
Arentim e Cunha em Festa: O Reencontro da Nossa Gente e o Coração de uma Comunidade

A cada ano, nos primeiros fins de semana de Agosto, Arentim e Cunha desperta para aquele que é um dos momentos mais marcantes. As Festividades em Honra do Divino Salvador em Arentim e as festividades em Honra da N. Sra. Do Carmo, em Cunha representam a expressão máxima da nossa identidade, onde a fé, a cultura e os laços de vizinhança se entrelaçam para dar vida à nossa união de freguesia.
Esta celebração é, antes de mais, o resultado e o apogeu de meses de esforço contínuo em prol da comunidade. Por trás do brilho das luzes e da animação do programa, está o trabalho abnegado das comissões, zeladores, patrocinadores e de tantos outros que, ao longo de todo o ano, doam o seu tempo e dedicação para erguer festas dignas da nossa história.
É também nesta altura que a terra se volta a encher de vida com a chegada daqueles que a distância não consegue afastar, os “filhos de Arentim e Cunha”, os que emigraram e todos os que vivem noutros pontos do país, fazem do seu regresso um ritual sagrado. Há abraços guardados durante um ano inteiro que só aqui ganham forma.
Estas festas são o ponto de encontro de gerações, onde se partilham memórias e se fortalece o sentimento de pertença a esta comunidade.
O auge da celebração em Arentim vive-se no sábado à noite com a atuação dos “Vizinhos” e com a emblemática sessão de fogo de artificio, mas é no Domingo, que a tradição atinge a sua expressão mais solene e majestosa na Procissão em honra do Divino Salvador. Em Cunha o auge vive-se com a atuação do grupo The Legends, e com a emblemática sessão de artifício, e no domingo com a majestosa procissão em honra da N. Sra. Do Carmo.
Ver sair à rua andores exuberantes, inteiramente embelezados com flores naturais doadas por gentes da nossa terra, é um momento de pura devoção e beleza singular. Cada andor é uma obra de arte, um testemunho vivo da generosidade de uma comunidade que se entrega de corpo e alma para honrar o seu Padroeiro.
Estas festas demonstram que preservam o valor da união e do acolhimento a todos os que nos visitam por estes dias.
Há laços que o tempo e a distância jamais conseguirão romper: a devoção, as memórias de infância e o permanente orgulho de ter Arentim e Cunha no coração.
Conheça os números do Euromilhões

Os números do Euromilhões de hoje já são conhecidos. A chave é composta pelos números 10 – 24 – 25 – 31 – 45 e pelas estrelas 4 e 5.
Em jogo está um primeiro prémio de 89 milhões de euros.
A divulgação destes resultados não dispensa a consulta na página oficial dos Jogos da Santa Casa da Misericórdia.
Por vezes fechar, é andar para a frente

Em dezembro de 2022 a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) da Apúlia fechou. A contestação patrocinada pelo Bloco de Esquerda (BE) e Partido Comunista Português (PCP) não tardou. “O centro de saúde tem que abrir”, “mobilizar a população”, publicações de muita indignação com palavras de revolta porque os idosos têm de se deslocar para longe se precisarem de uma consulta (sendo que “longe” representava 2km de distância da UCSP de Fão).
Recuemos um bocado no tempo…por que foi encerrado o edifício da UCSP de Apúlia? Porque foi considerado pela Unidade de Saúde Pública local que não havia condições de segurança para profissionais e utentes. Havia no ar substância voláteis que para além de terem um cheiro incomodativo, causavam irritação ocular e das vias aéreas, para não falar da hipótese de serem potencialmente cancerígenas. Havia inclusivamente profissionais a fazer medicação crónica para controlar alguns destes sintomas. Trabalhar era sinónimo de desconforto, preocupação e estava inclusive a potenciar doença crónica. Mas ainda assim o PCP e o BE achavam bem que a UCSP estivesse aberta. Sem reservas, porque o que importa é o populismo e causar a revolta popular. Outro facto importante, já há muito que se debatia que não estavam garantidas as condições de segurança. A situação já havia sido reportada por profissionais de saúde à direção do ACES de Barcelos/Esposende (denominaçao anteriormente usada nos cuidados de saúde primários, entretanto substituída pela Direção Clínica para os Cuidados de Saúde Primários da Unidade Local de Saúde de Barcelos/Esposende), sem nunca terem sido feitas diligências para avaliar o risco. Sabemos que fechar o que quer que seja não é bem visto (como se pôde ver pela reação do PCP e BE) e portanto a Direção do ACES preferiu manter a postura do “está tudo bem”, negligenciando a saúde dos profissionais.
Avancemos no tempo, hoje a UCSP de Apúlia é parte integrante da USF EntreMarés com um edificado renovado, com excelentes condições, bons gabinetes de trabalho, ar condicionado, espaço dedicado à saúde materno-infantil, entre outras valências. Um pormenor que não é de menor importância, os profissionais estão satisfeitos com as condições do local.
Agora uma nota final, no pólo de Fão, pertencente à mesma unidade de saúde, questiona-se a existência de situação de risco semelhante, evidenciado pelo mesmo odor característico, e que tem vindo a agravar-se recentemente. Estará esta situação a ser convenientemente avaliada e levada em consideração pelos órgãos da Direção, ou mais uma vez não haverá coragem para enfrentar eventuais reclamações, ao existir necessidade inerente de encerramento temporário?
E será que não existem em Portugal outros casos semelhantes e que ainda não tiveram oportunidade de serem verdadeiramente ouvidos e escrutinados?
Por vezes, é necessário haver alguma audácia para enveredar pelo caminho mais difícil e enfrentar eventuais represálias, se o objetivo final for o bem comum. Afinal, o que se conseguiu foram condições dignas a quem lá trabalha e aos utentes que da USF precisam.
Homem detido em Vila Verde para cumprir pena de três anos por violência doméstica

