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A difícil tarefa de inflacionar Portugal

© Domingos Carvalho

Se a inflação fosse, neste momento, a única preocupação dos portugueses, nem estaríamos tão mal de todo. Certamente, apenas parte da população seria afetada pela subida geral dos preços. Mas, num país onde reina o socialismo, as mentiras e propaganda, há mais de 20 anos, quase de forma consecutiva, seria inesperado ver pessoas em dificuldades ou mesmo na pobreza. Ou não?

A realidade diz-nos o oposto. O nosso país viu o seu PIB crescer a ritmos miseráveis e insustentáveis para acompanhar o ritmo de crescimento da dívida pública, que já ultrapassou o próprio PIB, por uns estonteantes 20 pontos percentuais, o que, para o leitor comum pode não ter grande significado, mas, é extremamente relevante saber que, no total, Portugal deve um valor 20% superior comparado ao valor total das coisas que consegue produzir num ano. De forma muito básica, é como se no início do mês tivesse que pagar 120 euros de dívida (pública), mas apercebe-se rapidamente que só recebeu um mísero salário de 100 euros, que representa o PIB português. Percebe agora a nossa situação?

É neste momento, onde a inflação aparenta ser cada vez menos temporária, contrariando a mensagem de certas entidades reguladoras europeias e nacionais, que se torna surpreendente saber que em Portugal em pleno ano de 2021, eram 2 302 000 as pessoas que se encontravam em risco de pobreza ou exclusão social, segundo dados fornecidos pelo INE, valor que certamente aumentou com o desenvolver do panorama nacional , e que vai certamente continuar a aumentar nos próximos anos, derivado á evidente inversão que está a ocorrer no panorama económico e geopolítico mundial.

É o país do faz de conta. Afinal de contas, faz-se de conta que vai ficar tudo bem. Mas a realidade é que não está tudo bem e os portugueses têm de entender que dificilmente terão uma vida estável nos próximos anos.

O mundo mudou. Mas se Portugal não quiser mudar?

Se o nosso país não quiser mudar o caminho é evidente. Igual ou mesmo pior ao que vimos e vivemos nos últimos 20 anos. E permitam-me opinar sobre o que eu prevejo ser um dos períodos mais negros para Portugal. O nosso país está num caos, e a realidade, é que ainda nem sequer sentimos, na totalidade, os impactos dos mais recentes desenvolvimentos globais. E eu não quero desanimar ninguém, muito menos retirar-vos a réstia de esperança que certamente ainda mantêm no nosso amado país, mas o futuro de Portugal, não será, de todo agradável.

E se, seriamente acreditarem num futuro risonho para Portugal, permitam-me que vos recorde que temos uma maioria absoluta socialista, assim como a um Primeiro Ministro, António Costa, que num período onde temos inflação a rondar os 10%, os valores mais altos dos últimos   30 anos, faz pedidos de aumentos salariais de 20% para um período de quatro anos. Sim, todos sabemos que o custo de vida aumentou, mas querem ter inflação mais elevada e persistente? Em simultâneo, dá com grande alegria, vouchers de combustíveis a toda a população, o que considero um puro ato de brincadeira com o dinheiro dos contribuintes, pois nem toda a população precisa de apoios, mas essencialmente as pessoas em maior dificuldade. Para além disso, uma redução nos impostos seria uma medida bem mais eficiente. Mas no geral acho que ele entende perfeitamente o que está a fazer e os objetivos que têm em mente. Objetivos que certamente diferem dos interesses dos Portugueses, mas é apenas um jovem a escrever e um país a definhar.

Lembrem-se ainda, que o atual Ministro das Finanças, Fernando Medina, deixou uma dívida superior a 10 milhões de euros na Câmara Municipal de Lisboa, assim como uma carinhosa multa de despedida aos lisboetas e portugueses, passada pela Comissão Superior de Proteção de Dados, superior a um milhão de euros, relacionando-se com o facto de Fernando Medina ter permitido durante anos, a partilha ilegal, de dados relacionados a vários ativistas residentes em Portugal, com as embaixadas da Rússia. Eu sei que é chato e não convém muito falar disto agora, pois o Sr. Ministro é uma figura de autoridade e um líder exemplar que controla agora as Finanças de Portugal.

Mas não se preocupem, pois, ainda existem mais pessoas incompetentes e dúbias, com pouca atenção à ética e à integridade pessoal ou profissional, mas com grande capacidade para realizar fretes políticos e um ou outro ato de corrupção, ou compadrio, com quem certamente podemos contar. Vou optar por referir, de forma a avivar a memoria aos caros leitores, o ministro Eduardo Cabrita, dado que tem mais que a vida de uma pessoa nas suas mãos, e transito logo para a Ministra que, por pura incompetência e desnorte, é a responsável máxima — nunca acima do Sr. Primeiro-Ministro — por tudo que se passa no SNS. Ou será que ainda existe um sistema nacional de saúde? Bem, presumo que nos podemos contentar em ter um ou outro hospital com as urgências abertas e mais de sete horas de espera.

E caso a saúde não fosse motivo mais que suficiente para os portugueses fazerem pela primeira vez na sua história um protesto sério e continuado cotra a palhaçada que se tem verificado em Portugal, temos a cereja no topo do bolo com a história do Aeroporto de Lisboa, e que demonstra o absoluto caos e desorganização deste governo. O país anda há anos a derivar sobre este assunto, e em precisamente 24 horas, temos a inacreditável sucessão de eventos que já todos ouvimos e nos envergonhamos de ouvir. Onde ninguém sabe muito bem como é possível ter acontecido tal pouca-vergonha e não ter existido nenhuma consequência política para ninguém. Mas afinal….

Afinal, é o país do faz de conta, a autêntica república das bananas.

Bem-vindos a Portugal.

Numa nota final, deixo as questões que mais me intrigaram.

O Primeiro-Ministro António Costa mentiu? O Ministro Pedro Nuno Santos mentiu? Ou será, que no meio desta inacreditável e impagável confusão, ninguém mentiu?

O que seria necessário acontecer para se demitir um ministro do governo de Portugal? Existe alguma circunstância onde, este governo, começa de fato, a governar? A corrupção veio para ficar ou o governo vai apenas continuar a sua árdua tarefa e missão de inflacionar Portugal?

E ao nosso povo, em tempos ambicioso e lutador, até quando vamos presenciar estes acontecimentos e deixar passar estas pessoas impunes? Até quando vão gozar com a nossa cara, e conseguirem rir se enquanto se escapam sem assumir qualquer responsabilidade.

É este o país onde querem viver? É este o país que querem deixar para os vossos filhos?

É ainda é possível mudar de rumo?

Artigo de opinião de Domingos Carvalho, estudante de mestrado em Gestão e Gestor de Compras.

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