Foi inaugurada, este domingo, a renovada e ampliada sede do Agrupamento 442 de Oliveira Santa Maria, em Famalicão.
A intervenção, que contou com um apoio municipal na ordem dos 105 mil euros, visa “proporcionar melhores condições às atividades desenvolvidas pelos cerca de 80 famalicenses que integram este agrupamento de escuteiros”.
O momento contou com a presença do presidente da Câmara Municipal, Mário Passos, bem como do presidente da Junta de Freguesia, António Pereira, e do vereador das Freguesias, Augusto Lima.
Na inauguração, Mário Passos destacou “a importância social do projeto e o papel das instituições que formam as novas gerações”. “Este espaço traduz o nosso compromisso com as pessoas e com as instituições que contribuem diariamente para a formação dos nossos jovens. Com esta intervenção, estamos a valorizar e a dar ainda mais vida ao excelente trabalho que o agrupamento tem vindo a desenvolver na comunidade ao longo de mais de meio século”, sublinhou o edil.
A sede do Agrupamento 442 de Oliveira Santa Maria, que se prepara para assinalar 55 anos de existência no próximo ano, funciona desde 2017 na antiga Escola Primária do Mosteiro.
O fígado é um órgão com múltiplas e diferentes funções, entre elas: a síntese de proteínas, lípidos e hidratos de carbono; o armazenamento e libertação de hidratos de carbono na circulação, permitindo manter estáveis os níveis de açúcar no sangue; a síntese de ácidos biliares, para a produção de bílis; destoxificação, convertendo produtos tóxicos noutros passiveis de ser excretados; e ainda uma importante função imunológica, contribuindo no combate a infeções.
O reconhecimento precoce das doenças hepáticas é fundamental para podermos tratá-las atempadamente e proteger as funções (vitais!) deste órgão nobre.
Algumas dessas doenças, as mais frequentes, são amplamente conhecidas, mais ativamente procuradas, e por isso mais prontamente diagnosticadas e tratadas. São exemplos a infeçao pelos vírus da hepatite B e C, a doença hepática alcoólica e metabólica (fígado gordo).
Outras, no entanto, são raras, menos conhecidas pelos clínicos, não procuradas ativamente e, por isso, de diagnóstico mais difícil e tardio, atrasando o início de tratamento especializado. É neste último grupo que nos focamos, a propósito do Dia Mundial das Doenças Raras, que se assinala a 28 de fevereiro.
As doenças hepáticas raras correspondem a um grupo heterogéneo de patologias que afetam o fígado e que, de acordo com a definição europeia, apresentam uma prevalência inferior a um caso por cada duas mil pessoas.
Entre estas, destacam-se as doenças metabólicas: são doenças genéticas, hereditárias, que ocorrem por defeitos em diferentes vias do metabolismo e afetam diferentes sistemas de órgãos, além do fígado.
As doenças metabólicas que mais frequentemente causam doença na idade adulta são a hemocromatose hereditária, a doença de Wilson e o défice de alfa-1-antitripsina. A hemocromatose hereditária ocorre por alteração do metabolismo do ferro, que se acumula nos diferentes órgãos. Caracteriza-se por doença hepática, diabetes (por deposição de ferro no pâncreas), doença cardíaca, doença das articulações, aspecto bronzeado da pele. A doença de Wilson decorre de um defeito no metabolismo do cobre, que se deposita principalmente no fígado e no sistema nervoso central. Assim, para além da doença hepática, os doentes podem apresentar-se com alterações do comportamento, do movimento e da fala. O défice de alfa-1-antripsina, ocorre por uma mutação que resulta na produção dessa proteína num formato anómalo. A acumulação da proteína alterada no fígado leva a ocorrência da doença hepática e a sua falta no pulmão leva ao aparecimento precoce de doença pulmonar.
