a Senhora Deputada Mariana Mortágua conhece ou alguma vez conhecerá. Por isso, Senhora Deputada, não me venha dizer que tem superioridade moral na defesa dos mais desfavorecidos. Eu, pela minha prática de terreno, conheço os rostos, as condições em que vivem, as aflições, as suas histórias de vida, e garanto-lhe que não é porque é dada uma prestação pecuniária que os problemas se resolvem. O que permite a qualquer ser humano sair da pobreza, desde que tenha capacidade para tal, é desenvolver todo o seu potencial e capacidade, devendo o Estado promover políticas sociais que não se ficam apenas pelo pagamento e aumento de prestações sociais (muitas vezes com fins eleitoralistas) mas, pelo contrário, dar o Estado primazia às políticas de intervenção e prevenção dos problemas sociais, tendo como fim a autonomização do beneficiário face aos apoios do Estado. Embora a prestação pecuniária seja necessária, esta não é determinante no combate ao flagelo da pobreza e da exclusão social, que persiste no nosso país.

Enquanto não for alterado o paradigma de definição das políticas sociais de combate à pobreza e exclusão social, não vamos conseguir diminuir os índices de pobreza e exclusão social, e os ciclos vão continuar a repetir-se.

Por outro lado, defendo que devemos procurar um modelo económico e social que vise mais liberdade e boas condições de partida. Se assim não for, o futuro estará sempre dependente do local ou família de nascimento.

Nesta temática, também temos de considerar a formação do indivíduo. A possibilidade de sair dos contextos de pobreza e exclusão, no qual o contexto escolar é estruturante, justifica a urgência de dar a possibilidade aos pais de escolherem a escola para os seus filhos, seja ela pública ou privada sem ficar condicionada pelo rendimento da família ou critério geográfico.

Não podemos esquecer que, para combater a pobreza, é preciso primeiro criar riqueza. Temos de colocar a economia crescer, com um mercado a funcionar de forma concorrencial. A este propósito referimos que “Nos países menos livres economicamente, os governos e as elites dominantes usam o Estado de Direito não para proteger os direitos e liberdades de todos os cidadãos, mas para reforçar os privilégios dos interesses instalados, ao mesmo tempo que enfraquecem os direitos e liberdades do resto das pessoas.”

A pobreza não pode ser uma amarra da qual não conseguimos sair e há um modelo social e económico que nos liberta.

Artigo de opinião da psicóloga Sofia Araújo.

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