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“Elio”: a infância como último idioma da paz

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© Elio
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O ano de 2026 começou com a solenidade pesada dos anúncios que ninguém quer ouvir, mas que todos fingem compreender. As notícias chegaram alinhadas, graves, cheias de verbos musculados: raptar, bombardear, anexar, sancionar, intervir. Palavras que dispensam o diálogo e só querem obediência. O mundo entrou no novo ano como entra um adulto numa sala onde já sabe que vai discutir, braços cruzados, maxilar tenso, convicto de que tem razão antes mesmo de ouvir o outro.

No centro deste palco volta a surgir Donald Trump, agora mais à vontade, mais seguro do próprio impulso, menos preocupado em disfarçar o gosto pelo confronto. Um segundo mandato tende sempre a libertar os instintos, como se a História deixasse de ser juíza para se tornar plateia. A escolha de um secretariado afinado pelas mesmas notas ideológicas confirma isso. Menos mediação, mais eco. E quando o poder passa a falar consigo próprio, o mundo costuma pagar a conta.

A América Latina reaprende, a contragosto, a palavra intervenção. A captura de Nicolás Maduro, em território estrangeiro, reabre fantasmas que nunca chegaram a dormir profundamente. O petróleo volta a impor-se como linguagem universal, mais persuasiva do que qualquer tratado ambiental. A Groenlândia reaparece no mapa não como território habitado, mas como promessa mineral. África, por sua vez, repete o ciclo amargo das fardas que prometem ordem e entregam dor. No Médio Oriente, as imagens de crianças sob escombros insistem em contrariar a retórica cirúrgica das guerras modernas.

É um mundo muito sério, este. Excessivamente sério. Tão sério que se esqueceu de perguntar se faz sentido. É precisamente neste cenário que surge “Elio”. Um filme da Pixar, dirão alguns, como se isso fosse sinónimo de evasão ou ligeireza. Um filme de animação, acrescentarão outros, quase pedindo desculpa por falar de algo que não usa gravata nem carrega pastas diplomáticas. No entanto, há poucas propostas tão radicalmente políticas como colocar uma criança no centro de uma narrativa sobre diplomacia, poder e conflito.

Elio é um miúdo solitário, órfão, deslocado, criado numa base militar, metáfora que não poderia ser mais transparente. Cresce rodeado de antenas, radares e protocolos, mas ninguém lhe explica como lidar com a ausência, com o medo, com a sensação de não pertencer. O mundo adulto cumpre funções, mas falha afectos. É nesse vazio que nasce a ideia mais perigosa do filme: comunicar.

Não se trata de conquistar, dominar ou sequer defender. Trata-se de comunicar. Quando Elio envia uma mensagem para o espaço, fá-lo com a convicção ingénua de quem ainda acredita que ser ouvido é possível. Não pede alianças estratégicas nem promete vantagens comerciais. Diz apenas que está ali. Que existe. Que gostaria de falar. O equívoco que o transforma em embaixador da Terra é, no fundo, uma ironia cruel. Só por engano uma criança chega a representar o planeta. Se fosse escolha consciente, talvez nunca acontecesse.

No Communiverso, essa assembleia intergaláctica que funciona como caricatura luminosa das organizações internacionais, Elio confronta-se com versões exageradas dos nossos próprios impasses. Lorde Grigon, obcecado por poder e reconhecimento, parece saído de uma reunião de conselho de administração misturada com uma cimeira militar. Procura submissão, não entendimento, vitória, não acordo. No fundo, o seu problema não é ideológico, mas emocional, como sucede na maioria dos conflitos prolongados.

Elio, por outro lado, não sabe bem como ser embaixador. E talvez seja isso que o salva. Não domina a linguagem da ameaça, não entende o charme da intimidação, não acredita na eficácia do medo. Quando tenta reproduzir o discurso adulto, negociar a partir de uma posição de força, soa falso, quase patético. O filme é claro nesse ponto. As fórmulas do poder são aprendidas, não naturais. E podem ser desaprendidas.

Enquanto os adultos do mundo real contabilizam guerras apaziguadas como se fossem troféus, Elio descobre algo mais simples e mais difícil. Ninguém muda se não for visto. A amizade com Glordon, filho do vilão, é o gesto político mais eficaz do filme. Não porque resolve tudo, mas porque desloca o eixo da narrativa. Em vez de inimigos abstractos, surgem indivíduos. Em vez de blocos, surgem afectos.

