
Existem várias razões pelas quais escolhemos um político para determinado cargo: a sua preparação, a equipa que o acompanha, a visão, o carisma, a vontade de trabalhar e tantas outras características que fazem com que gostemos mais ou menos de determinado candidato. No entanto, quando falamos da liderança de uma cidade, há um critério que se torna essencial: o compromisso.
Ao contrário do que muitos pensam, governar uma cidade não é comparável a liderar uma junta de freguesia, nem tão pouco um país. Requer uma visão que equilibre aquilo que a cidade foi, com a possibilidade do que poderá ser no futuro.. Neste contexto, Braga apresenta nesta corrida autárquica uma amostra quase caricatural da política nacional: o vereador; o presidente de junta que sempre ambicionou mais; o político do passado; e a figura nacional que, depois de ver o seu caminho bloqueado na autoestrada que tem sempre como destino Lisboa, vira-se para caminhos que considera mais fáceis, apesar de não o serem.
Braga é hoje uma cidade completamente diferente daquela que era há 12 anos, e isso é algo que todos os candidatos reconhecem. Esta unanimidade revela por si só os bons anos de governação que Braga viveu com Ricardo Rio e a coligação Juntos por Braga. Hoje, todos querem fazer da cidade uma capital: seja da área metropolitana, seja do Norte do país ou até do Norte da Península Ibérica. Mas vale a pena lembrar que, há doze anos, o que os bracarenses pediam era simplesmente a abertura de uma cidade fechada à inovação e ambição, limitada por um modelo de governação que esgotava a imaginação e nos deixava à sombra de Guimarães. O tanto que querem, é o reconhecimento do muito que se fez.
Na política, devemos avaliar quem sai pelo que deixa e quem vai entrar, por aquilo que será capaz de fazer com o que recebe. Os candidatos de hoje herdam uma cidade reconhecida como uma das mais dinâmicas da Península Ibérica. É esse o palco que têm diante de si. Para liderar Braga, é fundamental conhecer três coisas: o passado da cidade, os seus defeitos e potencialidades no presente e as suas possibilidades no futuro. Com base nisso, vejamos os principais protagonistas:
Temos um candidato socialista que, sem dúvida, cumpre o primeiro requisito, conhecendo bem o passado da cidade — nomeadamente o legado do “Mesquitismo”, de que foi interveniente e defensor. Porém, no que toca ao presente e ao futuro, pouco tem oferecido face ao seu distanciamento de muitos anos da cidade.
Segue-se o candidato que, há quatro anos, aproveitou a visibilidade de uma junta de freguesia durante a pandemia para projetar a sua imagem. É verdade que há outras juntas que fizeram tanto ou mais, mas optaram por trabalhar silenciosamente, sem depender das redes sociais para mostrar serviço. Um serviço social que deve ser prestado na ausência do ruído e sem a exposição mediática. Além desta forma de aparecer e ser, existe a incoerência. Quando confrontado com votações que comprometeram os interesses dos seus fregueses, justifica-se com o “contexto”. Ora, o contexto pode atenuar decisões, mas nunca as justificar plenamente. Além disso, em muitas listas de freguesia iremos verificar que os apoiantes de Ricardo Silva configuram uma espécie de PS-B.
Depois, temos o candidato nacional. Até há pouco tempo ambicionava um lugar de ministro. Perante o insucesso, volta-se agora para Braga, como segunda opção. É difícil ser-se um candidato credível a uma cidade quando ela nunca foi a primeira escolha. Uma cidade como Braga nunca pode ser uma solução de recurso para um político. Quem quer ministro, não pode querer ser candidato a Braga. Braga é demasiado importante para ser olhada como plano b.
Finalmente, surge João Rodrigues. Um Vereador que faz política em Braga há mais de 16 anos, que conhece as 37 freguesias da cidade como ninguém, que percorre as suas ruas, conhece os seus problemas e fala com as suas gentes. Uma cidade é um organismo vivo, onde interesses conflituantes emergem todos os dias. Para conseguir transformar esses interesses em motor de mudança, é necessário viver a cidade diariamente. João Rodrigues faz isso há muitos anos — primeiro na Assembleia Municipal, agora na vereação. Certamente, teve a oportunidade de seguir para voos na corte lisboeta, mas sempre disse não, porque Braga sempre foi o seu único plano.
Só o João reúne todas as qualidades que valorizamos num político — preparação, equipa, visão, carisma, vontade de trabalhar — então é, claramente, aquele que melhor representa o compromisso que Braga precisa para os próximos anos.
Mais do que um gestor para uma cidade que ambiciona ser capital, os bracarenses querem alguém que conheça Braga, que viva Braga e que, ao lado dos cidadãos, continue a construí-la. Muitos têm qualidades para ser presidente da câmara, mas não da Câmara de Braga. Só um conhece as suas 37 freguesias, as suas associações os seus problemas e as suas potencialidades. Só um dedicou quase 20 anos exclusivamente a esta cidade, mesmo quando teve oportunidades noutros patamares.
Em Braga, o compromisso tem um rosto: João Rodrigues.
Artigo do jurista Diogo Farinha.


