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Canil de Barcelos ultrapassou as 400 doações

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As obras de ampliação do Centro de Recolha Oficial de Animais de Barcelos – CROA, em Gamil, foram inauguradas este sábado. Com um custo total de cerca de 650 mil euros, esta obra triplica agora a capacidade do espaço.

À capacidade inicial de 21 jaulas para cães, 10 para gatos e 2 para sequestro sanitário, juntam-se agora mais 54 jaulas para cães e 12 para gatos, reforçando sobretudo o alojamento de canídeos.

Desde o início de funcionamento, em 2023, o CROA já recolheu 553 animais, promoveu 423 adoções e alberga, atualmente, 52 animais (33 cães e 19 gatos). Desde 2025, com recursos humanos especializados e novos equipamentos, já foram realizadas 41 cirurgias.

O Município de Barcelos mantém diversos acordos de colaboração com associações de proteção animal, reforçando o trabalho em rede nesta área. Em articulação com estes parceiros, o CROA desenvolve um conjunto de valências fundamentais como a recolha de animais errantes, campanhas de esterilização, vacinação antirrábica, intervenções cirúrgicas, feiras de adoção e ações de sensibilização junto de escolas, ATL, creches, jardins de infância e IPSS, promovendo de forma contínua o bem-estar animal e uma adoção responsável e consciente.

25 de Abril: a liberdade que ainda falta cumprir

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© IL
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Assinalar o 25 de Abril é mais do que recordar uma data histórica; é reafirmar que a liberdade não é um dado adquirido, mas um processo contínuo que exige vigilância e renovação permanente. Em 1974, Portugal libertou-se da ditadura, mas os desafios da liberdade hoje já não se colocam apenas no plano político formal, colocam-se na capacidade real do sistema democrático responder às pessoas.

Atualmente, muitas das limitações à liberdade não decorrem da ausência de democracia, mas do modo como o Estado funciona. A excessiva burocracia, a centralização das decisões e a lentidão das respostas criam um país onde o sistema existe mais para si próprio do que para servir os cidadãos. Isso sente-se na saúde, com dificuldades de acesso e longas listas de espera; na habitação, que exclui jovens e famílias; no trabalho, com salários que não acompanham o custo de vida; e na educação, onde o mérito continua muitas vezes refém da origem social e de um modelo pouco adaptado ao futuro.

Sente-se também na justiça lenta, na insegurança que persiste em várias dimensões da vida social, numa administração pública pouco ágil e ainda demasiado burocrática, e num sistema fiscal que penaliza quem trabalha e investe. Soma-se a isto um problema estrutural mais profundo: a perda de jovens talentos que são forçados a procurar fora do país as oportunidades que aqui não encontram, comprometendo o futuro coletivo.

Honrar o 25 de Abril hoje significa ter a coragem de reformar o País. Significa aproximar Portugal dos países europeus mais desenvolvidos, libertando o país do excesso de rigidez e devolvendo às pessoas maior capacidade de decisão sobre a sua vida. Mais liberdade implica menos barreiras, mais responsabilidade individual e mais confiança nos portugueses. Só assim a promessa de Abril se cumpre plenamente: não apenas como memória, mas como futuro.

Carlos Vicens: “Temos de entrar em campo com uma mentalidade forte”

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© SC Braga
© SC Braga

O SC Braga defronta, este domingo, às 18:00, o CD Santa Clara, nos Açores, em jogo a contar para a 31.ª jornada da I Liga. Na antevisão, Carlos Vicens referiu que o adversário fará tudo para vencer, mas que os Gverreiros terá de entrar em campo com “uma mentalidade forte”.

“O CD Santa Clara é um rival que vai tentar ganhar, porque precisa de pontos para confirmar a tranquilidade e nós vimos de um jogo a meio da semana. Vamos ver como estão os jogadores para vermos quem colocar a jogar para darmos o máximo. A experiência deste ano ajuda-nos a gerir o onze de amanhã, sabendo que há uma viagem a fazer, houve jogo a meio da semana, tivemos um jogo complicado, contra uma equipa que vai dar tudo. Temos de ser capazes de compensar o desgaste, de ter menos pernas com uma mentalidade forte”, disse o treinador.

“Teremos de compensar isso com uma energia extra, com mentalidade forte, ter humildade e ter uma eficácia alta na área adversária”, finalizou.

