
O concelho de Braga prepara-se para ir a eleições e eleger o seu terceiro presidente em democracia. Ricardo Silva é o candidato independente à Câmara Municipal de Braga pelo movimento “Amar e Servir Braga”. Com 44 anos, é licenciado em História e Arqueologia e é presidente da Junta de Freguesia de São Victor desde 2013, tendo sido reeleito em 2021 como independente.
O que motivou a sua candidatura à Câmara Municipal de Braga?
Eu diria que um exercício à frente da Junta de Freguesia de São Victor é sempre uma boa escola para perceber os problemas da cidade, perceber aquilo que afeta diretamente todos os cidadãos. Sendo que, eu diria que a coligação Juntos por Braga, aquela que é hoje candidata à Junta de Freguesia, acaba por justificar o aparecimento deste movimento de cidadãos. Uma candidatura a uma Junta de Freguesia que diz que é preciso trazer mais investimentos que ficou por fazer no Município, na Junta de Freguesia e que agora a Junta também precisa de mais delegação de competências, prova, de facto, que o Município não teve uma atuação igualitária para a Junta de Freguesia, mas teve uma política discriminatória e não tratou de todos por igual.
E, portanto, quanto mais não fosse, até por esta experiência de ter passado e ter vivido esse ato discriminatório, essa ausência de visão para a Junta de Freguesia, é para nós um perentório que emerge uma candidatura por parte dos cidadãos para tratar o território como um só e de forma coesa.
Que balanço faz destes 12 anos da coligação Juntos por Braga à frente da Câmara Municipal?
Eu diria que há aqui duas avaliações a fazer e bastante diferentes. Durante o primeiro mandato, os primeiros quatro anos foram, de facto, bastante profícuos naquilo que seria o desenvolvimento de cidade.
Nós hoje ainda temos a felicidade de saber, grande parte dos cidadãos sabem quem é o presidente da Câmara, sabiam quem eram os vereadores, sabiam quais eram as políticas que estavam a ser instituídas, mas a partir de meados do segundo mandato e este terceiro, notou-se aqui um declínio naquilo que são as opções de cidade. Percebeu-se a ausência de estratégia para o nosso território e percebeu-se que a política, conforme havíamos sido habituados no primeiro mandato, estava-se a degradar.
Não sei se de forma mais sobranceira, de forma mais nobre, de forma mais distante da população, e não basta obviamente fazer festas e andar na rua para dizer que há proximidade. A proximidade envolve outros preceitos e, portanto, achamos que o balanço neste último mandato é um ónus pesado para quem esteve em exercício na cidade. Obviamente que é com isto que nós não vivemos e, portanto, também temos que encontrar aqui políticas que vão ao encontro das necessidades da cidade e por isso é que achamos que o balanço é dividido em bom e mau.
Na sua ótica, quais as principais necessidades do concelho? Quais são os principais problemas que Braga enfrenta atualmente e como os pretende resolver?
Braga cresceu muito na década de 80 e 90, precisamente fruto daquilo que seria um movimento espontâneo de desenvolvimento da cidade, e aí Mesquita Machado terá feito o melhor que sabia e que conseguiu, mas não teve uma visão planeada de cidade. A verdade é que a cidade foi crescendo, mas um bocado de forma desorganizada, de forma aleatória e hoje recebemos os constrangimentos que isso traz, porque já neste exercício de governação de Ricardo Rio, percebemos que aumentou a população mas em cima das mesmas infraestruturas que vinham da década de 80 e de 90. O que é que isto faz? Faz acontecer que há aqui uma sobrecarga na nossa cidade que vai além dos limites do aceitável.
Há hoje um desgaste muito grande do espaço público. Nós percebemos que hoje há um aumento de trânsito, há um aumento de lixo, há um aumento dos preços da habitação, há uma dificuldade de aceder aos lugares de creche, aos lugares das estruturas residenciais para as pessoas idosas e vemos também aquilo que é hoje o decrescimento de uma cidade, que é, por exemplo, ter mais pessoas a dormir na rua. Nós hoje conseguimos identificar vários problemas.