Existem muitas outras doenças metabólicas, a maioria das quais se manifesta na infância, frequentemente com um quadro de má progressão estaturo-ponderal, podendo ainda ocorrer, consoante as vias do metabolismo envolvidas, hipoglicémias (por incapacidade de armazenar e libertar açúcar no sangue), alterações neurológicas (pelas hipoglicemias ou por acumulação de compostos metabólicos tóxicos), colestase (por acumulação de ácidos biliares, que não são usados para produzir bílis e se acumulam, conferindo coloração amarela à pele, cor escura da urina e prurido).
Além das doenças metabólicas, existem outras, que envolvem sobretudo mecanismos de autoimunidade e se manifestam mais frequentemente na idade adulta. São exemplos a colangite biliar primária e colangite esclerosante primária: doenças causadas por inflamação das vias biliares e que impedem o normal fluxo de ácidos biliares, levando à ocorrência de colestase.
A maioria destas doenças, por terem natureza genética ou autoimune, não apresentam cura. Contudo, desde que adequadamente diagnosticadas, para muitas delas existem tratamentos que permitem que se mantenham controladas, sem progressão, e permitindo levar uma vida normal (por exemplo, através do controlo dos níveis de ferro na hemocromatose ou dos níveis de cobre na doença de Wilson).
Quando a progressão não pode ser evitada, os doentes podem desenvolver doença hepática aguda ou terminal. Nestes casos, o transplante hepático poderá ser a única opção.
Embora nem sempre seja possível prevenir o aparecimento das doenças hepáticas raras, o diagnóstico precoce assume um papel central na melhoria do prognóstico. Em determinadas situações, o rastreio familiar permite identificar portadores assintomáticos ou doentes em fases iniciais, possibilitando uma vigilância adequada e a intervenção antes do surgimento de complicações irreversíveis. A literacia em saúde e a sensibilização da população para estas patologias contribuem igualmente para uma procura mais precoce de cuidados médicos.
Assinalar o Dia Mundial das Doenças Raras é, acima de tudo, uma oportunidade para reforçar que a raridade não deve significar invisibilidade.
A Comissão de Festas de Santa Eulália e São José, de Tenões, Braga, está a convidar a população a saborear papas de sarrabulho no dia 8 de março, em regime take-away.
As encomendas poderão ser efetuadas através dos contactos: 964 750 999 e 917 856 026.
Rui Rocha afirmou que o Grupo Parlamentar da Iniciativa Liberal vai dar entrada na Assembleia da República de um requerimento com um conjunto de perguntas dirigidas ao Ministério da Administração Interna sobre as circunstâncias que levaram a PSP a impedir a exibição na bancada de uma tela preparada pelos adeptos do SC Braga, no passado sábado.
Num vídeo publicado nas redes sociais, Rui Rocha, deputado à Assembleia da República e vereador na Câmara Municipal de Braga, realça que “as forças da ordem devem ser defendidas sempre que atuam dentro dos limites da lei”, mas sublinhou também “a intransigência da Iniciativa Liberal na defesa da Liberdade de Expressão”.
Rui Rocha salienta ainda que “esta questão se coloca independentemente do Estádio ou dos adeptos em causa”. “É um problema de eventual violação da Liberdade de Expressão que seria levantado independentemente do local onde tivessem ocorrido os factos”, salienta.
No requerimento, salienta-se que “não estavam em questão mensagens ou comportamentos violentos por parte dos adeptos e são formuladas questões relativas ao fundamento para que a PSP tivesse impedido a exibição da coreografia em causa, aos riscos identificados e ao histórico de decisões semelhantes”.
O deputado e vereador esclareceu ainda que, em função das respostas, tem intenção de “desencadear as ações que se revelarem adequadas aos factos apurados”.
A ilustradora Iolanda Guimarães vai apresentar o (POD)ilustrar, um novo projeto autoral que propõe uma abordagem inovadora ao formato podcast: um podcast ilustrado, totalmente visual e escrito, onde não há som — há leitura, imagem e interpretação gráfica da conversa.
De acordo com a autora, “o projeto nasce de entrevistas e diálogos reais que são posteriormente transformados em narrativas visuais compostas por texto, ilustração e pequenos momentos animados. Cada episódio constrói-se a partir da voz e da experiência do convidado, mas ganha forma através do desenho, aproximando-se da linguagem da banda desenhada e do diário visual”.
