
A atleta Margarida Silva conquistou, esta madrugada, a medalha de prata na prova de 1500 metros nos Jogos Surdolímpicos Tóquio 2025, assinando um dos desempenhos mais emocionantes da competição até ao momento.
Margarida terminou a corrida com o tempo de 4:40.60 minutos, resultado extraordinário e que ganha ainda maior relevo pelas adversidades enfrentadas durante a prova.
A cerca de 700 metros do final, a atleta perdeu a sapatilha do pé direito após um contacto involuntário com outra concorrente. Apesar do imprevisto, e num gesto de coragem, resiliência raras, Margarida continuou determinada, controlando sempre a corrida e lutando até ao fim com a atleta neutral IuliiaAbubiakirova (4:39.65) pela medalha de ouro – a queniana Sharon Bitok (4:43.65) ficou com a medalha de bronze.
A forma como resistiu à dor e ao impacto do tartan no pé transformaram cada metro numa demonstração pura de superação.
A reta final foi marcada por um esforço memorável. Margarida manteve-se firme e cortou a meta na 2.a posição, conquistando uma medalha que simboliza não apenas desempenho desportivo, mas o espírito de luta e a excelência que caracterizam os atletas surdolímpicos portugueses.
Visivelmente emocionada, a atleta falou desta conquista na sua estreia nos Jogos Surdolímpicos. “Sim, tinha sonhado bastante com isto. Tinha visto este momento muitas vezes e é a concretização. Não foi de todo uma estreia perfeita, nunca tinha perdido uma sapatilha em prova, foi a primeira vez, mas procurei não me focar nisso e correr até ao final independentemente das condições. Acredito que se não tivesse tido este percalço o desfecho poderia ter sido diferente, mas, de facto, foi muito bom e não posso estar triste por isso. Acho que fui inteligente a correr e acredito que estive à altura do desafio”, declarou a atleta, que uma hora antes da corrida comeu um cubo de marmelada, ritual que habitualmente faz, para tudo corra bem.
Margarida deixou ainda uma palavra para o seu treinador, Fernando Ferreira, que viu a prova em Setúbal e para a família. “Quero dizer-lhe obrigada, porque acreditou muito em mim. Para casa? Um beijinho grande”, disse.
Com esta conquista, Portugal somou a terceira medalha na sua participação em Tóquio 2025 – a judoca Joana Santos foi ouro em -57kg e o ciclista André Soares bronze na Corrida de Pontos –, reforçando o percurso de excelência da Missão Portuguesa nos Jogos Surdolímpicos.


