O Movimento Pais em Luta, que nasceu em Braga e reúne pais e familiares de crianças, jovens e adultos com deficiência, foi convocado para uma audição na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão da Assembleia da República, na sequência da entrega da petição “Movimento Pais em Luta reivindicam vagas em CACI ou CAVI por parte do Estado”, subscrita por mais de 18.600 cidadãos.
A petição visa alertar para “a grave falta de respostas sociais para pessoas com deficiência, em especial após o término da escolaridade obrigatória” e tem como foco “a escassez de vagas em Centros de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) e Centros de Apoio à Vida Independente (CAVI) em Portugal, com especial enfoque no distrito de Braga”.
A audição terá lugar na Assembleia da República no dia 22 de Janeiro, pelas 14:00, e terá a duração de aproximadamente uma hora. “Será uma oportunidade para os representantes do movimento apresentarem propostas concretas para enfrentar os problemas que têm afetado milhares de famílias”, refere o movimento.
A GNR registou 179 acidentes no distrito de Braga na semana de 12 a 18 de janeiro, que resultaram em duas vítimas mortais, quatro feridos graves e 49 feridos leves.
A GNR também detetou 6 infrações por excesso de velocidade.
A edição de 2026 do Campeonato Concelhio de Futebol Infantil, promovido pelo Município de Esposende, tem início no próximo dia 25 de janeiro, domingo, às 09:00, no Campo dos Sargaceiros, em Apúlia. A iniciativa volta a afirmar-se como um dos principais projetos de promoção da formação desportiva no concelho.
Nesta edição participam cerca de 700 atletas, com idades compreendidas entre os 4 e os 12 anos, integrados nos escalões de Petizes, Traquinas, Benjamins e Infantis, num total de 42 equipas. A competição envolve dez clubes do concelho: Antas Futebol Clube, ADRC Fonte Boa, Grupo Desportivo de Apúlia, Clube de Futebol de Fão, Forjães Sport Club, Desportivo Recreativo Estrelas de Faro, Gandra Futebol Clube, Associação Desportiva de Esposende, Futebol Clube de Marinhas e União Desportiva de Vila Chã.
O campeonato decorrerá entre os meses de janeiro e finais de maio, com jogos quinzenais, realizados aos domingos, entre as 09:00 e as 18:00, em vários estádios do concelho. Esta opção pela descentralização dos encontros pretende reforçar a proximidade à comunidade local e valorizar os diferentes territórios. À semelhança das edições anteriores, a entrada é livre.
A participação no Campeonato Concelhio de Futebol Infantil não acarreta quaisquer custos para os clubes e associações envolvidas. O Município de Esposende assegura toda a logística da competição e oferece bolas a todas as equipas participantes, reforçando o seu compromisso com a igualdade de oportunidades no acesso à prática desportiva.
O Forum Arte Braga inaugura, no próximo dia 24 de janeiro, a partir das 16:00, a exposição “A Grande Dança”, um projeto individual do artista Carlos Mensil, com curadoria de João Terras. A mostra integra a programação cultural da semana e convida o público a visitar uma proposta expositiva de entrada livre, patente até 24 de abril.
“A Grande Dança” parte de uma abordagem multidisciplinar para refletir sobre dinâmicas de interferência, entendidas tanto como fenómenos físicos como conceptuais. Ao longo da exposição, as instalações apresentam-se como campos de forças autónomos, mas simultaneamente ligados por uma mesma malha invisível e pulsante — a “grande dança do mundo”, expressão utilizada pelo físico teórico Carlo Rovelli no contexto da mecânica quântica.
A exposição conta com o apoio da DGArtes, Forum Arte Braga, ArtWorks, Oficina Mescla, Fisga e Paralaxe.
“A Grande Dança” permanecerá patente até 24 de abril, com entrada livre.
