
Ao contrário da imagem/mensagem que muitos querem fazer passar, a CDU foi a única força política com a coragem para rejeitar aquilo que será uma má opção para o Município de Braga nos próximos 10 anos.
É nossa convicção que este PDM, aprovado na Assembleia Municipal sexta-feira passada, não serve os bracarenses e não é, nem de longe nem de perto, a panaceia para todos os males do nosso concelho, como o quer vender o Sr. Presidente da Câmara e seus seguidores.
Muito pelo contrário, este PDM passa ao lado de uma das mais importantes e urgentes questões do nosso concelho: a defesa do direito à habitação, pois não prevê a criação de uma carta municipal de habitação que diagnostique as carências do município e identifique recursos habitacionais, como fogos devolutos e potencialidades em solo urbanizado e urbanizável para construção a custos controlados e promoção de habitação pública e projetos de renda acessível. Isto sim, resolveria o problema da habitação em Braga, e não mais terrenos urbanizáveis para entregar às construtoras e, assim, dar continuidade à absurda especulação imobiliária que torna uma habitação digna uma quimera para uma parte muito significativa da população bracarense! (como tive a oportunidade de alertar na própria AMB, mas que ninguém quis ouvir).
Ficou claro, nesta Assembleia, que (como a CDU previu e alertou a seu tempo) a atual representação política nos órgãos municipais deixou Braga com a CDU como a única voz de verdadeira oposição. As diferentes forças políticas que compõem a Assembleia Municipal neste momento, algumas disfarçadas de oposição, todas aprovaram a 3a revisão do plano diretor municipal proposta pelo executivo, mesmo não concordando com ela (aparentemente)!!
Em nome da “estabilidade”, da “responsabilidade” e do “mal menor”, todos, com a exceção da CDU e 2 deputados do PS, deixaram passar aquilo que consideram ser, segundo assumiram publicamente, um mau plano diretor para a cidade ou, no mínimo, um plano com muitas falhas. Não se percebe, ou perceberá até muito bem, esta falta de coerência… parecem mais preocupados em ficar bem na “fotografia”, com o que isto pode significar em termos de votos no futuro, do que em defender os interesses da população hoje, agora.
“Responsabilidade”, e honestidade também, seria terem reprovado um plano que não consideram bom ou muito bom para o concelho e, assim, fazer com que o melhorassem. Poderiam, depois, orgulhar-se de ter contribuído, de facto, para a construção de um bom plano diretor, documento tão importante e estruturante para Braga e seu desenvolvimento. É para isso que serve a oposição! Estar atenta ao que o executivo faz e dizer não, quando se trata de defender os interesses da população que nos elegeu.
Não me parece que tenha sido isto o que aconteceu na última AMB. Zangaram-se as “comadres”, efetivamente, mas não se descobriram as verdades…
A verdade é que muito pouco distingue as atuais forças políticas que se dizem na oposição, do partido mais votado que ainda não se habituou a não ter a maioria, a avaliar pela arrogância e sobranceria com que trata todos os outros grupos municipais!
Mas, pelos vistos, não terá mesmo de se habituar!! A dita “oposição”, por esta amostra (e ainda agora começamos o mandato), deixará o atual executivo continuar a fazer e a desfazer em Braga a seu bel-prazer, mesmo não tendo a maioria! Prova provada foi a discussão surda e contraditória da noite de 16 de janeiro no auditório do IPDJ, onde (aparentemente) ninguém concordou, mas também ninguém se opôs verdadeiramente!!
E assim vai a vida política em Braga, caríssimos concidadãos… Para isto, não contem com a CDU! O nosso compromisso é defender os interesses da população e, com mais ou menos deputados e vereadores, continuaremos a apostar numa política séria e limpa, sem rodeios nem receios.
Aqui fica um lema antigo que tenho sempre comigo e pelo qual tenho pautado a minha vida, política e não só: a fazer, faz-se bem feito! Para fazer mal feito, mais vale estar quieto!
Dito isto, devemos informar os bracarenses que Braga perdeu esta sexta-feira uma grande oportunidade de fazer bem feito um plano diretor, que estará em vigor nos próximos 10 anos e que ditará o desenvolvimento (ou não) da nossa região. O argumento ou desculpa da restante “oposição” não procede, quanto a nós. A CDU tem a convicção de que seria possível um melhor PDM para a cidade, mas outros não quiseram lutar por ele até ao final!
É esta a mensagem que deve ficar clara: foi desperdiçada uma excelente oportunidade de melhorar a qualidade de vida do bracarense comum, do que vive do seu trabalho e, com dificuldade, (não) consegue pagar uma habitação digna.
Uma mensagem direta para a dita oposição que desperdiçou esta oportunidade: o mal menor nunca deveria ser a opção. Os bracarenses merecem SEMPRE o melhor. Fomos eleitos para pugnar pelo melhor para Braga e não nos devemos contentar com menos. Mas foi o que aconteceu, efetivamente. Não adianta fazer intervenções ou declarações de voto a justificar o injustificável. Se não era o melhor, não se deixava passar! Como tão bem disseram nas tímidas justificações apresentadas, já esperamos tanto tempo pela aprovação desta 3a revisão do PDM, qual era a pressa agora?!
Não teria sido mais sensato esperar mais um pouco, obrigar o executivo municipal a melhorar o plano e depois aprová-lo sem reservas, na certeza de que se tratava do melhor para os bracarenses??
Não há desculpa! Aprovou -se um plano diretor que passa ao lado de questões fundamentais para a melhoria da qualidade de vida dos bracarenses, pelo que a CDU disse não! Não serve! Sem rodeios nem receios. Como o deveriam ter feito todos os que assim pensam (ou disseram que pensavam), em respeito pela população que em nós (todos) votou e confiou.


