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OpiniãoMulheres de Braga, Mulheres de Portugal

Mulheres de Braga, Mulheres de Portugal

© Tiago Teixeira

Na passada reunião da Assembleia Municipal de Braga de dia 28 de Abril, o partido PAN apresentou uma recomendação à Câmara Municipal de Braga, para que promova a Atribuição da Designação “Rua Mulheres de Braga” a uma via da cidade, de forma a demonstrar à sociedade civil o empenho local na igualdade de género e no combate à violência doméstica, valorizando também os particulares e associações sociais que diariamente trabalham na área.

A proposta foi aprovada de forma unânime, demonstrando que da esquerda à direita, do conservadorismo ao progressismo, este é um problema que ultrapassa ideologias.

Esta foi também uma forma de relembrar 2019. Gabriela Monteiro, 46 anos. Esfaqueada com 10 golpes em casa, na cidade de Braga, pelo ex-marido. Dois filhos ficaram sem mãe. Gabriela é um nome conhecido, pela sua ligação ao Teatro Circo e à cidade de Braga, mas é apenas uma das muitas vítimas de violência doméstica em Portugal.

De referir que a APAV registou em 2021 uma média de 54 casos de violência doméstica diários. No entanto, apenas uma pequena percentagem de casos chega às notícias por terem atingido um grau de gravidade máximo, quer seja homicídio ou tentativa de homicídio. Verificamos ainda que no último trimestre de 2022, a Rede Nacional de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica acolheu quase 1500 pessoas. Mas na sombra existem ainda muitas vítimas a sofrer diariamente nas suas casas, pelos seus companheiros, sempre na esperança que nunca venham a ser notícia.

Em mais de metade dos casos há antecedentes de agressões e 40% das vítimas já haviam apresentado queixa contra o agressor. Este continua a ser um flagelo no nosso

país. Continuamos a falhar todos, enquanto comunidade/sociedade, quando olhamos para o lado aos sinais que as vítimas dão, ou quando estas ganham finalmente a coragem de pedir ajuda e as entidades tomam as dores do agressor, escusando-se a agir e deixando muitas das vezes também crianças expostas a esta violência.

A história mostrou-nos o longo e difícil caminho que as mulheres têm vindo a fazer no combate pela igualdade de género. Falamos de igualdade salarial, na consciencialização da distribuição das tarefas domésticas, na proteção na violência doméstica e no tratamento das queixas quer a nível criminal quer a nível social, na segurança física local ou na confiança no acesso a tratamentos de saúde.

Aos homens, resta-lhes estar ao lado destas Mulheres na luta por todas estas áreas que não podem ser minoradas e devem nortear aquilo que deveria ser um desígnio local de pugnar pela paridade de importância na nossa cidade e a luta pelos direitos das mulheres, num desafio de todos, porque somente juntos poderemos criar uma sociedade verdadeiramente igualitária e justa.

Esta igualdade e reconhecimento pode e deve começar nas nossas ruas, pois numa cidade onde menos de 4% dos nomes de ruas são de mulheres devemos de reconhecer e enaltecer o trabalho de todas as Mulheres de Braga, quer naquele que deve ser um desígnio local e nacional de cumprir o ODS no 5 de alcançar a Igualdade de Género e Empoderar Todas as Mulheres e Raparigas, quer no trabalho diário pela eliminação da Violência Doméstica em Portugal.

Artigo de opinião de Tiago Teixeira, deputado do PAN na Assembleia Municipal de Braga.

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