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O Planeta precisa de paz!

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Ao longo dos últimos dois anos fomos consumidos em pensamento e preocupação por uma das maiores crises de que há memória na história moderna, a pandemia. Com os receios justificados ao nível da saúde, acrescidos de uma crise socioeconómica, entramos em modo emergência, com todos os esforços e atenções populares, mediáticas e políticas focados no desenvolver da pandemia e nas suas soluções.

Quando finalmente o mundo começava a virar a página, eis que surge mais uma crise que nos arrebatou o pensamento, uma guerra na Europa com dimensões e consequências grotescas, avassaladoras. Também esta consome toda a atenção popular, mediática e política, de modo justificado.

No entanto, a verdade é que nos últimos anos deixamos para trás aquele que se antevê ser o maior desafio das nossas vidas, o combate e a adaptação às alterações climáticas. Se as vozes desta luta ainda não se ouviam alto o suficiente, nos últimos anos estão cada vez mais silenciadas. Claro que é difícil sobreporem-se ao lançamento e explosões de mísseis. Psicologicamente, não nos conseguimos preocupar com uma ameaça a médio prazo quanto temos outra mais urgente com que lidar. Mas deve ser precisamente essa a capacidade e missão dos nossos políticos, lidar com crises enquanto planeiam o futuro, minimizando os riscos para as próximas gerações.

O balanço que as medidas climáticas e o ambientalismo estavam a ganhar, quer na política, quer na sociedade civil, foi posto em pausa. Mas o planeta precisa cada vez mais de ação.

Em 2021 registamos o maior aumento de emissões de gases com efeito de estufa das últimas décadas. Em 2022, a concentração de partículas de CO2 na atmosfera atingiu um novo recorde. Os meses de Janeiro e Fevereiro registaram temperaturas médias globais recorde. Também em Março, no Ártico e Antártida atingimos as temperaturas mais elevadas de que há registo. No caso da Antártida, cerca de 40-50ºC acima do normal!

Em Fevereiro deste ano o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), lançou um novo relatório que demonstra que os efeitos do aquecimento global serão mais rápidos e nefastos do que o previsto.

No entanto, a ação climática tem sido esquecida e estamos cada vez mais perto do ponto de não retorno, em 2030.

Até no meio de uma guerra financiada pela adição aos combustíveis fósseis, a solução política não passou por um investimento massivo nas energias renováveis, mas sim por despejar mais dinheiro numa indústria sem futuro, que a cada dia leva o nosso futuro consigo. Em alguns casos, financiando novas ditaduras.

Até no meio de uma crise que nos despertou para a necessidade de produzir alimentos da forma mais eficiente possível, os nossos políticos não foram capazes de alertar que o nosso caminho traçado até agora na alimentação é o oposto da eficiência. Não olharam aos dados que nos dizem que já produzimos alimentos suficientes para alimentar 10 mil milhões de pessoas de forma saudável, mas estamos a utilizar esses alimentos de forma ineficiente, na criação de animais para consumo e muitas vezes deixando-os ir para o lixo.

Também a escassez de matérias-primas e aumento do custo dos produtos poderia ser uma oportunidade de aposta na economia circular, redução do desperdício, melhoria na gestão dos recursos existentes e aposta numa economia desmaterializada. Mas também isto tem ficado esquecido.

Quando continuamos a remeter as alterações climáticas para depois e não aproveitamos as oportunidades que nos alertam para as soluções, a esperança na capacidade dos nossos políticos resolverem esta crise fica cada vez mais longe e o ponto de não retorno, cada vez mais perto.

Com toda esta urgência, o planeta precisa de paz e os nossos políticos têm de carregar no play das medidas climáticas.

Artigo de opinião de Rafael Pinto do PAN.

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