Iolanda Guimarães reforça que “os convidados vêm de diferentes áreas — artistas, escritores, neurocientistas, caras conhecidas da sociedade e pessoas que fazem parte da minha vida — criando um conjunto plural de perspetivas, memórias e visões do mundo. O objetivo é preservar a essência da conversa e transformá-la numa experiência de leitura visual, pensada para ser fruída com tempo e atenção. Com o ‘(POD)ilustrar)’, procuro explorar novas formas de narrativa digital, cruzando entrevista, ilustração e movimento, e contribuindo para a reflexão sobre como as histórias podem ser contadas, registadas e perpetuadas visualmente”.
O primeiro episódio vai estrear no domingo, 1 de março, no Instagram oficial do projeto.A partir da estreia, os episódios terão periodicidade bimestral.
A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, a Guarda Nacional Republicana e a Polícia de Segurança Pública lançam, amanhã, dia 24 de fevereiro, no distrito de Braga, a Campanha de Segurança Rodoviária “Ligue-se à vida – Não ao telemóvel”, integrada no PNF – 2026. Até 2 de março, as ações estendem-se também aos distritos de Santarém e Aveiro.
A campanha visa sensibilizar os condutores, para os riscos associados à utilização do telemóvel, durante a condução, a qual aumenta em quatro vezes o risco de acidente, provocando um atraso no tempo de reação a situações imprevistas, superior ao efeito de uma Taxa de Álcool no Sangue (TAS) de 0,8 g/l.
“A evidência mostra ainda que, a uma velocidade de 50 km/h, desviar o olhar para o telemóvel, durante apenas três (3) segundos, corresponde a percorrer cerca de 42 metros sem ver a estrada — o equivalente ao comprimento de uma fila de 10 carros. Entre 1 de janeiro de 2023 e 31 de dezembro de 2025, a distração ao volante — na qual se inclui o uso do telemóvel — esteve na origem de 12.215 acidentes em que se apurou que, pelo menos, um dos condutores circulava distraído. Para além de colocar em risco a própria vida e a de terceiros, a utilização do telemóvel ao volante implica penalizações, designadamente: coima de 250 € a 1.250 €; perda de três pontos na carta de condução; e inibição de conduzir por um período de um a 12 meses”, refere a GNR
Com o propósito de contribuir para a diminuição do risco de ocorrência de acidentes e para a adoção de comportamentos mais seguros, por parte dos condutores, no que respeita à utilização do telemóvel durante a condução, a campanha integrará ações de sensibilização da ANSR em território continental e dos serviços das administrações regionais dos Açores e da Madeira, nas regiões autónomas; e operações de fiscalização pela GNR e pela PSP, com enfoque especial em vias de maior intensidade de tráfego.
As ações de sensibilização da ANSR decorrem em simultâneo com as operações de fiscalização das Forças de Segurança, nas seguintes datas, horários e localidades:
A ANSR, a GNR e a PSP recordam que “a utilização do telemóvel, durante a condução, aumenta em quatro vezes o risco de acidente; a 50 km/h, olhar para o telemóvel, durante 3 segundos, corresponde a conduzir uma distância de 42 metros, com os olhos vendados, o equivalente a uma fila de 10 carros; utilizar o telemóvel, durante a condução, provoca um aumento no tempo de reação a situações imprevistas, superior ao efeito de uma taxa de álcool no sangue de 0,8 g/l; delsigue o telemóvel, ligue-se à vida”.
Esta é a segunda de um total de 11 campanhas, previstas no âmbito do PNF de 2026, a desenvolver até novembro, combinando ações de sensibilização e de fiscalização em todo o território nacional.
Desde o início da campanha, em maio de 2022, já foram esterilizados 825 animais de companhia, no concelho da Póvoa de Lanhoso.
“A esterilização dos animais constitui o método de eleição no combate à sobrepopulação canina e felina. A este facto, juntam-se inúmeros benefícios para a saúde dos animais”, refere a Câmara da Póvoa de Lanhoso.