Barcelos volta a receber o “Bamos às Cruzes” com muita música

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© Victor Rodrigues / Joana D'Arc / Ana Duarte / Ruizinho do Acordeão
© Victor Rodrigues / Joana D’Arc / Ana Duarte / Ruizinho do Acordeão

A cidade de Barcelos volta a receber música e animação em mais um “Bamos às Cruzes” que decorre de 24 de abril a 2 de maio.

A iniciativa irá decorrer no Jardim das Barrocas e está integrada na programação das Festas das Cruzes.

Programa

24 de abril (sexta-feira)

  • Joana D’Arc
  • Lilas, Shell, Iven R, Pedro Guimarães

25 de abril (sábado)

  • Amigos da Sobreposta
  • Diogo Fonseca, Andrego, Marss Hall, Lilas

30 de abril (quinta-feira)

  • Víctor Rodrigues
  • João Fernandes B2B
  • Pedro Caldas, All IN
  • Diogo Faria, Lilas

1 de maio (sexta-feira)

  • Ana Duarte
  • Tiago TT, Andrego
  • Sérgio Vale, Lilas

2 de maio (quinta-feira)

  • Ruizinho do Acordeão
  • Lilas, Joca Veloso, Shell, Pedro Pena

Braga: Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva recebe I Fórum da Restauração

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A Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva recebe, na próxima segunda-feira, 27 de abril, o I Fórum da Restauração – Profitecla Braga.

A sessão irá decorrer pelas 09:00, com a Sessão de Abertura deste Fórum, evento dedicado à partilha de conhecimentos, experiências e boas práticas no setor da restauração.

Este fórum contará com a presença de diversos profissionais de referência nas áreas da cozinha, restaurante e bar, incluindo momentos de debate em painel e workshops práticos, proporcionando uma abordagem dinâmica e enriquecedora para todos os participantes.

O evento seguirá um programa previamente definido, integrando diferentes momentos ao longo do dia, desde painéis de discussão a sessões práticas orientadas por especialistas do setor.

Barcelos com transportes gratuitos para a Festa das Cruzes

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© CM Barcelos
© CM Barcelos

A Câmara Municipal de Barcelos volta a disponibilizar transportes gratuitos para a Festa das Cruzes. Pelo terceiro ano consecutivo, além dos TUBA urbano “especial Vai e Vem”, estarão disponíveis 23 parques de estacionamento com lugar para cinco mil viaturas.

Este ano, o serviço TUBA urbano “Vai e Vem” tem sete linhas e onze viaturas:

  • Linha Vermelha > Vila Boa – Barcelos – Vila Boa
  • Linha Verde > Lijó – Barcelos – Lijó
  • Linha Azul > Tamel São Veríssimo – Barcelos – Tamel São Veríssimo
  • Linha Castanha > Barcelinhos – Barcelos – Barcelinhos
  • Linha Laranja > Rio Covo Santa Eugénia – Barcelos – Rio Covo Santa Eugénia
  • Linha Amarela > Vila Frescaínha São Pedro – Barcelos – Vila Frescaínha São Pedro
  • Linha Rosa > Arcozelo – Barcelos – Arcozelo

Os itinerários das linhas do serviço Especial TUBA Urbano Vai e Vem podem consultados aqui.

No dia 30 de abril, o TUBA Urbano “especial vai e Vem” funcionará das 21:00 às 02:00, em complemento ao serviço TUBA Urbano.

Nos dias 1, 2 e 3 de maio o serviço TUBA Urbano “especial Vai e Vem” funcionará das 09:00 às 02:00, em substituição ao serviço TUBA Urbano.

Durante o período da Festa das Cruzes, de 30 de abril a 3 de maio, todo o serviço TUBA (urbano e urbano “especial Vai e Vem”) será gratuito.

A CP – Comboios de Portugal também se associa à Festa das Cruzes e, nos feriados de 1 e 3 de, vai alargar a oferta de lugares disponíveis no serviço Inter-regional 830 e 853. 

Além da maior oferta de lugares, a CP informa que, nesses feriados de 1 e 3 de maio, o comboio Celta 420, 421, 422 e 423 terá paragens na estação de Barcelos.

