OpiniãoA coragem que não pode morrer

A coragem que não pode morrer

Artigo de opinião de Luís Rosa.

© Luís Rosa

Na madrugada de 13 de abril de 2025, em Braga, um jovem de apenas 19 anos tombou às portas de um Bar, não por imprudência, mas por coragem. O nome dele era Manuel Gonçalves. Para os amigos, o “Manu”. Para nós, a partir de agora, um símbolo. Um exemplo. Um nome que não pode cair no esquecimento — porque representa o que todos deveríamos ser: pessoas que não se calam diante do mal.

Manuel não morreu por estar no lugar errado à hora errada. Ele morreu por ter feito o que estava certo. Ao ver um grupo de indivíduos, alegadamente a tentar drogar jovens indefesas dentro de um bar, ele agiu. Denunciou. Pagou com a vida por não ter sido indiferente.

Vivemos na era da hiperconexão digital e, paradoxalmente, estamos cada vez mais desligados na nossa humanidade. Tornou-se fácil ignorar o que nos rodeia — basta deslizar o ecrã, desviar o olhar, fingir que não se vê. Mas é precisamente nesta cultura do afastamento — onde o “não é comigo” se esconde por trás de ecrãs e silêncios — que o mal se enraíza, cresce e se normaliza.

É por isso que o gesto do “Manu” não pode ser apenas recordado como um acontecimento trágico partilhado nas redes sociais. Tem de ser honrado como um exemplo de verdadeira presença humana, de ação concreta num tempo dominado pela passividade digital. Um gesto que nos lembra que ainda há quem veja, quem sinta, e sobretudo, quem aja. E é esse espírito que precisamos de manter vivo – a coragem.

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