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A catástrofe ambiental: do Mundo, para Portugal, para Braga

Rafael Pinto © PAN

O novo relatório do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) fez manchetes em todos os jornais como sendo o mais assustador e alarmante de sempre. De facto, nada nos deveria preocupar mais do que este relatório elaborado com base em mais de 14 mil estudos de alta qualidade e que afirma claramente que “desde 1850, cada década tem sido sucessivamente mais quente” e que a culpa é da ação humana.

Pior do que isto é perceber que a velocidade a que as alterações acontecem é cada vez maior. Se desde 1850 já aumentamos a temperatura média da Terra em 1,1ºC, a grande maioria deste aumento deu-se nos últimos 50 anos. Se desde 1900 já subimos o nível médio das águas do mar em 25cm, a grande maioria desta deu-se nos últimos 50 anos. Desde 2006, este aumento é medido nuns medonhos, 3,7 mm por ano.

A este ritmo, os fenómenos climatéricos extremos serão cada vez mais frequentes. Segundo as projeções, com as emissões atuais, as ondas de calor que aconteciam 1 vez a cada 10 anos, poderão acontecer 4 vezes. Também as fortes tempestades e secas serão cada vez mais frequentes.

E tudo isto num cenário otimista em que mantemos o atual nível de emissões. A expectativa é que estas aumentem, ao nível mundial, durante a próxima década.

Mas o quê que isto significa para Braga e Portugal?

Em conjunto com o relatório, o IPCC lançou um atlas interativo onde é possível verificar os impactos por região.

O primeiro grande destaque vai para o perigo de secas. Portugal e Braga encontram-se num dos riscos mais preocupantes ao nível mundial!

Utilizando agora o período de 1960-1990 como comparação, um período em que a maioria de nós já era nascido.

  • Se mantivermos o nível de emissões atuais, no verão de 2030, pode chover menos 15%. A partir de 2050, estes valores ultrapassam os 20%. Ao mesmo tempo, também a média de dias secos consecutivos aumentará. Isto significa que teremos um maior risco de grandes incêndios, como o de 2017 que queimou mais de 1000 hectares em tempo recorde na encosta da Falperra. Significa que os nossos agricultores não conseguirão produzir alimentos durante o verão. Que pequenos rios e ribeiros secarão, o preço da água pode aumentar e no limite, teremos que racionar o consumo.
  • A frequência de dias de chuva torrencial pode aumentar 5% e as semanas de tempestade quase 4%, concentrando a precipitação em alguns períodos do ano. Isto significa que o risco de cheias e inundações, como assistimos frequentemente em Braga, será cada vez maior. Também a dimensão das crises será cada vez maior, possivelmente estendendo-se a várias zonas do concelho.
  • A continuar neste cenário, já nas próximas décadas, a temperatura média anual será aproximadamente 2ºC mais elevada. Também os dias com temperaturas acima dos 35º e acima dos 40º serão cada vez mais frequentes, totalizando mais de 15 dias por ano. Isto significa que as condições de saúde dos mais vulneráveis se podem agravar. Significa perdas de produtividade dos trabalhadores e destruição de espécies de fauna e flora.

A natureza funciona com delicados equilíbrios que à mínima alteração se descontrolam, alterando completamente o nosso estilo de vida, comprometendo a nossa saúde, destruindo habitats e levando à extinção de espécies. E tudo isto funciona como uma gigante bola de neve, alimentando-se cada crise ambiental da outra.

Qual o papel que a autarquia pode ter para impedir tudo isto?

Em primeiro lugar, precisamos de um plano sério para atingir não só a neutralidade carbónica, mas também a neutralidade da pegada ecológica, em 2030. Isto quer dizer que o concelho de Braga deve produzir tantos recursos naturais como aqueles que a sua população consome. Para isso, precisamos de uma transição alimentar, transição energética, transição na mobilidade e transição no consumo, reduzindo-o drasticamente e apostando na economia circular. Ao mesmo tempo, precisamos de proteger o património natural e criar mais, muito mais!

Em segundo lugar, precisamos de um plano de adaptação às alterações climáticas. Um plano que identifique os maiores riscos ao nível do concelho, zonas críticas, espécies de fauna e flora mais afetadas e desenhe medidas para mitigar todos os efeitos negativos. Como vamos produzir alimentos? Onde vamos buscar água? Quais as zonas mais propícias a cheias? Como vamos proteger as populações mais vulneráveis?

Ao mesmo tempo que é preciso tornar a política ambiental uma prioridade e encetar todos os esforços necessários para impedir o pior, temos que nos preparar para o que possa vir a acontecer.

Com o apoio dos bracarenses, o papel do PAN na Câmara Municipal será este, dar voz ao planeta em Braga e garantir que todos os debates sobre o presente e o futuro do concelho, ganham consciência ambiental.

Artigo de opinião de Rafael Pinto, candidato do PAN à presidência da Câmara Municipal de Braga.

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