Partindo desta realidade, o Município da Póvoa de Lanhoso, em colaboração com associações (CAPA – Clube de Adoção e Proteção de Animais, Movimentos Gatos de Rua e Bigodes de Ouro), iniciou este processo de controlo da natalidade de cães e gatos que permitiu que, numa primeira fase, fossem abrangidos os animais de rua. Um segundo momento destinou-se a cães e gatos com donos, podendo estes beneficiar de esterilizações a preços mais reduzidos.
Esta campanha continua a decorrer e as pessoas interessadas devem dirigir-se à respetiva Junta de Freguesia ou aos serviços veterinários municipais.
Estes números, provenientes dos Serviços Veterinários Municipais da Póvoa de Lanhoso, juntam-se aos referentes à campanha de vacinação antirrábica e identificação eletrónica, realizada, em 2025, em cooperação com a Direção Geral da Alimentação e Veterinária, que permitiu vacinar cerca de 481 animais e identificar, com microchip, 242 animais.
No ano passado, foi ainda possível restituir aos donos 20 animais que se encontravam perdidos, bem como encaminhar para adoção 20 canídeos. Foram ainda realizadas 54 transferências de titularidade.
Atualmente, existem mais de 14.000 animais de companhia da Póvoa de Lanhoso registados no SIAC – Sistema de Informação de Animais de Companhia.
A Quercus quer que os portugueses saibam, a cada mês, para que fins é usada a água armazenada nas barragens.
“As intempéries ocorridas em Portugal provocaram graves danos a muitos portugueses, com os quais a Quercus está solidária. No entanto, a sequência anómala de tempestades que assolou o país proporcionou também uma acumulação de riqueza hídrica nas barragens nacionais, que estão atualmente nos seus níveis máximos de armazenamento de água. Este é um facto absolutamente extraordinário num país que tem sido crescentemente vulnerável à escassez de água. Por isso, é fundamental garantir aos portugueses que esta abundância hídrica é utilizada de forma eficiente”, refere a Quercus.
Para tal, a Quercus instou a Agência Portuguesa do Ambiente a ir “mais além da informação disponibilizada no portal oficial sobre a monitorização das albufeiras”, passando a tornar públicos, com uma periodicidade mensal, qual a duração prevista do armazenamento de água: projetar e anunciar qual o período temporal assegurado pelas disponibilidades hídricas, em meses ou anos, para fazer face a situações de seca extrema (mesmo não chovendo); e a percentagem de água utilizada por setor e por barragem, complementando os boletins semanais e a informação no portal Info Água com a água utilizada para consumo humano em cada barragem; Água utilizada para a indústria em cada barragem; a água utilizada para a agricultura em cada barragem, de modo a responder às necessidades de rega mesmo em épocas de seca extrema; e a água utilizada para a produção de energia hidroelétrica em cada barragem: enquanto principais beneficiárias das cheias recentes (produção de energia hídrica aumentou 17,8% desde o início do ano), as empresas produtoras de energia podem e devem contribuir para o fundo público de apoio a futuras catástrofes já anunciado pelo Governo, através de uma sobretaxa correspondente a uma percentagem dos lucros extraordinários desta atividade.
A disponibilização pública e periódica desta informação é, para a Quercus, uma “oportunidade única” para verificar e fiscalizar os consumos e usos de todos os setores, bem como as suas ineficiências setoriais; a ferir as potenciais perdas ambientais e económicas por não medição; contabilizar as potenciais perdas indevidas de receitas; identificar oportunidades de melhoria e todos os elementos necessários para se efetuar uma gestão eficiente da água em Portugal; e garantir transparência na gestão de um bem essencial ao país, assegurando que a monitorização pormenorizada dos seus usos por barragem é pública.
A presidente da Quercus, Alexandra Azevedo, lançou o desafio à APA “para reativar o Conselho Nacional da Água, parado há 3 anos, com a marcação de um plenário com especialistas, com caráter de urgência, para ser discutida a gestão da água em Portugal”.