Sejamos realistas, não há uma varinha mágica capaz de resolver todos os problemas de uma vez e de uma só vez. Isto exige planeamento, exige implementação de estratégias, e se há coisas que nos podem parecer hoje mais óbvias, como soluções para a mobilidade, soluções para a habitação, há outras matérias que vão exigir aqui outra profundidade, outra reflexão e chamar também os parceiros, nomeadamente na parte da associação social, na parte da educação, na parte da coesão territorial. Portanto, estou convencido que nós, ao longo destes próximos dias, iremos apresentar as nossas propostas de solução para todos estes temas e granjear a simpatia e a confiança da população de Braga.
Caso for eleito, o que pretende mudar no concelho nos próximos quatro anos?
A nossa primeira demanda é reorganizar os serviços municipais. É preciso, num espécie de coloquialismo, dizer que é preciso “arrumar a casa”. Hoje a Câmara não obedece a uma imagem corporativa. Muitas vezes os cidadãos deslocam-se à Câmara e vão falar com alguém do ambiente, com alguém do pelouro da cultura ou com alguém do urbanismo. Isto não é uma imagem corporativa que se queira para uma entidade pública. A entidade pública, ainda por cima, também tem que ser um bom pagador.
Hoje, quando nós vamos às coletividades ou visitamos empresas, sabemos que o Município está a pagar a seis meses, a nove meses, e as empresas e as associações precisam, obviamente, de uma instituição que seja credível, confiável e que pague a tempo certo. Ninguém vive a dar e vender. Portanto, se há compromissos e se há dinheiros públicos, têm que estar disponibilizados logo que acabe o serviço ou dentro de um período razoável após o serviço.
Aquilo que nós queremos é pôr uma “casa arrumada”, uma casa de contas certas e começar nestes próximos quatro anos a desenvolver os projetos que depois serão executados nos próximos mandatos, se a população assim confiar em nós.
Quais as propostas do seu partido para os mais jovens?
Temos muitas, mas posso dizer que temos uma que pode não ser a mais popular de todas, que é precisamente uma reorganização daquilo que devem ser os movimentos festivos da cidade. Nós acreditamos que o Município tem um papel de responsabilidade social e essa responsabilidade social deve obedecer um plano para a juventude, para o bom crescimento. A boa educação da juventude não pode assentar-se somente em festas onde se promove o consumo do álcool e de forma irresponsável e de forma desregrada. Na Noite Branca, muitas vezes, temos adolescentes de 14, 15 e 16 anos a consumir álcool em excesso e ninguém se preocupa em pedir bilhetes de identidade ou perceber se estão acompanhados pelos pais.
Isto não é uma forma aceitável de um Município promover as suas atividades festivas. Tem que haver responsabilidade social. Nós daqui poderíamos até hipotetizar porque é que o parceiro de um Município tem que ser uma cervejeira quando poderia ser até uma companhia de água.
Nós podemos levantar estas questões, mas dizer-vos que tem que haver uma reorganização das festas e com isto não estou a dizer que vamos acabar com as festas. As festas são precisas para a descompressão social, para promover o convívio, mas achamos que tem que haver aqui um compromisso pedagógico e social. Portanto, vamos reorganizar os eventos festivos e depois temos aqui eixos que têm que acertar muito na empregabilidade e na qualificação jovem.
Nós hoje, não nos compensa estar a fomentar a educação académica para um determinado setor se ele não tiver empregabilidade. Portanto, também temos que perceber hoje quais são as necessidades do nosso concelho, também para potenciar a empregabilidade e a empregabilidade qualificada. Temos que ter aqui o IEFP, os gabinetes de inserção profissional e as escolas técnicas, as profissionais, e este caráter geral como parceiros sociais.
Precisamos, obviamente, não só de reformular o acesso ou a maior facilidade na mobilidade, porque hoje sabemos que há jovens que podem deslocar-se em Braga de transporte público, de viatura particular, de bicicleta ou de trotinete, mas hoje a cidade é perigosa, sobretudo para os modos suaves. Quem se desloca e quem escolhe deslocar-se em bicicleta ou em modos suaves ou em transporte público tem que conseguir aceder, ou tem que sair do seu ponto de partida, e aceder ao seu destino de forma confiável e de forma segura.