É impossível não pensar no contraste. Cá fora, no planeta Terra, continuamos a falar de povos inteiros como problemas, de regiões como ameaças, de jovens como riscos demográficos. Em África, a explosão populacional é descrita como dado estatístico, raramente como conjunto de vidas sem horizonte. Na Palestina, crianças são números que cabem em relatórios, mas não em decisões. Na América Latina, governos são tratados como obstáculos logísticos ao acesso a recursos.

Tudo isto é excessivamente racional, estratégico e adulto, e talvez seja precisamente por isso que falhe. Fica uma inquietação difícil de ignorar na hipótese que Elio insinua. A de que uma criança poderia, efectivamente, fazer melhor. Não por ser mais inteligente, mas por ser menos cínica. Não por desconhecer o conflito, mas por ainda não o ter naturalizado. As crianças perguntam porquê até à exaustão. Os adultos, quando deixam de saber responder, dizem porque é assim.

O tapa-olho azul de Elio transforma-se, a certa altura, num símbolo involuntário. Não de deficiência, mas de escolha. Ver menos para sentir mais. Reduzir o campo de visão estratégica para ampliar o campo da empatia. Talvez o mundo precise de tapar um dos olhos treinados para o domínio e reaprender a olhar com o outro, ainda imperfeito, ainda vulnerável.

No fim do filme, não há vitória total, nem paz definitiva. Há entendimento suficiente para evitar a destruição. Talvez seja isso que mais falta às narrativas políticas contemporâneas. A aceitação de que a paz não é um estado final, mas um exercício contínuo, frágil, trabalhoso. As crianças sabem isso instintivamente. Fazem as pazes hoje para voltar a discutir amanhã, sem transformar cada conflito numa guerra identitária.

O mundo de 2026 parece decidido a repetir erros antigos com tecnologias novas. Orçamentos militares crescem, discursos endurecem, alianças fecham-se como punhos. No meio disto, um filme infantil lembra-nos algo quase indecente. Falar ainda é uma opção. Ouvir ainda é uma possibilidade. E a imaginação, essa palavra que os adultos associam a lazer, pode ser ferramenta política de primeira ordem.

Talvez as guerras não acabem porque faltam armas mais sofisticadas, mas porque sobram certezas. Talvez não precisemos de líderes mais fortes, mas de perguntas mais simples. Talvez, no fim de contas, o mundo não precise de crescer mais depressa, mas de desaprender parte daquilo que chama maturidade.

Se um miúdo como Elio pode, por engano, salvar uma galáxia, talvez o nosso maior erro seja continuar a achar que apenas os adultos sabem o que estão a fazer.

Guimarães acolhe 1.º Encontro da Rede de Associações de Estudantes

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© CM Guimarães
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A Juventude de Guimarães vai lançar a Rede de Associações de Estudantes, promovendo o seu primeiro encontro na sexta-feira, 27 de fevereiro, às 16:30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Guimarães.

Esta rede nasce com o objetivo de “criar um espaço estruturado de diálogo e cooperação entre as Associações de Estudantes do concelho e o Executivo Municipal”, representado pela vereadora da Juventude, Isabel Ferreira.

O encontro pretende “conhecer de perto a realidade das associações, identificar dificuldades e desafios sentidos nas escolas e reforçar a proximidade institucional”. Será também uma oportunidade para apresentar problemas e necessidades concretas; conhecer a estrutura e o funcionamento da Câmara Municipal; estabelecer um canal aberto e permanente de comunicação; partilhar experiências e boas práticas desenvolvidas nas escolas e estreitar relações e reforçar compromissos de trabalho conjunto.

“Este momento inaugural marca o início de um novo modelo de participação jovem no concelho, baseado na escuta ativa, na colaboração e na construção conjunta de soluções. Com esta iniciativa, o Município de Guimarães reafirma o seu compromisso com uma juventude mais participativa, envolvida e próxima das decisões que impactam a sua comunidade”, refere a Câmara de Guimarães.

Eixo Atlântico coloca habitação, imigração e combate à pobreza como prioridades para 2026

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© CM Famalicão
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O presidente da Câmara de Famalicão Mário Passos, participou na Assembleia Geral do Eixo Atlântico, realizada na Câmara Municipal da Corunha, e que reuniu as 41 entidades que integram a organização. O acesso à habitação, os fluxos migratórios e o combate à pobreza e à exclusão social foram os principais temas a debate, áreas que se consolidam como eixos centrais da entidade e marcam a sua agenda de trabalho para 2026.