O ano de 2026 começou com a solenidade pesada dos anúncios que ninguém quer ouvir, mas que todos fingem compreender. As notícias chegaram alinhadas, graves, cheias de verbos musculados: raptar, bombardear, anexar, sancionar, intervir. Palavras que dispensam o diálogo e só querem obediência. O mundo entrou no novo ano como entra um adulto numa sala onde já sabe que vai discutir, braços cruzados, maxilar tenso, convicto de que tem razão antes mesmo de ouvir o outro.
No centro deste palco volta a surgir Donald Trump, agora mais à vontade, mais seguro do próprio impulso, menos preocupado em disfarçar o gosto pelo confronto. Um segundo mandato tende sempre a libertar os instintos, como se a História deixasse de ser juíza para se tornar plateia. A escolha de um secretariado afinado pelas mesmas notas ideológicas confirma isso. Menos mediação, mais eco. E quando o poder passa a falar consigo próprio, o mundo costuma pagar a conta.
A América Latina reaprende, a contragosto, a palavra intervenção. A captura de Nicolás Maduro, em território estrangeiro, reabre fantasmas que nunca chegaram a dormir profundamente. O petróleo volta a impor-se como linguagem universal, mais persuasiva do que qualquer tratado ambiental. A Groenlândia reaparece no mapa não como território habitado, mas como promessa mineral. África, por sua vez, repete o ciclo amargo das fardas que prometem ordem e entregam dor. No Médio Oriente, as imagens de crianças sob escombros insistem em contrariar a retórica cirúrgica das guerras modernas.
É um mundo muito sério, este. Excessivamente sério. Tão sério que se esqueceu de perguntar se faz sentido. É precisamente neste cenário que surge “Elio”. Um filme da Pixar, dirão alguns, como se isso fosse sinónimo de evasão ou ligeireza. Um filme de animação, acrescentarão outros, quase pedindo desculpa por falar de algo que não usa gravata nem carrega pastas diplomáticas. No entanto, há poucas propostas tão radicalmente políticas como colocar uma criança no centro de uma narrativa sobre diplomacia, poder e conflito.
Elio é um miúdo solitário, órfão, deslocado, criado numa base militar, metáfora que não poderia ser mais transparente. Cresce rodeado de antenas, radares e protocolos, mas ninguém lhe explica como lidar com a ausência, com o medo, com a sensação de não pertencer. O mundo adulto cumpre funções, mas falha afectos. É nesse vazio que nasce a ideia mais perigosa do filme: comunicar.
Não se trata de conquistar, dominar ou sequer defender. Trata-se de comunicar. Quando Elio envia uma mensagem para o espaço, fá-lo com a convicção ingénua de quem ainda acredita que ser ouvido é possível. Não pede alianças estratégicas nem promete vantagens comerciais. Diz apenas que está ali. Que existe. Que gostaria de falar. O equívoco que o transforma em embaixador da Terra é, no fundo, uma ironia cruel. Só por engano uma criança chega a representar o planeta. Se fosse escolha consciente, talvez nunca acontecesse.
No Communiverso, essa assembleia intergaláctica que funciona como caricatura luminosa das organizações internacionais, Elio confronta-se com versões exageradas dos nossos próprios impasses. Lorde Grigon, obcecado por poder e reconhecimento, parece saído de uma reunião de conselho de administração misturada com uma cimeira militar. Procura submissão, não entendimento, vitória, não acordo. No fundo, o seu problema não é ideológico, mas emocional, como sucede na maioria dos conflitos prolongados.
Elio, por outro lado, não sabe bem como ser embaixador. E talvez seja isso que o salva. Não domina a linguagem da ameaça, não entende o charme da intimidação, não acredita na eficácia do medo. Quando tenta reproduzir o discurso adulto, negociar a partir de uma posição de força, soa falso, quase patético. O filme é claro nesse ponto. As fórmulas do poder são aprendidas, não naturais. E podem ser desaprendidas.
Enquanto os adultos do mundo real contabilizam guerras apaziguadas como se fossem troféus, Elio descobre algo mais simples e mais difícil. Ninguém muda se não for visto. A amizade com Glordon, filho do vilão, é o gesto político mais eficaz do filme. Não porque resolve tudo, mas porque desloca o eixo da narrativa. Em vez de inimigos abstractos, surgem indivíduos. Em vez de blocos, surgem afectos.
