OpiniãoA força de uma Area Metropolitana do Norte

A força de uma Area Metropolitana do Norte

Artigo de opinião de José Macedo.

© José Macedo

Tem sido bandeira de campanha de alguns candidatos à Camara Municipal de Braga, primeiro pelo Partido Socialista e agora pela Iniciativa Liberal. Mas afinal do que falamos? A criação de uma Área Metropolitana do Norte é uma ideia que tem vindo a ganhar força e merece ser encarada com seriedade. Num país historicamente centralizado em Lisboa, o Norte continua a ser, apesar do seu dinamismo económico e cultural, muitas vezes esquecido nas decisões estratégicas nacionais.

Estamos a falar de uma região com milhões de habitantes, universidades de referência, polos industriais relevantes e um património cultural único. Cidades como Porto, Braga, Guimarães, Viana do Castelo, Vila Real ou Bragança têm muito a ganhar se trabalharem em conjunto e, sobretudo, muito mais força se falarem a uma só voz. Está mais que na altura de gerarmos unidade e criar uma só força com as nossas cidades vizinhas!

A criação de uma Área Metropolitana do Norte permitiria coordenar políticas públicas, atrair investimento estrangeiro, planear infraestruturas com mais eficiência e apresentar uma frente comum junto do Governo e da União Europeia. Teríamos uma só voz e ganharíamos o respeito de todos. Ao invés de cada município concorrer por si, muitas vezes duplicando esforços e perdendo oportunidades, uma estrutura metropolitana daria escala, coesão e visão estratégica. Esta união não significa uniformizar ou apagar identidades locais, mas sim valorizá-las numa lógica de complementaridade, trazendo vantagens para todos. Numa altura em que se fala tanto de descentralização, este pode ser o verdadeiro teste ao compromisso político com o reequilíbrio territorial.

A Área Metropolitana do Norte permitiria desde logo uma melhor gestão de transportes e serviços públicos, num território onde milhares de pessoas circulam diariamente entre concelhos vizinhos, uma maior capacidade de atrair fundos europeus e investimento estrangeiro, com uma marca regional forte e organizada, uma promoção conjunta da região no turismo, cultura, inovação e economia, com ganhos para todos os municípios envolvidos, e acima de tudo um contrabalanço saudável ao centralismo lisboeta, num país que precisa de se recentrar e não de se dividir.

Nos últimos dias escutamos políticos a falar desta ambição de criação desta área metropolitana, mas para isso é necessário ambição, maturidade política e colaboração, pois as cores partidárias que governarão estes municípios poderão nem sempre ser da mesma cor. É preciso que os autarcas deixem de ver os vizinhos como concorrentes e que o Governo encare o Norte como uma prioridade nacional, não apenas como uma fonte de mão de obra ou de exportações.

Não se trata de mais burocracia, nem de criar divisões. Trata-se, isso sim, de organizar melhor o que já existe, com uma visão estratégica partilhada. O Norte tem todas as condições para se afirmar como uma região moderna, inovadora e coesa. O que falta é dar o passo político que permita essa afirmação.

Portugal precisa de um Norte forte. E o Norte precisa de estar unido.

Artigo do economista José Macedo.

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