
Foi recentemente anunciado o investimento de 1,4 milhões de euros para transformar a antiga escola primária de Celeirós num Centro de Acolhimento a Migrantes, financiado integralmente pelo PRR. O projeto prevê 16 alojamentos e programas de formação e integração profissional.
Portugal, enquanto país de emigrantes, sabe bem a importância de criar condições de acolhimento para quem procura aqui uma nova vida. Essa necessidade é legítima e não pode ser ignorada. Contudo, é impossível não olhar para este investimento à luz da realidade local e questionar as prioridades definidas.
Nos últimos anos, os investimentos realizados na União de Freguesias foram modestos quando comparados com o montante agora aplicado num único edifício.
Se olharmos para a Execução do Plano Plurianual de Investimentos de 2023, verifica-se uma especial atenção nas requalificações de vias e arruamentos, cerca de 800 mil euros.
Este total em requalificação de vias em 2023 representa um investimento, mas, como é fácil perceber, não se compara ao valor de 1,4 milhões de euros destinados a um único projeto de acolhimento de migrantes
Enquanto se canalizam milhões para um centro de âmbito nacional, os fregueses esperam respostas sociais básicas.
Ausência de investimento em Creches, apesar de os Censos de 2021 registar 940 crianças entre os 0 e 14 anos.
Ausência de investimento em lares de idosos com múltiplas valências, mesmo perante o envelhecimento progressivo da população.
Parques infantis desmantelados, sem investimento na sua requalificação, retirando às famílias espaços seguros para as crianças.
Ausência de um parque verde, essencial numa freguesia cada vez mais industrializada. O crescimento industrial é fundamental para a economia e para o emprego, mas não pode ser feito à custa da qualidade de vida de quem aqui reside.
Uma gestão pública responsável deve ser feita com prioridades claras. É preciso garantir primeiro creches, lares, parques infantis e zonas verdes, antes de avançar para projetos que não respondem às urgências imediatas da comunidade. E é fundamental explicar à população porque se investe mais num centro de acolhimento do que em todos os projetos locais de um ano inteiro.
E cabe aos decisores locais fazer a defesa dos interesses e necessidades da população, mesmo quando as decisões lhes são impostas a partir de instâncias superiores.
Não se trata de rejeitar a integração nem a solidariedade. Trata-se de exigir gestão equilibrada, transparente e com prioridades bem definidas.
A população de Celeirós, Aveleda e Vimieiro merece mais do que ser lembrada apenas pelo trânsito que inferna a vida de quem aqui vive e passa ou ceder espaços a projetos decididos de cima para baixo. Merece creches, parques, lares, zonas verdes e investimento direto na sua qualidade de vida.
Porque progresso verdadeiro não é apenas acolher quem chega. É, sobretudo, não esquecer quem cá está!
Artigo de Miguel Mendes, candidato à União de Freguesias de Celeirós, Aveleda e Vimieiro pela Iniciativa Liberal.