Os atletas dos Amigos da Montanha | Escola do Rio de Barcelos estiveram em destaque no Torneio de Salto em Altura e no Campeonato Zona Norte Absoluto, realizados a 17 e 18 de janeiro, com vários recordes pessoais, títulos regionais e um novo recorde regional de Braga nos 5.000 metros marcha.
Em destaque estiveram os recordes pessoais alcançados por Inês Pedro, Inês Coelho, Camila Machado, Leonor Cardoso, Gil Lemos, Tomás Silva, Rui Rodrigues e Frederica Vieira, esta última na disciplina de salto em altura, num claro sinal da evolução consistente dos jovens atletas do clube.
A nível competitivo, Inês Pedro, Leonor Cardoso e Tomás Linhares conquistaram títulos regionais. Nota especial para Tomás Linhares, que estabeleceu um novo Recorde Regional de Braga nos 5.000 metros marcha, quebrando uma marca que permanecia intacta há 15 anos.
“Estes resultados refletem o trabalho diário desenvolvido na secção de atletismo dos AM, assente no empenho dos atletas, na dedicação da equipa técnica e numa forte cultura de formação desportiva e pessoal. Mais do que medalhas e marcas, os Amigos da Montanha continuam a afirmar-se como um espaço de crescimento, onde se promovem valores como disciplina, respeito, responsabilidade e superação”, referem os Amigos da Montanha.
Se Pedro negou Cristo três vezes, ontem a direita tradicional também se negou 3 vezes: pequena no resultado, pequenina no candidato e pequeníssima na escolha final de não escolher um lado.
A pequena direita, o pequeno candidato e a pequena escolha
A direita que o PSD escolheu ser nesta eleição é a mesma que escolhe ser desde 1980: pequena, subserviente à bolha que manda e com medo de romper com o consenso socialista que domina o Estado. Pequena porque não é alternativa ao “Portugal do Estado PS”; pequena porque prefere gerir equilíbrios internos a disputar o futuro de Portugal.
O candidato que encarnou esta direita foi também “pequeno”. Luís Marques Mendes protagonizou, a pior derrota de sempre de um presidenciável apoiado pelo PSD, confirmando que a sua candidatura nunca foi um movimento de país, apenas um arranjo de aparelho. Pequeno na estatura, pequeno na ambição, pequeno na capacidade de inspirar um eleitorado farto de arranjinhos.
Pequena, por fim, nas escolhas de Luís Montenegro. Ventura foi deixando avisos… e dentro e fora do PSD multiplicaram‑se sinais de que Marques Mendes não passava de uma pequena teimosia pessoal, destinada a transformar‑se num grande problema para o partido. Ontem, ao anunciar que não dará indicação de voto na segunda volta, Montenegro assumiu a falta de coragem política em escolher entre o “Segur‑ismo” do socialismo progressista e a “A‑Ventura” da direita conservadora, preferindo a neutralidade confortável à responsabilidade de liderar…seja o que for.
Ventura, o grande vencedor numa noite pequena para o PSD
Contra o cenário de pequenez política na direita tradicional, André Ventura surge como o grande vencedor político da primeira volta. Grande na postura, porque não teve medo de enfrentar o eixo PS‑PSD‑CDS‑BE num ciclo em que toda a máquina mediática e partidária trabalhava para garantir que a segunda volta fosse apenas um ajuste interno do sistema. Grande na coragem, porque falou de temas que a “pequena direita” evitou durante décadas: segurança, imigração desregulada, corrupção sistémica, captura do Estado por oligarquias partidárias.
Grande na irreverência, recusando o papel de figurante na coreografia das presidenciais, e grande no sonho de um Portugal soberano, dono das suas fronteiras, das suas leis e das suas escolhas económicas. E grande, sobretudo, na mensagem que passa: há uma direita popular, moralmente convicta e sociologicamente relevante que já não aceita ser representada por pequenos candidatos escolhidos em pequenos conselhos nacionais para agradar a uma pequena bolha de comentadores.