Um homem de 70 anos foi detido na quinta-feira, no concelho de Vila Verde, para cumprir uma pena de prisão efetiva de três anos pelo crime de violência doméstica, informou a Guarda Nacional Republicana (GNR).
Segundo o Comando Territorial de Braga, a detenção ocorreu no âmbito de uma investigação por violência doméstica contra a cônjuge do agressor, de 60 anos, tendo os militares cumprido um mandado de busca domiciliária para recolha de meios de prova e um mandado de detenção para execução da pena.
O detido foi conduzido ao Estabelecimento Prisional de Viana do Castelo para cumprimento da pena de prisão.
Os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial da Comarca de Braga, Juízo Local Criminal de Braga.
Nobel da Economia arrasa Portugal

Não é todos os dias que um Prémio Nobel da Economia se debruça sobre Portugal, e menos ainda com esta franqueza. James A. Robinson, distinguido em 2024 pelo seu trabalho sobre o papel das instituições na prosperidade das nações, apresentou esta quinta-feira em Lisboa, ao lado do professor Nuno Palma, o estudo “Desbloquear o Crescimento de Portugal”, encomendado pela CIP e pelo Instituto Amaro da Costa. O retrato é impiedoso: um Estado corporativista, com traços claros de capitalismo de compadrio, organizado em torno das pessoas do costume, da antiguidade e da discricionariedade política, em vez do mérito e da concorrência. Robinson resume-o numa palavra que todos os portugueses conhecem: “cunha”.
O diagnóstico não é propriamente novo, e os autores sabem-no. Portugal não falha por falta de diagnósticos; falha na execução. Ainda assim, vale a pena reter os seis bloqueios identificados: uma justiça administrativa e fiscal desesperantemente lenta; rendas e fraca contestabilidade nos setores não transacionáveis; meritocracia limitada na administração pública; uso ineficiente dos fundos europeus; um sistema fiscal labiríntico; e incentivos desalinhados com o investimento. A imagem mais eloquente é a da justiça. Com dos piores tempos de resolução de processos administrativos da União Europeia, funciona como um imposto sobre quem ousa desafiar o Estado. Quem tem razão contra a administração pública, mas espera dez anos por uma sentença, na prática não tem razão nenhuma.
Mas o que distingue este estudo é menos o diagnóstico do que a estratégia proposta. Em vez do habitual catálogo de duzentas medidas que nenhum governo cumpre, Robinson e Palma sugerem uma única obsessão nacional: garantir que os tribunais decidem todos os processos num máximo de 90 dias. Chamam-lhe “Portugal a horas”, a ideia de um Estado que cumpre a palavra dada. A aposta é que esta prioridade, perseguida de forma faseada e com indicadores públicos de desempenho, arrasta tudo o resto. Se os tribunais decidirem a tempo, qualquer cidadão ou empresa que não obtenha resposta do Estado pode recorrer à justiça por incumprimento, e o Estado, sabendo-o, passa a responder. É o efeito dominó institucional: justiça rápida gera concorrência real, administração capaz, investimento e, no fim da cadeia, salários mais altos.
As restantes propostas orbitam esta ideia central. Na administração pública, meritocracia a sério. Os autores notam a ironia de o cidadão comum ter de concorrer, entregar currículo e fazer provas para um lugar no Estado, enquanto o presidente do regulador da energia é nomeado por escolha política, sem concurso nem critérios transparentes. A solução passa por concursos abertos e júris independentes para os cargos de topo. Na fiscalidade, simplificação profunda, eliminação de benefícios regressivos e abolição da derrama estadual, um imposto progressivo sobre as grandes empresas que penaliza precisamente quem mais investe, compensando a receita com impostos menos distorcivos. Na concorrência, abrir os setores protegidos que vivem de subsídios, contratos públicos e regulação amiga, da banca à energia, da construção à distribuição, e dar dentes a uma Autoridade da Concorrência cujos processos contra cartéis prescrevem nas gavetas da justiça lenta. No mercado laboral, uma proposta corajosa: os acordos coletivos só se aplicariam a quem estiver efetivamente representado pelos parceiros sociais, forçando sindicatos e patronato a conquistar representatividade em vez de a decretar.
Que pensar de tudo isto? A força da proposta está na sua simplicidade mensurável. “Justiça em 90 dias” cabe num cartaz eleitoral, verifica-se com um número e não admite desculpas. Depois de décadas de relatórios enciclopédicos que morrem na prateleira, há sabedoria em escolher uma alavanca e puxá-la com obsessão. A fragilidade é a que os próprios autores admitem: o problema é político. Quem beneficia do compadrio, dos incumbentes protegidos aos nomeados sem concurso, passando pelas estruturas sindicais e patronais pouco representativas, é precisamente quem teria de aprovar as reformas. Robinson ganhou o Nobel a explicar por que razão as elites extrativas resistem à mudança; Portugal é agora o seu caso de estudo.
E, no entanto, é difícil não sentir que este estudo chega no momento certo. Um país que envelhece, que exporta os seus jovens e que vive pendurado em fundos europeus não pode dar-se ao luxo de mais uma década de diagnósticos. A pergunta que fica não é se Robinson e Palma têm razão. É se alguém, em São Bento, terá coragem de pôr o relógio a contar.
Escola de Braga distinguida no Jovens Repórteres para o Ambiente
