Estes desafios estruturam o programa de atividades para 2026, aprovado durante a reunião, e orientado para reforçar a coesão social e territorial. O programa organiza-se em torno de três grandes eixos: sustentabilidade urbana, desenvolvimento económico e desenvolvimento social, com especial atenção à integração da população migrante, à coesão social e à garantia de condições dignas de habitação.

Entre as prioridades destacam-se a atualização da Agenda Urbana, o acompanhamento do Mapa de Infraestruturas e o planeamento urbano sustentável, como instrumentos-chave para reduzir desigualdades e prevenir situações de pobreza nos municípios do Eixo Atlântico.

A Assembleia Geral ratificou também o orçamento para 2026, que ascende a cerca de 5,5 milhões de euros, bem como as contas e o relatório de gestão correspondentes ao exercício anterior. O programa aprovado inclui atividades culturais, educativas e desportivas, juntamente com iniciativas de inovação social e turismo policêntrico e de autor.

No plano internacional, foi reforçada a estratégia de cooperação, consolidando relações com cidades da América Latina, Cabo Verde, México, Cuba e Argentina, e fortalecendo os laços com a AECID e o Instituto Camões.

Esposende vai apresentar a 27.ª edição do “Março com Sabores do Mar”

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© CM Esposende
© CM Esposende

O Município de Esposende vai apresentar a 27.ª edição do evento “Março com Sabores do Mar”, que se realiza na quinta-feira, 26 de fevereiro.

O evento irá decorrer às 10:30, no Centro de Informação Turística de Esposende e contará com a presença de Carlos Silva, presidente da Câmara Municipal de Esposende.

O “Março com Sabores do Mar” visa a promoção do acervo gastronómico do concelho, especialmente no que respeita aos pratos de peixe e mariscos.

Famalicão: Arnoso Santa Maria vai reviver solenidades do Senhor dos Passos

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© Confraria do Senhor dos Passos de Santa Maria de Arnoso
© Confraria do Senhor dos Passos de Santa Maria de Arnoso

A comunidade paroquial de Santa Maria de Arnoso, Arciprestado de Vila Nova de Famalicão, revive, nos dias 28 de fevereiro e 1 de março, as tradicionais Solenidades do Senhor dos Passos, celebrações características e próprias do tempo da Quaresma.

As celebrações, iniciam-se no sábado, dia 28, às 18:00, com a Eucaristia, seguindo-se o IV Concerto PAIXÃO DO SENHOR, às 21:30, com participação do Grupo Etnográfico Rusga de Joane.

Já no domingo, 1 de março, às 10:30, realiza-se a Eucaristia em honra do Senhor dos Passos, solenizada pelo grupo coral da paróquia, Eucaristia Jovem, na Capela do Senhor dos Passos. Segue-se, às 14:30, a receção à Banda Marcial de Arnoso e às autoridades religiosas e civis, na Escola Básica Conde de Arnoso.

Às 15:00, inicia-se a solene Procissão dos Passos com o Sermão do Pretório no Multiusos – Casa de Arnoso a cargo do Reverendo Padre Manuel António Barbosa Moreira. Prossegue-se com a procissão pelas ruas da freguesia, com vários figurados, representando quadros bíblicos da Paixão de Cristo.

Destacam-se alguns dos pontos altos que marcam e enriquecem esta celebração, como o Sermão do Encontro, canto da Verónica no decorrer da procissão ao Alto do Calvário, sendo esta acompanhada pela Banda Marcial de Arnoso. De regresso ao Multiusos – Casa de Arnoso, prossegue-se com o Sermão do Calvário e representação do quadro bíblico relativo à Morte do Senhor.

Findas as cerimónias, serão entregues os diplomas aos novos Irmãos da Confraria do Senhor dos Passos. São inúmeras as razões para participar nestes momentos de oração, de intenso simbolismo, constituindo claras manifestações da Fé

Atleta de Famalicão morre durante prova de BTT

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© Os Santa Apolónia
© Os Santa Apolónia

Paulo Guimarães, atleta natural e residente na Pousada de Saramagos, em Famalicão, morreu este domingo durante uma prova de BTT, em Vila do Conde.

De acordo com o Cidade Hoje, o desportista, de 55 anos, terá sofrido uma doença súbita e não resistiu.

