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Toda a violência é condenável, mas alguma violência parece ser mais condenável do que outra

Artigo de Mónica Jerónimo Lopes, deputada municipal de Braga pelo CHEGA.

© Mónica Lopes

“Toda a violência é condenável” é uma frase que parece ter‐se tornado vazia de dignidade e cheia de ideologia. Na prática, quando a comunicação social informou ontem da tentativa de queimar manifestantes em Lisboa, a violência deixou de ser um ato condenável em si e sem nuances e passou a ser um conceito elástico, onde o jornalista e o editor definem a gravidade do crime com base em quem agride e quem é agredido. Não é informação, é formação ideológica.

Ontem, famílias, mães, pais e crianças foram alvo de um ato deliberado, com um engenho incendiário lançado para o meio de uma multidão pacífica. Foi uma tentativa de homicídio, um ato terrorista contra pessoas concretas por causa das suas convicções. E, no entanto, o jornalismo anestesiou a informação, falou de “incidente”, sublinhou “sem feridos” e encaminhou o assunto para o pouco relevante através de engenharia linguística que atenua a perceção da gravidade de um ato que poderia ter terminado em corpos carbonizados.

Basta imaginar o que aconteceria se o agressor fosse alinhado com a caricatura da “extrema‐direita perigosa” ou associado a siglas que os media adoram diabolizar: o vocabulário mudaria de imediato. Leríamos “ataque de ódio”, “terrorismo”, “ameaça à democracia”, “clima de medo”, acompanhados de reportagens especiais, debates urgentes e editoriais inflamados. Quando as vítimas são famílias provida, católicos, conservadores, a gramática é outra: desce o volume, sobe o eufemismo. Toda a violência é condenável, mas alguma violência parece ser mais condenável do que outra – e esse filtro não é moral, é puramente político.

O que está em causa não é pedir um estatuto especial para quem partilha as minhas convicções, é recusar uma hierarquia mediática da dignidade humana que é profundamente injusta e perigosamente seletiva. Uma criança num carrinho de bebé, ontem, vale tanto como qualquer outro bebé, em qualquer outra manifestação ou passeio de domingo. Quando os media se recusam a nomear o ódio assassino que transparece num ataque destes, estão a dizer ao país que há vidas que contam menos e vítimas que não dão jeito.

Ser pró-vida é afirmar, com todas as consequências, que nenhuma vida é descartável e nenhuma violência contra inocentes é aceitável – seja quem for o agressor, seja quem for a vítima. Como católica, como conservadora, como militante política, não aceito que a proteção da vida seja tratada como fanatismo, enquanto o ódio contra quem a defende é relativizado em nome de um suposto “equilíbrio” informativo. Se a comunicação social acredita sinceramente que “toda a violência é condenável”, então tem de abandonar a engenharia linguística, deixar de fazer contas à cor política de vítimas e agressores e aplicar essa regra a todos por igual. Caso contrário, não estamos perante informação, mas perante militância travestida de jornalismo – e, nesse caso, a velha máxima orwelliana “todos somos iguais, mas alguns são mais iguais do que outros” passou a ser aplicada à própria vida humana.

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