Ventura não precisou de ficar em primeiro para assumir a liderança sociológica da direita. Os votos dizem o essencial: ele fala para um país que existe fora do circuito habitual dos favores, dos cargos e dos comentários. Ficou claro que o PSD não pode decidir a liderança da direita em reuniões internas; ela decide‑se nas urnas.
PSD refém: subserviente ao líder da direita ou fora da liderança
A próxima decisão do PSD é, em si mesma, um teste de grandeza. Se apoiar Ventura na segunda volta, reconhece‑o como líder da direita portuguesa e assume que o seu próprio falhanço. Se não o apoiar, coloca‑se deliberadamente fora da liderança da direita, escolhendo o conforto de ser pequeno a longo prazo, em troca de algum sossego pessoal imediato.
O paradoxo é brutal: com ou sem apoio, Ventura continuará a liderar a direita; com ou sem apoio, o PSD seguirá pequeno. Pequenos são os 10% sociológicos que obrigam a reler os quase 30% das legislativas como aquilo que sempre foram: um voto de “não PS” e “não CHEGA”. Pequeno, porque é difícil ser líder moral de um campo ideológico quando se tem medo de enfrentar o único candidato desse campo que mobiliza massas, atravessa gerações e impõe a agenda política, quer nos bairros periféricos, quer no centro do debate nacional.
Não é líder moral da direita quem quer, nem quem a máquina do PSD designa; é líder quem é reconhecido pelo povo que vota e milita, quem enche praças, quem dita a agenda, quem é atacado pelos adversários com uma intensidade que confirma a sua centralidade. Gostem ou não, é Ventura que ofusca e mete medo a Montenegro, o PSD e o CDS.
CDS: da direita escondida à pequena irrelevância
A imagem de Chicão, ex líder do CDS, nesta noite eleitoral é o retrato final da sua decadência: um partido que se dizia conservador e cristão a aplaudir um candidato socialista, lado a lado com o BE, em nome da “frente contra Ventura” é o mais baixo que a direita pode descer.
O CDS não morreu porque Ventura lhe “roubou” o espaço; morreu porque foi encolhendo a sua identidade até ficar pequeno demais para os seus próprios eleitores. Foram anos de “conservadorismo progressista” — fórmula vazia que serviu para esconder valores cristãos e identidade conservadora debaixo do tapete mediático. Perderam os valores e alguém os levou: quando o CDS prescindiu de ser conservador às claras, o CHEGA apareceu sem medo e sem complexos.
Os militantes…uns fugiram para o CHEGA, outros escaparam para o PSD ou IL, e o que restou foi uma minoria de “donos” do partido — meia dúzia de iluminados ligados por laços familiares e carreiras políticas, muito bem instalados no estado, nas empresas ou em estúdios de televisão (por condescendência do PS). Afinal, para quem fala Chicão quando apela a um voto socialista?
Soberanismo grande, Estado‑partidário pequeno
O alinhamento de BE, CDS e parte da direita tradicional com Seguro mostra que a verdadeira clivagem não é mais “direita vs esquerda”; é regime vs mudança, globalismo regulamentalista vs soberania democrática, Estado‑partidário vs Portugal real.
De um lado, PS, PSD, BE, PCP e afins defendem, com nuances de estilo, o mesmo modelo: um Estado gigante como máquina de distribuição de rendas, lugares e subsídios, onde mais de 2 milhões de pessoas continuam em risco de pobreza ou exclusão social apesar de décadas de políticas socializantes. Pequeno não é o Estado — esse é enorme; pequeno é o espaço que sobra à iniciativa, ao mérito, ao trabalho produtivo, à responsabilidade individual.
