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OpiniãoO papel das células estaminais do cordão umbilical na Diabetes

O papel das células estaminais do cordão umbilical na Diabetes

© Andreia Gomes

A diabetes é uma doença crónica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Trata-se de uma condição na qual o corpo não produz insulina suficiente ou não consegue utilizá-la adequadamente. Isso resulta em níveis elevados de glicose no sangue, o que pode levar a complicações graves. Existem dois principais tipos de diabetes: tipo 1 e tipo 2. A diabetes tipo 1 é uma condição autoimune na qual o sistema imunológico ataca e destrói as células produtoras de insulina no pâncreas. Enquanto a diabetes tipo 2 ocorre quando o corpo não consegue usar a insulina de forma eficiente ou não produz insulina suficiente para atender às necessidades do organismo. Ambos os tipos de diabetes podem levar a complicações graves, como doenças cardiovasculares, neuropatias, problemas renais e perda de visão.

O balanço da diabetes em Portugal é alarmante. O Observatório Nacional da Diabetes divulgou dados referentes aos anos 2019, 2020 e 2021: o número de pessoas com a doença aumentou 20%, em sete anos, e Portugal integra o top 3 da Europa em termos de prevalência. A prevalência estimada da doença na população entre os 20 e os 79 anos é de 14,1% (num total de 7,8 milhões de indivíduos) o que significa que cerca de 1,1 milhões de pessoas desta faixa etária apresentam esta doença.

Para se conseguir dar resposta, é necessário atacar em várias frentes como aumentar a resposta em consultas, rastreios, tratamentos, e desenvolvimento de novas estratégias de combate a esta patologia.

Terapia com sangue do cordão umbilical: o que é?

A terapia com sangue e tecido do cordão umbilical envolve a colheita e o armazenamento das células estaminais presentes no sangue e no tecido do cordão umbilical. Essas células estaminais apresentam a capacidade de se especializarem em diferentes tipos de células no corpo humano, o que as torna muito promissoras para o tratamento de várias doenças, incluindo a diabetes. Essas células estaminais são colhidas logo após o nascimento do bebé, quando o cordão umbilical é cortado. Este é um processo indolor e totalmente seguro para a mãe e para o bebé. Em seguida, são processadas e armazenadas em bancos de sangue do cordão umbilical para uso futuro. Contrariamente às células estaminais presentes noutras partes do corpo, as células estaminais do sangue e do tecido do cordão umbilical são mais jovens e apresentam maior capacidade de multiplicação e diferenciação.

Como o cordão umbilical pode ajudar no tratamento da diabetes?

Embora a terapia com sangue e tecido do cordão umbilical ainda possa ser considerada “recente”, vários resultados benéficos têm sido mostrados. Vários estudos sugerem que as células estaminais presentes no sangue ou no tecido do cordão umbilical podem ajudar a regenerar as células produtoras de insulina no pâncreas, o que pode melhorar o controlo da glicose no sangue em pacientes com diabetes. De facto, as células estaminais do tecido do cordão umbilical apresentam propriedades imunomoduladoras, o que significa que estas podem ajudar a regular o sistema imunológico e reduzir a inflamação que pode estar envolvida no desenvolvimento da diabetes. Para além disso, estas células podem produzir e libertar fatores de crescimento e moléculas que promovem a regeneração dos tecidos danificados no pâncreas. No entanto, é importante salientar ainda são necessários mais estudos e que cada caso de diabetes é único e deve ser avaliado individualmente por um médico especialista antes de considerar a terapia com células estaminais provenientes do cordão umbilical como opção de tratamento.

Estudos sobre o papel do cordão umbilical no tratamento da diabetes: relatos de sucesso.

Vários estudos foram e são realizados para avaliar o potencial da terapia com sangue e tecido do cordão umbilical no tratamento da diabetes. Dentro destes estudos, destacam-se vários ensaios clínicos já realizados com recurso ao cordão umbilical para tratar a diabetes ou as suas comorbidades. Um estudo publicado na revista científica “World Journal of Diabetes” demonstrou em 16 pacientes com diabetes tipo 2 que a infusão de células estaminais do tecido do cordão umbilical melhorou a glicemia, e restaurou a função células β (células produtoras de insulina), levando à redução da dose dos fármacos usados para controlar esta doença. Os autores deste trabalho, afirmam que estes são resultados muito bons e que acreditam que a infusão de células estaminais do tecido do cordão umbilical pode, de facto, ser uma nova opção para o tratamento da diabetes tipo 2.

Outro estudo, envolveu avaliou o efeito das células estaminais do tecido do cordão umbilical em 91 pacientes com diabetes tipo 2. Após a avaliação, o grupo que teve a infusão de células estaminais do tecido do cordão umbilical apresentou redução de uso de insulina e significativas melhorias no controlo da glicose no sangue comparativamente aos pacientes que foram infundidos com placebo. Para além disso, os investigadores concluíram que a aplicação de células estaminais do tecido do cordão umbilical foi completamente segura.

Embora essas descobertas sejam promissoras, mais estudos e investigações são necessárias para entender completamente os efeitos deste tratamento na diabetes.

Benefícios e potenciais riscos da terapia com células estaminais do cordão umbilical para a diabetes

A terapia com recurso a células estaminais do cordão umbilical oferece uma série de potenciais benefícios para pacientes com diabetes. Além da possibilidade de regenerar as células produtoras de insulina no pâncreas, esta terapia também pode ajudar a reduzir a necessidade de medicamentos para controlar os níveis de glicose no sangue e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Além disso, a terapia com sangue do cordão umbilical é considerada segura, uma vez que as células estaminais podem ser obtidas do próprio paciente ou de um dador compatível. Isso reduz significativamente o risco de rejeição ou efeitos colaterais graves. No entanto, como qualquer tratamento médico, a terapia com sangue do cordão umbilical também apresenta riscos potenciais. Embora sejam raros, podem ocorrer complicações durante o processo de colheita, processamento ou administração das células. É importante discutir esses riscos com um médico especialista antes de decidir pela terapia com sangue do cordão umbilical.

O futuro da terapia de células estaminais do cordão umbilical para o tratamento da diabetes

A terapia com células estaminais do cordão umbilical tem o potencial de revolucionar o tratamento da diabetes, oferecendo uma abordagem inovadora e promissora para essa doença crónica. No entanto, é importante sublinhar que a possível terapia com recurso às células estaminais do cordão umbilical não é uma cura definitiva para a diabetes. Cada caso de diabetes é único e requer uma abordagem personalizada. Por isso, é fundamental consultar um médico especialista para avaliar a viabilidade desse tratamento e discutir todas as opções disponíveis.

À medida que a pesquisa avança e mais estudos são realizados, podemos esperar que a terapia com células estaminais do cordão umbilical se torne uma opção de tratamento que possa ser mais amplamente disponível para pacientes com diabetes. O futuro desta potencial terapia é promissora e pode oferecer esperança para aqueles que vivem com essa condição crónica.

Artigo de opinião de Andreia Gomes, diretora técnica e de investigação e desenvolvimento e inovação da BebéVida.

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