“Hoje despedimos-nos de um verdadeiro atleta, mas acima de tudo de um grande ser humano. Partiste cedo demais, mas deixaste marcas que o tempo jamais apagará. A tua garra, a tua disciplina e o teu espírito de equipa serão sempre exemplo para todos nós. Nos treinos, nas competições e na vida, ensinaste-nos que desistir nunca é opção. Continuarás a correr, a lutar e a vencer… agora noutra dimensão. Serás sempre um dos nossos. Descansa em paz campeão”, pode ler-se numa nota partilhada pelo clube Os Santa Apolónia. 

À família e amigos, a Braga TV endereça as mais sinceras condolências.

Guimarães recebe Encontro Nacional de Expedicionários a Timor

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© AVLP
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O 54.º Encontro Nacional de Expedicionários a Timor vai realizar-se no dia 24 de maio, na cidade de Guimarães.

A iniciativa é organizada pelos Katuas de Guimarães, com o apoio da Associação Veteranos Lanceiros de Portugal, constituindo um momento nacional de homenagem, memória e confraternização entre antigos militares e suas famílias.

O encontro visa “reforçar os laços históricos entre Portugal e Timor-Leste, bem como valorizar o serviço prestado pelos veteranos portugueses naquele território antiga província ultramarina portuguesa”.

O programa decorrerá em locais emblemáticos de Guimarães, com início no Convento dos Capuchos, integrando momentos solenes, culturais e de convívio.

Programa

  • 10:00 – Entrega de credenciais no Convento dos Capuchos
  • 10:30 – Homenagem ao Patrono do Exército Português, D. Afonso Henriques, ao Povo de Timor e aos Katuas já falecidos
  • 11:30 – Porto de Honra e visita ao percurso museológico Santa Casa da Misericórdia de Guimarães e ao Museu Militar – Casa do Lanceiro
  • 12:30 – Deslocação em caravana automóvel 
  • 13:00 – Almoço de confraternização na Penha 

As inscrições podem ser feitas para o número 935 504 448.

O que está em causa na nova estrutura da Câmara de Braga

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© CHEGA
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A Câmara Municipal de Braga aprovou, na sua última reunião, uma profunda alteração à estrutura orgânica dos serviços municipais, apresentada pelo Executivo Juntos por Braga como uma reforma de modernização e de poupança. O Senhor Presidente garantiu que “com esta orgânica, reduzimos em mais de 100 mil euros por ano a despesa com cargos dirigentes”, como se tivesse encontrado a fórmula mágica da boa gestão. Mas, quando olhamos para os números e para o desenho concreto da máquina, a “poupança” revela-se um argumento frágil e politicamente inquietante.

O vereador do CHEGA, Filipe Aguiar, teve aqui um papel particularmente relevante: foi o primeiro a confrontar de forma clara esta narrativa, não só na intervenção política, mas sobretudo no voto. A sua declaração de voto assumiu uma crítica frontal à duplicação do custo das Direções Municipais de topo – que passa de cerca de 18 mil para cerca de 37 mil euros mensais – enquanto a poupança global de cerca de 100 mil euros por ano resulta, em larga medida, da eliminação de chefias de base. Também o ASB votou contra, o que merece ser registado como sinal de coerência face às críticas que fez ao desenho desta organigrama. Já PS e IL, apesar de intervenções muito alinhadas com o diagnóstico de Filipe Aguiar – denunciando a criação de lugares para “elegíveis” não eleitos e o risco de instrumentalização da máquina municipal – optaram por se abster, permitindo a aprovação da proposta.

Os dados são, porém, teimosos. Há menos oito chefias, sim, nos níveis intermédios, enquanto se reforça a “cabeça” com Direções Municipais mais numerosas e mais caras. O que se corta nos “sargentos” serve, em grande medida, para reforçar os “generais”. Se pensarmos em termos de uma família que vai ao talho, isto equivale a comprar menos carne para a mesa, trocando peito de frango por menos quantidade de lombo de vitela – o preço por quilo sobe, a quantidade total desce e, no fim, há menos para servir à família. É difícil, neste contexto, sustentar que se está a “emagrecer” o Estado local; está-se, antes, a redistribuir gordura para o topo.