Do outro lado, Ventura representa um soberanismo que quer um Estado forte na autoridade e na proteção, mas pequeno na promiscuidade com partidos, grupos económicos e burocracias supranacionais que hoje condicionam quase tudo. Não se trata apenas de “menos Estado”, à maneira tecnocrática da IL; trata‑se de um outro tipo de Estado: menos dono, mais servidor; menos distribuidor de favores, mais garantidor de justiça e ordem; menos preso a diretivas de fora, mais comprometido com a vontade expressa nas urnas.
A divisão que importa em 2026 é, por isso, entre quem aceita um Portugal pequeno, administrado à distância por instituições que ninguém elegeu diretamente, e quem quer um Portugal grande na sua soberania, capaz de dizer “não” quando as diretivas externas contrariam o interesse nacional. Ventura inscreve‑se claramente neste segundo campo.
Entre gerações: não deixar os sonhos dos jovens a definhar num país pequeno
Os que fizeram a revolução há 50 anos têm vindo sistematicamente a favorecer pelo voto os beneficiários dessa mesma revolução, agora instalados no sistema. Ventura conseguiu algo que nenhum partido novo tinha conseguido: entrar nesse eleitorado idoso, falar para quem vive com pensões baixas, insegurança, serviços públicos degradados, e ainda assim sente orgulho em Portugal.
Mas essa conquista não pode transformar o CHEGA num partido “pequeno” aos olhos das novas gerações. Os jovens querem mais do que retórica moral; querem salários e impostos justos, querem empreender, ter família e construir futuro. A IL percebeu uma parte deste anseio e ocupou o vazio deixado quando o CHEGA abrandou o seu discurso económico liberal, trocando “conservador nos valores e liberal na economia” por fórmulas mais vagas de “conservadorismo moderno”.
Se o CDS escondeu o conservadorismo e deu ao CHEGA espaço para o reivindicar, o CHEGA não pode cometer o erro simétrico: esconder a economia e dar à IL o monopólio do discurso da mudança económica. É preciso dizer aos jovens que uma pequena IL nunca terá o “tamanho certo” para fazer a revolução económica que desejam; e que só um CHEGA grande, pode combinar respeito pelos idosos com a ousadia de entregar à juventude os meios de produção, a mobilidade social e a liberdade económica que permitam uma verdadeira revolução silenciosa de mérito, trabalho e criação de riqueza.
Contra uma redistribuição igualitária que nivela por baixo, Ventura pode propor um novo contrato social: grande no reconhecimento de quem trabalhou uma vida inteira, grande na aposta em quem quer começar hoje.
No fim, é disto que se trata: ou Portugal aceita continuar pequeno — com uma pequena direita, pequenos candidatos e pequenas escolhas — ou decide apostar num projeto grande, nacional, soberano, capaz de reconciliar pais, avós e filhos em torno de um futuro que não seja apenas a gestão triste de um presente falhado.
Ventura já mostrou que não tem medo de ser Grande.
Resta saber quantos portugueses querem, também eles, deixar de pensar pequeno.
O Brasil é, como disse Kleber Mendonça Filho numa das entrevistas que concedeu, um país em que se evita falar sobre as coisas. E a frase, embora aparentemente simples, é inquietantemente exacta, porque se aplica tanto ao filme como à própria geografia afectiva e histórica deste país, que tantas vezes prefere o silêncio ao confronto com o seu próprio passado.
É de “O Agente Secreto”, a mais recente obra de Kleber, que falo agora, um filme que desperta ansiedade e expectativa, não apenas por ter sido escolhido pelo Brasil para quem sabe, tentar uma vaga no panteão dos Óscares, tal como sucedeu com “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, mas sobretudo pela forma delicada e precisa com que aborda aquilo que normalmente se procura ocultar.
A narrativa inicia-se com Marcelo (um codinome), papel de Wagner Moura, cuja figura rapidamente se funde com a de um homem comum. Marcelo chega a Recife, cidade que Kleber conhece com intimidade e que os seus filmes parecem habitar com a mesma devoção com que se habita uma memória própria, num Fusca discreto, carregando uma vida aparentemente banal, uma esposa falecida, um filho, um sogro que trabalha numa sala de projecção de cinema. Mas o quotidiano de Marcelo, como tantas vezes sucede em períodos de opressão, é apenas a superfície de um oceano de incertezas.
