OpiniãoA Nobreza de quem se candidata

A Nobreza de quem se candidata

Artigo do economista José Macedo.

© José Macedo

Hoje em dia aceitar ser candidato a uma assembleia de freguesia ou a uma câmara municipal não é apenas um ato político. É, acima de tudo, um gesto de coragem. É preciso ter coragem para se colocar sob o olhar atento e, muitas vezes, impiedoso do escrutínio público. Coragem para se expor, para dar a cara, para se identificar com um projeto coletivo. Coragem para ser julgado, rotulado, atacado tantas vezes sem fundamento, sem contexto e sem o mínimo de empatia.

Em tempos de redes sociais, onde muitos se escondem atrás de perfis e comentários fáceis, é ainda mais difícil. Há sempre quem critique por criticar, quem descarregue frustrações naqueles que, de forma voluntária ou quase voluntária, decidiram servir a comunidade. E muitos dos que criticam nunca se deram ao trabalho de conhecer verdadeiramente a pessoa que atacam, ou sequer de se envolverem minimamente numa associação, num movimento cívico ou numa ação solidária. Criticam do sofá. Julgam sem saber. Mas aqueles que aceitam o desafio de integrar uma lista, seja como cabeça-de-lista ou como um dos muitos que a constroem, fazem-no sabendo que vão perder tempo de qualidade com a família, com os filhos, com os amigos. Sabem que vão passar serões a preparar ações de campanha, fins de semana nas ruas a falar com pessoas, a ouvir queixas, esperanças e angústias. Sabem que o cansaço vai ser físico e emocional. Sabem que não há retorno financeiro que compense o desgaste. E, ainda assim, avançam.

Mas há também o outro lado. O lado invisível, mas imensamente valioso. A aprendizagem que acontece em cada conversa na rua, em cada visita a uma casa, em cada reunião onde se ouvem histórias reais. Quem se entrega a este processo com verdade sai dele com uma consciência mais desperta, com um espírito mais solidário, com um sentido maior de responsabilidade coletiva. Cresce-se muito quando se ouve o outro com genuíno interesse. E percebe-se, com humildade, o quanto ainda há para fazer.

Por isso, este artigo não é apenas um tributo. É também um apelo. Aos que criticam com ligeireza, deixo uma pergunta: já pararam para pensar na razão do vosso descontentamento? Já refletiram sobre o que têm feito, de facto, para melhorar a vossa comunidade? Atacar quem se mexe é fácil. Difícil é levantar-se, dar a cara e trabalhar. Quem o faz merece, no mínimo, respeito. Aceitar ser candidato ou membro de uma candidatura é um ato nobre. Que nunca nos esqueçamos disso.

Artigo do economista José Macedo.

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