Depois, temos que perceber como é que nós conseguimos ser um elemento transformador no eixo do mercado habitacional, porque nós hoje temos jovens a quererem se autonomizar e a não conseguir, porque um jovem em início de carreira não consegue pagar as rendas como elas estão ou mesmo assegurar uma prestação de uma casa.
Portanto, aquilo que nós queremos é que o Município também tenha um papel preponderante no mercado da habitação, sobretudo para conseguir potenciar aquilo que são as habitações a custo controlado, democratizando a acessibilidade à habitação. Portanto, nós estamos convencidos que temos propostas para ir ao encontro destas necessidades.
E para os seniores? Existem propostas?
Os seniores são uma matéria igualmente sensível como os jovens porque nós, muitas vezes, tendemos a falar para os seniores do ponto de vista do acesso aos lares ou às estruturas residenciais para as pessoas idosas.
Nós hoje sabemos que temos uma falta de oferta também a custos que sejam acessíveis para as famílias e temos de não correr o risco de ter um sénior que muitas vezes entra numa vaga do Estado Social e vai parar a um lar ou a uma estrutura residencial a Vieira do Minho.
Temos que ter outro tipo de atuação para evitar que os nossos seniores sejam descolocados e sejam colocados até em outras estruturas residenciais. Portanto, é necessário encontrar mais estruturas residenciais vagas, mas também é preciso promovermos o envelhecimento ativo, seja com exercício físico, seja com trabalhar a motricidade fina. É preciso trabalhar estas questões como o Município tem vindo a fazer, como a Academia Sénior. É importante, mas também é importante promovermos aqui, não só os cuidados de saúde básicos, e em primeira instância à população sénior, porque muitas vezes começam-se a isolar e, portanto, deixam de aceder muitas vezes aos seus cuidados primários de saúde. É preciso termos equipas que vão ao encontro dessas pessoas.
Uma das questões que muito nos preocupa, e que também experienciámos logo na pele, é precisamente a ausência de retaguarda familiar e o isolamento sénior. Há a ausência de retaguarda familiar por parte de alguns seniores e isso promove muito o isolamento social. Foi por isso que nós fizemos a Ceia de Natal em São Victor, tivemos de estimular esta familiaridade, este cuidar do próximo. Nós precisamos disso, precisamente tendo equipas que vão às casas das pessoas, fazer este levantamento e perceber que tipo de medidas é que nós também podemos estimular para quebrar esse isolamento. Há muitas pessoas que vão criticando, por exemplo, os convívios seniores na Malafaia, mas são essenciais precisamente para retirar as pessoas de casa.
Nós temos que ter aqui uma transversalidade de ações destinadas ao público sénior, sempre nesta ótica de cuidar da pessoa que, sobretudo em final de vida, merece dignidade, merece este cuidado e merece obviamente que políticos tenham este cuidado e esta proximidade.
Que mensagem quer deixar aos eleitores do concelho de Braga?
Eu diria que votar em Amar e Servir Braga é um voto de confiança seguro. Nós, a partir de agora, vamos ouvir provavelmente os dois principais partidos a dizer que é preciso apelar ao voto útil, mas o voto útil não se faz votando naqueles que se mostraram incapazes de corrigir os problemas do passado ou que ajudaram até a construir mais problemas em cima dos problemas que já existiam.
O voto útil é aquele que deve ser visto como o capaz de resolver os problemas e ajudar a construir soluções, e nós hoje temos uma equipa que está à vista de todos.
Nós somos a única candidatura que colocou os outdoors com a equipa das 11 pessoas propostas a vereadores precisamente para poderem analisar o seu nome, o seu currículo, o seu passado e mostrar que esta equipa é melhor que todas as outras porque tem mais experiência, porque tem mais conhecimento, porque tem muita vontade de fazer mais e melhor, usando até um chavão aqui de uma outra candidatura. Nós estamos convencidos que conseguimos fazer mais e melhor do que outras forças partidárias porque move-nos este grau de humanismo, esta vontade de humanizar a política e esta vontade de fazer diferente.
Fazer diferente não é apontar para as estrelas e dizer que vamos ser a capital do Norte. Não, nós só queremos ser a cidade do bem-estar e da qualidade de vida e se formos uma cidade feliz, seremos obviamente a melhor força política para o conseguir.





