O homem entra num prédio em que uma pequena comunidade se oculta, um espaço onde o medo é mais do que atmosfera, é lei reticente. O espectador, à semelhança de Marcelo, não sabe em quem confiar, e é exactamente essa dissonância que faz do filme uma alegoria tão precisa da ditadura de 1977.
Dentro desse prédio, os símbolos multiplicam-se com subtileza: uma gata de dois rostos, olhares furtivos, gestos contidos que denunciam tensões invisíveis. É nesta quase suspensão do real que a ditadura se manifesta, não se trata apenas de repressão explícita, mas de um medo difuso, de uma vigilância permanente e do reconhecimento de que qualquer acto, por mínimo que pareça, pode ser interpretado como subversão. Marcelo é de repente participante involuntário de um estado de excepção, revelando-nos que a opressão, para ser eficaz, não precisa de escolher alvo por mérito ou ideologia, basta existir, existir com liberdade mínima, para ser suficiente motivo de perseguição.
E é nesta moldura de terror subtil que o filme se torna simultaneamente memória e resistência. Para Andrei Tarkovski, o cinema não capturava apenas imagens, capturava o tempo, a sua passagem, e o modo como este gravava a vida na memória do espectador. Cada plano de “O Agente Secreto” parece assim interiorizar esta máxima, preservando não apenas a cidade de Recife, com os seus carros, as suas esquinas e lendas urbanas como a da perna cabeluda, mas também a sensação temporal de uma época, a tensão invisível, o medo e a ansiedade que permeavam os dias, o silêncio que sufocava e a urgência de viver apesar de tudo.
Mas, tal como Tim Burton nos lembra, o estranho e o grotesco também são línguas da verdade. A estética quase caricatural de certos detalhes, como a gata de dois rostos ou a referência ao clássico “Tubarão”, de Steven Spielberg, enfatiza a estranheza da vida sob repressão e a fragilidade da humanidade quando confrontada com o absurdo da vigilância e do perigo intangível. A memória, nesse sentido, não é apenas histórica, é sensível e afectiva. É a memória de um espaço que nos toca, que nos envolve, que nos torna conscientes daquilo que fomos e do que corremos o risco de esquecer.
Os actores são a pulsação desta memória. Wagner Moura deixa de ser actor para se tornar Marcelo: os seus olhares medem o medo, os gestos traduzem hesitações que as palavras não conseguem conter, e a sua presença é simultaneamente discreta e magnética. Tânia Maria, como Dona Sebastiana, imprime ao filme uma dimensão humanamente brasileira; ela é simultaneamente guardiã, avó, vizinha e memória viva do Brasil profundo, e nela vi a minha finada e querida avó Zezé, mãe do meu pai, que tanto me faz falta.
Há ainda subtilezas nos pequenos papéis: Carlos Francisco, Hermila Guedes, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Rony Vilela, Maria Fernanda Cândido, Isabél Zuaa e Udo Kier, todos orquestrando nuances que revelam vidas entrelaçadas com a história e com o perigo, vidas que o espectador apenas pode observar quase com reverência, porque o silêncio é lei e a compreensão é lenta.
A Lei da Anistia de 1979, mencionada com precisão pelo realizador, torna-se sombra sobre a narrativa. Perdoou os perpetradores, ignorou as vítimas e consolidou o hábito nacional de evitar certas conversas, de criar esquecimentos institucionais. O filme rompe esse remanso, evocando aquilo que o país tantas vezes prefere não revisitar: mortes arbitrárias, privilégios ilegítimos e uma opressão disfarçada de mundo perfeito, à maneira de “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll. É um vestígio não só dos que foram atingidos, mas de toda uma sociedade que, muitas vezes sem consciência disso, carregava as marcas do regime, o medo e as feridas latentes impostas pelo Estado.
