
Neste 2025, a gestão de frotas nas empresas portuguesas deixou de ser apenas “logística” para se afirmar como uma área onde se decide margem, produtividade e até reputação. Este relatório anual reúne dados públicos e indicadores setoriais de 2025 para interpretar quatro dimensões que já não se podem analisar separadamente: custos, consumo, digitalização e sustentabilidade.
Custos: pressão fiscal e procura por previsibilidade
O primeiro eixo é simples: gerir frota é gerir custo recorrente e 2025 reforçou essa realidade. Do lado do combustível, os dados do 1.º trimestre mostram que a carga fiscal continua a pesar fortemente no preço final: 55,0% na gasolina 95, 49,5% no gasóleo rodoviário e 44,1% no Autogás.
Para as empresas, isto traduz-se em duas consequências diretas. A primeira é a necessidade de olhar para a frota com métricas de custo total (TCO), e não apenas com base no preço de aquisição. A segunda é a procura por contratos e modelos que reduzam incerteza (gestão de manutenção, pneus, sinistros, veículo de substituição e prazos), porque num cenário onde quase “metade do litro” é imposto, a margem de manobra tem de vir da operação.
Em paralelo, 2025 também foi um ano de dinamismo no mercado: de janeiro a novembro, as matrículas de ligeiros de passageiros em Portugal somaram 204.160 unidades, mais 7,7% do que no período homólogo. Este crescimento tende a alimentar decisões de renovação, mas com um filtro cada vez mais rigoroso sobre custos fixos e variáveis.
Consumo: sinais de ajustamento e mudança no mix
Do lado do consumo, os dados da EPCOL indicam movimentos diferentes consoante o produto. No 1.º trimestre de 2025, o mercado total de combustíveis rodoviários líquidos teve uma variação ligeiramente negativa face ao trimestre homólogo (-0,1%) e uma descida acentuada face ao trimestre anterior (-6,5%).
Mais à frente no ano, a informação setorial indica um padrão relevante para quem gere frotas: nas vendas anuais acumuladas comparando 2025 com 2024, verificou-se variação positiva apenas na gasolina e no autogás, enquanto o gasóleo rodoviário registou variação negativa.
O que isto significa na prática? Que 2025 consolidou uma tendência de diversificação energética e de revisão do “diesel como padrão” em alguns perfis de utilização, sobretudo quando o uso é urbano e previsível. Ao mesmo tempo, a oscilação trimestral sublinha a importância de atacar desperdícios silenciosos: quilómetros sem missão, tempos de ralenti, rotas mal desenhadas e manutenção reativa.
Digitalização: telemática como base para decisões
A terceira dimensão é a digitalização, com um papel crescente da conectividade e da telemática. O “Fleet and Mobility Barometer 2025” indica que 40% das empresas já adotaram ferramentas de telemática. O mesmo barómetro aponta ainda que o uso (ou intenção de uso) de dados telemáticos via plataforma está a ganhar espaço nos próximos anos, um sinal de que a digitalização está a migrar do “controlo” para a “decisão”.
Em termos empresariais, isto é decisivo: quem digitaliza a frota passa a gerir com base em padrões (consumo por tipologia de rota, incidência de travagens bruscas, utilização fora de horário, alertas de manutenção) e não por perceções. É também aqui que soluções de gestão de frotas entram como ferramenta de consolidação: centralizam dados, tornam-nos comparáveis e reduzem trabalho administrativo, permitindo que o gestor foque o que interessa: performance e custo.
Sustentabilidade: 2025 acelera na eletrificação (mas com condições)
O quarto eixo é a sustentabilidade, e aqui 2025 deixa um sinal quantitativo muito forte. Segundo a ACAP, de janeiro a novembro de 2025 as matrículas de ligeiros de passageiros eletrificados (elétricos, plug-in e híbridos elétricos) totalizaram 124.215 unidades (+32,1% face ao período homólogo). No mesmo intervalo, o total de ligeiros de passageiros foi 204.160. Ou seja: os eletrificados representam cerca de 60,8% do total nesse acumulado (cálculo a partir dos dois dados ACAP).
Para as empresas, isto não significa “eletrificar tudo já”. Significa que o mercado e a oferta estão a empurrar decisões, mas que a adoção bem-sucedida depende de condições: infraestrutura de carregamento, adequação das rotas e planeamento de parqueamento. Aliás, o próprio ecossistema europeu tem debatido metas e obrigações para frotas corporativas, com notícias recentes a indicar pressão política e industrial em torno de possíveis objetivos para veículos de empresa e do calendário regulatório.
Perspetivas para 2026: mais regulação, mais escrutínio e decisões “à prova de dados”
Para 2026, o que se antecipa é menos “calma” e mais escrutínio. Do lado fiscal e orçamental, o ACP reporta que o Governo estima arrecadar 5.367 milhões de euros em 2026 com impostos associados ao setor automóvel, mais 4,7% do que em 2025. Isto sugere continuidade de relevância económica do setor, e um incentivo indireto para as empresas continuarem a gerir custos com rigor.
Do lado regulatório europeu, as discussões sobre metas de emissões e políticas para frotas corporativas tendem a manter-se no radar em 2026, aumentando a importância de estratégias flexíveis e bem fundamentadas. Este ano mostrou que quem gere frota com dados (custos + consumo + telemática + impacto ambiental) ganha vantagem. Em 2026, essa vantagem deixa de ser “nice to have” e passa a ser condição para decidir bem e para não ficar preso nem a custos imprevisíveis nem a transições feitas por impulso