Para permitir um acesso facilitado ao centro da Festa das Cruzes, o Município preparou o seguinte conjunto de Parques de Estacionamento periféricos que servem de interface com os autocarros TUBA gratuitos.

Parques que dão ligação a autocarros gratuitos

Parques Urbanos não servidos por autocarros TUBA

Outros Parques

Alterações ao Serviço Público de Transporte de Passageiros

Serviço TUBA Municipal

No dia 02 de maio, existirão supressão de paragens no centro da cidade. Os desvios de itinerários deverão ser efetuados pela Rua Cândido da Cunha e Avenida dos Combatentes da Grande Guerra. Ficarão por servir as paragens com designação: Senhor da Cruz e Bagoeira, em ambos os sentidos. Serão criadas paragens alternativas na Rua Cândido da Cunha e Avenida dos Combatentes da Grande Guerra.

Serviço Intermunicipal

Nos dias 1,2 e 3 de maio existirão supressões de paragens no centro urbano de Barcelos e alterações aos serviços nas seguintes linhas: Linha 106, Linha 115, Linha 212, Linha 213 e Linha 215.

  • Linha 106 – O serviço será realizado, em ambos os sentidos por Barcelinhos (E. Leclerc) e Barcelos (Urbanização São José), sem efetuar paragens no centro da cidade, diretamente pela variante de Barcelos (Rotunda do Galo).
  • Linha 115, 212 e 215 – Os serviços, em ambos os sentidos, irão circular diretamente entre Barcelos (Central), e Barcelos (Urbanização São José) sem efetuar paragens no centro da cidade, diretamente pela variante de Barcelos (Rotunda do Galo).
  • Linha 213 – Após a paragem de São Veríssimo, em ambos os sentidos, o serviço seguirá direto à Central de Barcelos.

Vieira do Minho debate intervenção com famílias em situação de vulnerabilidade complexa

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© CM Vieira do Minho
© CM Vieira do Minho

O Município de Vieira do Minho promoveu uma sessão dedicada à intervenção com famílias em situação de vulnerabilidade complexa, com especial enfoque nos comportamentos aditivos, isolamento social e dificuldades de integração.

A iniciativa decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho e foi dinamizada pelo Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social (SAAS), em parceria com o Centro de Respostas Integradas (CRI) de Braga, reforçando o compromisso institucional com a promoção de respostas integradas e eficazes no apoio às populações mais vulneráveis.

A sessão contou com a participação da psicóloga Teresa Muchata, da equipa do CRI de Braga, e da assistente social Fernanda Cunha, da equipa de Guimarães, que partilharam conhecimentos e estratégias de intervenção, com maior incidência na problemática dos comportamentos aditivos.

A abertura esteve a cargo do presidente da Câmara Municipal, Filipe de Oliveira, que destacou a importância da articulação entre entidades e da capacitação dos profissionais para uma resposta mais eficaz às necessidades emergentes no território.

O encontro reuniu diversas entidades parceiras, nomeadamente representantes do Núcleo Local de Inserção (NLI), a Equipa Multidisciplinar Educativa, o projeto Jovens ao Leme e técnicos da área da Ação Social do Município, promovendo um espaço de partilha, reflexão e fortalecimento de redes de intervenção.

A sessão foi encerrada com a entrega de lembranças pelo vereador da Ação Social, Carlos Mota, simbolizando o reconhecimento pelo contributo de todos os participantes nesta iniciativa.

Festival Contrasta está de volta à Fortaleza de Valença

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© Mundo Segundo & Sam The Kid / Carimho /Lon3r Johny
© Mundo Segundo & Sam The Kid / Carimho /Lon3r Johny

Valença do Minho volta a receber o Festival Contrasta, que decorre a 10 e 11 de julho, com uma vasta programação musical.

Mundo Segundo & Sam The Kid, Papillon, Lon3r Johny, Carminho, YERAI CORTÉS e Nouvelle Vague vão animar os dois dias deste festival.

10 de julho (sexta-feira)

  • Mundo Segundo & Sam The Kid — dois nomes incontornáveis do hip-hop nacional, com décadas de história, beats icónicos e letras que marcaram gerações. Um encontro de gigantes em palco.
  • Papillon — intensidade, identidade e emoção. Entre o rap e o soul, entrega sempre performances cruas e memoráveis.
  • Lon3r Johny — a nova vaga do trap português, com energia irreverente e uma ligação forte ao público mais jovem.