Mas “O Agente Secreto” é também, paradoxalmente, ternura e tato. Ao preservar a memória da cidade, ao delinear com delicadeza as relações humanas, o medo de Marcelo, a paciência de Dona Sebastiana, a atenção de Cláudia, o cuidado de um sogro num cinema de rua, Kleber transforma o filme em acto de resistência e em celebração da humanidade que persiste mesmo quando o mundo parece conspirar contra ela. Cinema, aqui, é arte e energia, é a projecção da memória, é o recuo do esquecimento, é a arma contra a tragédia das coisas. Wim Wenders disse que a câmara é uma arma; Kleber, com paciência e precisão, prova-o.
O filme não é apenas histórico nem destinado apenas ao público brasileiro, é universal. Mostra que os efeitos de um estado de excepção, de um regime totalitário, não se limitam a elites ou militantes, mas atingem todos. Marcelo, um simples professor universitário, sofre e resiste como os heróis anónimos da cidade, aqueles que caminham pelas ruas do Recife, que observam pelas janelas e que se escondem com medo, amor e esperança. Esta é a lição mais profunda do filme, a de que a coragem nem sempre é grandiosa ou visível, mas se manifesta, muitas vezes, em pequenos gestos de sobrevivência, amizade, memória e afecto.
Saí do cinema meio atravessado. A gente entra inteiro, sai remexido. O olhar muda, o ar entra diferente, o mundo parece outro. De repente, o poder, o medo e o silêncio ganham cara, corpo, cheiro. O filme faz pensar no país, na gente, no tanto que guardamos sem dizer. “O Agente Secreto” fala de ditadura, de memória, de cidade, de gente viva. E, no fim das contas, fala é da coragem silente de continuar a sentir, mesmo quando falar pesa, mesmo quando lembrar dói.
E é nesse silêncio bonito, quase calado, que o filme se ajeita e respira. Tem ali uma ternura qualquer, uma atenção miúda ao outro, dessas que a gente quase não repara, mas sente. Quando a sessão acabou, deu-me uma tristeza boa, uma saudade funda, daquelas que apertam o peito e fazem a gente suspirar baixinho, como quem se despede devagar. Parecia que o cinema tinha fechado a porta atrás de nós e deixado à solta a memória e a presença, para andarem por aí, a tocar-nos na pele, a embaraçar a garganta, a ficar no ar entre um olhar e outro.
A 8.ª edição da Corrida de Ano Novo de Esposende realizou-se no passado sábado, reunindo cerca de 2.400 participantes e afirmando-se como um dos eventos desportivos de referência do concelho. A iniciativa integrou a Kids Run, uma corrida competitiva de 10 quilómetros e uma caminhada de 8 quilómetros, mobilizando atletas de diferentes idades e níveis de preparação.
Na prova masculina dos 10 quilómetros, Ricardo Dias, do Atlético Clube da Póvoa de Varzim, foi o vencedor, ao concluir o percurso em 31m47s. O segundo lugar foi alcançado por Rodrigo Viana, do ZL Pace Lab, com o tempo de 33m15s, seguindo-se Adelino Sousa, que fechou o pódio com 33m36s.
No setor feminino, a vitória pertenceu a Doroteia Peixoto, da equipa Team El Comandante, que completou a prova em 37m51s. Rute Ferreira, do Miles & Vibes, classificou-se na segunda posição, com 41m28s, e Suzete André alcançou o terceiro lugar, com 42m33s.
A Corrida de Ano Novo marcou o arranque do calendário desportivo de 2026 promovido pelo Município de Esposende, que inclui, entre outras iniciativas, o Trail de Esposende, a Meia Maratona do Cávado e a corrida Esposende Marginal à Noite.