Daqui nasce a dimensão política mais sensível, que marcou o debate: a perceção de que estes novos lugares de direção superior e de direção intermédia de 1.o grau podem servir, em parte, para acomodar quadros ligados à candidatura vencedora que não foram eleitos pelos bracarenses. Filipe Aguiar falou de “vereadores invisíveis”: diretores municipais que, sem terem recebido um único voto, passam a desempenhar funções de comando político sobre a máquina, tal como o próprio regulamento admite quando fala em “garantir a ligação do comando político da autarquia às demais unidades orgânicas”. Outros, designadamente IL e PS, foram mais longe nas insinuações sobre os potenciais beneficiários destes lugares,

apontando para nomes bem colocados na lista da coligação Juntos por Braga que ficaram fora da vereação. Não me compete transformar suspeitas em certezas, mas enquanto cidadã não posso ignorar a sensação de que se abre uma porta larga para premiar lealdades políticas através da estrutura municipal.

É precisamente neste ponto que importa distinguir o papel institucional do vereador Filipe Aguiar – que, com serenidade, levantou dúvidas legítimas sobre a concentração de poder no topo e a criação de “vereadores invisíveis” – da minha leitura mais livre enquanto bracarense. Eu posso dizê-lo de forma mais direta: esta organigrama faz lembrar uma criatura em que a cabeça cresce para o dobro, enquanto o corpo emagrece e perde músculo. Menos chefias de proximidade, menos coordenação operacional, mais direções “estratégicas” com salários reforçados. Não é difícil perceber quem ganha e quem perde neste desenho.

O que mais me surpreende é ver partidos que, no plano nacional, se apresentam como defensores dos trabalhadores – como o PS – centrarem quase toda a sua crítica na suspeita de “colocação” de nomes, deixando nas mãos do CHEGA a defesa mais óbvia de quem está mais abaixo na hierarquia salarial: os técnicos e coordenadores que garantem o funcionamento diário dos serviços. No plano do discurso, PS, IL e ASB partilharam a leitura política de que esta reforma favorece a integração de não eleitos em lugares de topo; no momento da votação, apenas CHEGA e ASB levaram essa crítica até às últimas consequências, votando contra. A coragem política mede-se também aqui: na capacidade de transformar a palavra em ato.

Como bracarense, não considero errado que a Câmara queira poupar; considero, isso sim, que a poupança tem de ser real e equilibrada, e não um exercício de contabilidade criativa. Se o Estado local corta em seis “sargentos” que formam recrutas para contratar mais três generais de três estrelas, não está a servir melhor o município nem os munícipes; está apenas a reforçar o topo, esperando que ninguém repare na fatura.

A reunião de Câmara deixou, por isso, duas mensagens importantes: há um consenso alargado na oposição quanto aos riscos desta reforma, mas nem todos estiveram disponíveis para assumir um voto consequente; e o vereador Filipe Aguiar, em conjunto com o ASB, manteve uma posição coerente e limpa, sem ataques pessoais, mas sem se deixar intimidar pelo argumento fácil da “poupança”.

Eu, Mónica Jerónimo Lopes, escrevo este texto não como deputada municipal, mas como cidadã que vive, trabalha e se preocupa com Braga. E, desse lugar, espero que esta nova orgânica não se transforme na confirmação dos piores receios: uma máquina com menos braços para trabalhar e mais cabeças para mandar. Porque, se assim for, não será apenas um erro político; será uma má notícia para todos os que acreditam que o serviço público começa por quem está mais perto dos cidadãos, e não por quem está mais perto do gabinete do poder.

SC Braga vence CS Marítimo por 0-2

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© SC Braga
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A equipa feminina do SC Braga venceu o CS Marítimo por 0-2, em jogo correspondente à 12.ª jornada da Liga BPI.

Aos 56′, Malu Schmidt, numa jogada de insistência, inaugurou o marcador. À passagem do minuto 72′, foi a vez de Ásdís fazer o gosto ao pé, ao assinalar o 0-2 que se manteve até ao final.

O SC Braga segue na quinta posição da tabela classificava com 16 pontos.

Santuário do Sameiro celebra missa animada pelos Arautos do Evangelho

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© CM Braga
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O Santuário de Nossa Senhora do Sameiro, em Braga, celebra todos os domingos uma Missa animada pelos Arautos do Evangelho. A celebração irá decorrer às 18:00, na Basílica deste santuário Mariano.

Todos os domingos, às 18:00, há homilia na Basílica com os Arautos do Sameiro — um momento de recolhimento, doutrina e elevação espiritual. Participe connosco”, convidou a Confraria do Sameiro.