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A Corrupção veio para ficar?

© Domingos Carvalho

Desde cedo que oiço, os ditos “sábios”, dada toda a imensidão de conhecimento e experiência que trazem na bagagem da vida, dizer ser necessário, aquando da tomada de decisão, fazer várias cedências. É natural que todos temos de ceder, eventualmente e inevitavelmente. Mas existe um limite de cedência? Existem parâmetros para definir o quanto podemos ceder, mesmo quando chegamos a contrariar os nossos próprios princípios?

Existe pouco interesse e motivação dos intervenientes relevantes em Portugal, desde do governo aos diferentes partidos políticos e à própria sociedade, para falar de forma aberta e transparente sobre corrupção. No entanto, eu tenho interesse em falar sobre a corrupção, pois, caso o leitor não saiba, no ano de 202, Portugal foi o único país democrático da Europa Ocidental a retroceder em vários parâmetros no combate contra a corrupção, nomeadamente nos seguintes: Independência da Justiça; Ausência de Corrupção; Igualdade perante a Lei.

Apesar de várias diretivas e convenções da União Europeia, nomeadamente a convenção de Palermo nos seus artigos 8° e 9°, imporem novas regulações no campo da corrupção, os “sábios da vida”, conseguem geralmente, contornar estas medidas ao recorrer a diferentes intermediários e diversos métodos a nível legal que permitem encontrar outros caminhos para atingir os objetivos.

Mas os resultados não demoram a surgir e não deixam margem de dúvida, Portugal é o único país democrático na Europa Ocidental a retroceder na luta contra a corrupção.

No entanto, o alerta não vem apenas de fora, num estudo divulgado pelo Instituto Mais Liberdade, no Dia Internacional Contra a Corrupção – Portugal com resultados preocupantes ‑ em pleno ano de 2021, 88% dos portugueses inquiridos acreditava existir corrupção no Governo socialista. Um número chocante e escandaloso que demonstra bem o estado apático dos portugueses que, infelizmente, toleram quase tudo, mesmo com as evidências dos factos em cima da mesa.

Adicionalmente e consoante o mesmo estudo, 60% dos portugueses afirmavam, no ano de 2021, que o governo do PS, liderado por António Costa, desempenhava mal a sua função, realizando um péssimo trabalho contra a corrupção. Curiosamente, mais de metade da população inquirida, 58%, diz ter medo de sofrer represálias em caso de denúncia, evidenciando o poder e controle que os intervenientes políticos, e não só, tem na esfera da sociedade e como as suas vontades vão avante. Por último, o estudo aponta ainda que um número superior a 40% dos inquiridos, considera que a corrupção aumentou comparado com o ano anterior, período onde o PS também governou.

Perante tudo isto, nas recentes eleições legislativas de 2022, o Partido Socialista, responsável e governante do país nos últimos anos, consegui, certamente de forma inesperada para todos, maioria absoluta.

Avassaladora e destrutiva para o futuro do país. E que deixa uma questão no ar.

A corrupção, em Portugal, veio para ficar?

Artigo de opinião de Domingos Carvalho, licenciado em Gestão, mestrando em Gestão e frequência de um MBA Executivo.

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