11 de julho (sábado)

  • Carminho — uma das vozes mais marcantes do fado contemporâneo, capaz de arrepiar qualquer plateia com a sua presença e sensibilidade.
  • YERAI CORTÉS — virtuosismo na guitarra flamenca e uma abordagem moderna que cruza tradição e inovação.
  • Nouvelle Vague — elegância e nostalgia num projeto único que reinventa clássicos com uma sonoridade sofisticada e envolvente.

O valor do passe geral para os dois dias do festival é 30 euros e o bilhete diário pode ser adquirido por 20 euros. Os bilhetes para o Festival Contrasta já estão disponíveis em bol.pt e nos locais habituais (Fnac, CTT, El Corte Inglés). No Posto de Turismo e Biblioteca Municipal de Valença, a partir de segunda-feira, dia 27, com desconto para residentes em Valença.

Liberdade? Somos realmente livres porque podemos falar? Ou pensam por nós?

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© Paulo Veiga
© Paulo Veiga

Há palavras que, pela sua aparente simplicidade, escondem abismos de complexidade, “Liberdade” é uma delas. Usamo-la com frequência, quase com leviandade, como se fosse um bem garantido, consolidado, imune ao desgaste do tempo. Invocamo-la em discursos, em debates, em celebrações, como um símbolo absoluto de conquista. Mas será a liberdade apenas aquilo que herdámos? Ou será, antes, algo que exige vigilância constante, consciência crítica e coragem individual?

A pergunta impõe-se, sobretudo quando evocamos o 25 de Abril, esse marco incontornável da história portuguesa, tantas vezes celebrado, mas nem sempre verdadeiramente compreendido. O 25 de Abril não foi apenas uma mudança de regime, foi uma rutura profunda com um sistema que condicionava não só a palavra, mas o pensamento, foi o abrir de portas, sim, mas também o despertar de uma responsabilidade, a de construir uma sociedade onde a liberdade não fosse apenas proclamada, mas vivida.

E é precisamente aqui que surge a inquietação. Passados cinquenta e dois anos sobre esse momento fundacional, será que honramos, de facto, o espírito da liberdade? Ou limitámo-nos a institucionalizá-la, transformando-a num conceito confortável, esvaziado da sua exigência?

Hoje, podemos falar. Podemos escrever, publicar, opinar. Mas será que pensamos verdadeiramente por nós? Ou será que nos movemos dentro de limites invisíveis, moldados por narrativas dominantes, por consensos artificiais, por pressões sociais subtis, mas eficazes?

A liberdade de expressão tornou-se, em muitos casos, um simulacro. Não porque seja formalmente restringida, mas porque é frequentemente condicionada, há temas que se tornam intocáveis, opiniões que são rapidamente rotuladas, discursos que são aceites ou rejeitados não pelo seu conteúdo, mas pela sua conformidade com determinadas linhas ideológicas.

E neste cenário, é impossível ignorar o papel dos actores políticos. Aqueles que, teoricamente, deveriam ser guardiões do espírito democrático parecem, muitas vezes, contribuir para a sua erosão.

Uma parte significativa da esquerda política, que historicamente se apresentou como defensora das liberdades, parece, em certos momentos, confundir liberdade com uniformidade de pensamento. O discurso da inclusão e da tolerância transforma-se, paradoxalmente, em exclusão de quem diverge. A crítica é, por vezes, desvalorizada, silenciada ou deslegitimada, não pela sua fragilidade argumentativa, mas pela sua discordância ideológica.

Este fenómeno não se traduz necessariamente em censura explícita, mas numa forma mais subtil de controlo, a pressão social, o julgamento público, a tentativa de definir os limites do aceitável. E quando o espaço do debate se estreita, a liberdade, mesmo que formalmente intacta, começa a perder substância.

Por outro lado, a direita política, que frequentemente se posiciona como defensora de valores tradicionais e da liberdade individual, parece ter seguido um caminho diferente, mas igualmente preocupante. Em muitos casos, assiste-se a um progressivo aburguesamento da classe política, uma acomodação ao poder, uma integração nos mecanismos que, outrora, se criticavam.