É impossível não pensar no contraste. Cá fora, no planeta Terra, continuamos a falar de povos inteiros como problemas, de regiões como ameaças, de jovens como riscos demográficos. Em África, a explosão populacional é descrita como dado estatístico, raramente como conjunto de vidas sem horizonte. Na Palestina, crianças são números que cabem em relatórios, mas não em decisões. Na América Latina, governos são tratados como obstáculos logísticos ao acesso a recursos.
Tudo isto é excessivamente racional, estratégico e adulto, e talvez seja precisamente por isso que falhe. Fica uma inquietação difícil de ignorar na hipótese que Elio insinua. A de que uma criança poderia, efectivamente, fazer melhor. Não por ser mais inteligente, mas por ser menos cínica. Não por desconhecer o conflito, mas por ainda não o ter naturalizado. As crianças perguntam porquê até à exaustão. Os adultos, quando deixam de saber responder, dizem porque é assim.
O tapa-olho azul de Elio transforma-se, a certa altura, num símbolo involuntário. Não de deficiência, mas de escolha. Ver menos para sentir mais. Reduzir o campo de visão estratégica para ampliar o campo da empatia. Talvez o mundo precise de tapar um dos olhos treinados para o domínio e reaprender a olhar com o outro, ainda imperfeito, ainda vulnerável.
No fim do filme, não há vitória total, nem paz definitiva. Há entendimento suficiente para evitar a destruição. Talvez seja isso que mais falta às narrativas políticas contemporâneas. A aceitação de que a paz não é um estado final, mas um exercício contínuo, frágil, trabalhoso. As crianças sabem isso instintivamente. Fazem as pazes hoje para voltar a discutir amanhã, sem transformar cada conflito numa guerra identitária.
O mundo de 2026 parece decidido a repetir erros antigos com tecnologias novas. Orçamentos militares crescem, discursos endurecem, alianças fecham-se como punhos. No meio disto, um filme infantil lembra-nos algo quase indecente. Falar ainda é uma opção. Ouvir ainda é uma possibilidade. E a imaginação, essa palavra que os adultos associam a lazer, pode ser ferramenta política de primeira ordem.
Talvez as guerras não acabem porque faltam armas mais sofisticadas, mas porque sobram certezas. Talvez não precisemos de líderes mais fortes, mas de perguntas mais simples. Talvez, no fim de contas, o mundo não precise de crescer mais depressa, mas de desaprender parte daquilo que chama maturidade.
Se um miúdo como Elio pode, por engano, salvar uma galáxia, talvez o nosso maior erro seja continuar a achar que apenas os adultos sabem o que estão a fazer.
A Juventude de Guimarães vai lançar a Rede de Associações de Estudantes, promovendo o seu primeiro encontro na sexta-feira, 27 de fevereiro, às 16:30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Guimarães.
Esta rede nasce com o objetivo de “criar um espaço estruturado de diálogo e cooperação entre as Associações de Estudantes do concelho e o Executivo Municipal”, representado pela vereadora da Juventude, Isabel Ferreira.
O encontro pretende “conhecer de perto a realidade das associações, identificar dificuldades e desafios sentidos nas escolas e reforçar a proximidade institucional”. Será também uma oportunidade para apresentar problemas e necessidades concretas; conhecer a estrutura e o funcionamento da Câmara Municipal; estabelecer um canal aberto e permanente de comunicação; partilhar experiências e boas práticas desenvolvidas nas escolas e estreitar relações e reforçar compromissos de trabalho conjunto.
“Este momento inaugural marca o início de um novo modelo de participação jovem no concelho, baseado na escuta ativa, na colaboração e na construção conjunta de soluções. Com esta iniciativa, o Município de Guimarães reafirma o seu compromisso com uma juventude mais participativa, envolvida e próxima das decisões que impactam a sua comunidade”, refere a Câmara de Guimarães.