OpiniãoSNS: O financiamento do avesso

SNS: O financiamento do avesso

Artigo de Tiago Mendes, 35 anos, natural de Esposende, Médico Especialista em Medicina Interna e Presidente da Mesa do Plenário do Núcleo Territorial da Barcelos da Iniciativa Liberal.

© IL

A população está a envelhecer, os doentes têm cada vez mais doenças, a esperança média de vida aumenta e os tratamentos disponíveis são cada vez mais e mais caros. A despesa irá continuar a aumentar anualmente. Isto é só metade do problema.

Vamos pensar no orçamento de uma Unidade Local de Saúde (ULS). Hipoteticamente, vamos assumir uma redução de 50% dos custos de uma ULS mantendo inalterados os cuidados aos doentes, número de atos médicos, atos de enfermagem, todo o tipo de consultas e qualquer tipo de atendimento até ao final de 2026.

Qual é a repercussão imediata em 2027? Orçamento reduzido em cerca de 50%. É isto que está previsto no setor do Estado, onde se inclui a Saúde, aquilo que devia ser descrito como um caso de sucesso é interpretado como um falhanço e com desconfiança. Se a ULS consegue fazer o mesmo com 50% é porque não precisa de 100%, o que é claramente verdade.

Este caso hipotético é extremo. Pensemos então numa redução da despesa de 10%. Resultado? Redução a rondar os 10% do orçamento para o ano seguinte.

Seguindo a lógica do Estado, uma gestão exemplar, que implementa medidas de redução de custos, é penalizadora para as ULS. Desincentiva medidas de redução de custos e prejudica diretamente os utentes, que vêm à partida os seus cuidados limitados no ano seguinte.

Por gerir bem uma ULS, o prémio é castigo orçamental.

Continuamos a discutir se há dinheiro para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), se o dinheiro foge para o privado ou para os grandes grupos económicos, mas ainda não sabemos o que fazer quando tivermos bons gestores no SNS. Se calhar somos uns sortudos.

PARTILHE A NOTÍCIA

LEIA TAMBÉM

PUBLICIDADE

Últimas Notícias

POPULARES