A política transforma-se, assim, numa esfera distante da realidade concreta das pessoas. Os discursos tornam-se previsíveis, os posicionamentos calculados, as decisões condicionadas por equilíbrios internos e interesses instalados. A liberdade, neste contexto, deixa de ser um ideal mobilizador e passa a ser uma palavra conveniente, usada quando útil, esquecida quando incómoda.

Este aburguesamento não é apenas económico ou social, é, sobretudo, intelectual e moral, é a perda de inquietação, de inconformismo, de vontade de questionar, é a substituição da coragem pela prudência excessiva, da convicção pela estratégia.

E, no meio deste panorama, o cidadão comum é confrontado com uma realidade paradoxal, vive numa sociedade onde pode falar livremente, mas onde, muitas vezes, sente que não pode pensar fora de determinados moldes sem enfrentar consequências, sociais, profissionais ou simbólicas.

A liberdade, assim, torna-se condicionada não por leis, mas por contextos, não por proibições explícitas, mas por expectativas implícitas.

Mas a questão central permanece: o que é, afinal, ser livre?

Ser livre não é apenas poder expressar uma opinião, é poder construí-la de forma autónoma, não é apenas ter acesso à informação, é ter a capacidade de a analisar criticamente, não é apenas escolher entre opções, é compreender quem define essas opções e com que intenção.

A verdadeira liberdade exige esforço, exige tempo, exige coragem para enfrentar o desconforto da dúvida e a solidão do pensamento independente, exige, sobretudo, responsabilidade.

Porque pensar por si é um acto exigente. Implica recusar o conforto das ideias prontas, resistir à tentação da adesão automática, questionar aquilo que parece evidente. Implica aceitar que podemos estar errados, mas também que temos o direito, e o dever, de procurar a verdade.

Num mundo saturado de informação, onde as narrativas se multiplicam e competem pela nossa atenção, pensar tornou-se um acto quase revolucionário, não no sentido político tradicional, mas no sentido mais profundo, o de recuperar a autonomia da consciência.

E talvez seja aqui que o espírito do 25 de Abril ainda possa encontrar a sua continuidade, não apenas na memória de um acontecimento histórico, mas na prática diária de uma liberdade consciente.

Uma liberdade que não se limita a celebrar conquistas passadas, mas que se interroga sobre o presente, que não se satisfaz com a aparência de abertura, mas que procura a substância da autonomia, que não aceita, de forma acrítica, as narrativas dominantes, venham elas de onde vierem.

Porque a liberdade não é um ponto de chegada. É um processo. Um exercício permanente de vigilância, de dúvida, de construção.

E talvez nunca sejamos completamente livres, talvez a liberdade absoluta seja uma utopia, mas isso não invalida a importância de nos aproximarmos dela. A cada vez que pensamos por nós, aproximamo-nos, a cada vez que questionamos, aproximamo-nos, a cada vez que recusamos repetir sem compreender, aproximamo-nos. E é nesse movimento, imperfeito, incompleto, mas consciente, que a liberdade deixa de ser apenas uma palavra evocada em datas comemorativas e se transforma numa prática viva.

O 25 de Abril ensinou-nos que é possível mudar. Mas cabe-nos, hoje, decidir se queremos apenas recordar essa mudança ou continuar a construí-la. Porque, no fim, a pergunta mantém-se, incómoda e necessária, somos realmente livres… ou apenas autorizados a falar dentro de limites que não escolhemos?

E talvez a resposta não esteja nos outros, talvez comece em cada um de nós, na forma como pensamos, como questionamos, como escolhemos. Porque a liberdade, antes de ser um direito, é um acto, e esse acto começa no silêncio do pensamento, onde ninguém pode substituir-nos.

Braga: Palácio do Raio recebe exposição “Com Maria”

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O Palácio do Raio, em Braga, recebe na próxima terça-feira, 28 de abril, às 10:30, a inauguração da exposição de pintura e colagem intitulada “com Maria”.

Da autoria de João Osvaldo, a exposição estará parente até dia 30 de maio e é “inspirada na figura de Maria, doada por Jesus à humanidade, esta mostra convida à contemplação do seu olhar terno e acolhedor, que envolve as necessidades e o sofrimento humano, inspirado confiança na sua solicitude e ação intercessora”.

A exposição pode ser visitada de terça-feira a sábado, das 10:00 às 12:00 e das 14:00 às 18:00.